Um pequeno paraíso na terra, ainda por descobrir aos olhos do mundo; de pessoas muito doces, sempre prontas a ajudar, de alma grande e com hábitos bem definidos, traços culturais mesclados e uma história muito intensa. Relembram, os locais, com tristeza, a guerra que até há bem pouco tempo viveram, com ainda marcas no corpo daquele que foi um período para esquecer. E dão a volta por cima na felicidade que trazem e no português que (mesmo que pouco) falam, com brio, dignidade e honra, por ser uma das línguas oficiais do país, a juntar ao Tétum.
Pela rua, esticam a mão e sem hesitar dizem sempre “bo tardi”. 40% da população tem menos de 15 anos e, por isso, sente-se a necessidade ao nível da educação, que desde 2002 funciona progressivamente em português. O sistema, embora em crescimento, apresenta ainda graves lacunas e urgência de desenvolvimento, havendo atuais apostas nesse sentido.
Também a necessitar de desenvolvimento se encontra o ramo agrário, desenvolvido ainda muito preliminarmente. A forma de viver impede-os de gerir a agricultura de outra forma, e a necessidade também. Arroz cozido é o alimento principal e o único que consideram verdadeiramente primordial, sendo tudo o resto secundário. Esforçam-se contudo na produção de café, sendo um dos grandes exportadores mundiais.
Mas o mais fascinante, são mesmo as tradições que trazem entranhadas. Por mais estranhas que algumas pareçam, continuam a elevá-las a sábias decisões ou atitudes. Os espíritos mantêm-se presentes e comandam muito da vida a que assistimos, chegando a provocar temor, obediência e até veneração a quem neles acredita. A própria religião local e ancestral é uma religião do medo, comandando os feitos mais assustadores e as obras mais macabras, como o sacrifício de animais.
Por fim, da habitual calma que reina em cada gesto e cada tarefa que realizam, tudo feito com tempo e a seu tempo, vivem sobre uma paz imposta por Xanana Gusmão, o grande e amado líder deste povo, onde é mais importante parecer que se está a fazer alguma coisa, a fazer realmente. E o que mais gostam de fazer são festas, eventos e celebrações, onde o maior problema vem a ser o lixo deixado, e que sempre ficará pelo chão e pelas ruas deste país tão singular e tão belo, hoje ainda descuidado. Mas dele guardamos a glória e vaidade do povo!



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