Não havendo propriamente queixas, mas sim o reparo sobre o tempo cronometrado, os utentes revelam que há um “cartão-chip ligado ao computador que conta o tempo”.
Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, Francisca, que tem médico de família na Unidade de Saúde Familiar (USF) Bordalo Pinheiro e não quis divulgar o apelido por medo de represálias, opõe-se à fixação do tempo médio das consultas em 15 minutos, por considerar que “desvaloriza o ato médico”, considerando que o essencial é “assegurar a qualidade dos cuidados e não a quantidade cronometrada”. A utente defende que compete aos “médicos adaptar a duração da consulta a cada doente”.
Outro utente que também não quis divulgar o nome disse que já ouviu algumas pessoas a queixarem-se de que o “médico não os ouve, não explica o que têm e não fala sobre as propostas de tratamento, só receita os medicamentos”.
Também há quem considere que 15 minutos é tempo suficiente para a consulta e que o atendimento depende do “médico de família”. Há médicos que são mais rápidos e falam menos e há outros que explicam tudo e são mais atenciosos”, revela a jovem Ana Catarina, que é utente da USF Rainha D. Leonor.
É uma medida que agrada a alguns utentes, que se queixam na demora no atendimento e que apontam que desta forma também se poderá diminuir as listas de utentes sem médico de família.
Diretora do ACeS Oeste Norte esclarece
Com o objetivo de clarificar a forma como funcionam as consultas, Ana Pisco, diretora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde do Oeste Norte (ACeS Oeste Norte), que gere os antigos centros de saúde das Caldas da Rainha, Alcobaça, Bombarral, Nazaré, Óbidos e Peniche, explicou ao JORNAL DAS CALDAS que “não existe nenhum documento no ACeS que condicione ao médico o tempo de consulta”. Segundo a responsável, a indicação de 15 minutos tem duas origens: “a primeira tem a ver com a parametrização da agenda informática que está feita com 15 minutos para alguns tipos de consulta e para outros 20 minutos”.
A indicação de 15 minutos provém de “vários estudos publicados que concluem, que em média, uma consulta demora 15 minutos. Assim, se é média, umas demoram mais, outras menos”, manifestou a diretora do ACeS Oeste Norte.
Revelou ainda que existe legislação que “regulamenta os tempos máximos de resposta a uma solicitação (portaria nº 87/2015). Esta portaria define estes tempos para cuidados hospitalares e cuidados primários”.
Ana Pisco informou que o médico de família, durante a sua formação, é “treinado para gerir a sua consulta conforme os problemas que o utente apresenta. Há problemas que têm que ser resolvidos rapidamente (doença aguda), outros que, sendo crónicos,pode ser agendada a sua vigilância ou acompanhamento para outra data, permitindo ao médico ter acessibilidade para outros utentes com doença aguda”. “O mesmo utente pode um dia ter necessidade de uma consulta, que pelo problema que traz demora mais de 15 minutos, e, noutro dia, porque tem uma situação menos complicada, a consulta possa ser realizada em 5 minutos”, adiantou.
O ACeS Oeste Norte tem uma médiade consultas diárias (contabilizando todas as unidades) que varia entre 1.500 e 2.700.
Relativamente às obras nas unidades, a diretora revelou que há uma candidatura da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, no âmbito dos fundos comunitários 2020, para construção de uma USF e após a construção dessa unidade, o atual edifício do centro de saúde poderá ser remodelado. “A administração regional de saúde, o ACeS Oeste Norte e a Câmara Municipal têm estado a trabalhar nos projetos em estreita colaboração”, sublinhou.



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