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Nós e a Alemanha

Marco Libório

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Neste mês de novembro visitei a Alemanha pela primeira vez. Concretamente estive em Berlim, tendo tido a oportunidade também de visitar a zona de Potsdam (capital do estado federal de Brandemburgo).

Viajar é, do meu ponto de vista, dos melhores investimentos que se podem fazer. Abre-nos horizontes, permite-nos o contacto com outras realidades e outras formas estar, o que só pode contribuir para o nosso crescimento enquanto seres humanos, quer do ponto de vista pessoal, quer numa perspetiva profissional. Desta feita, a viagem teve uma motivação profissional (participação num congresso internacional no âmbito da contabilidade, auditoria e fiscalidade), tendo obviamente sido aproveitada para conhecer um pouco da grande metrópole que é atualmente Berlim.

Berlim é uma cidade cheia de história, onde tiveram lugar acontecimentos muito marcantes do século XX na Europa (e no Mundo). O Muro de Berlim é, certamente, o marco maior da história recente desta cidade, e que teve um enorme impacto na vida de milhões de Berlinenses. Para os que, como eu, não tiveram oportunidade de conhecer Berlim enquanto cidade dividida, é hoje difícil imaginar como seriam aqueles tempos em que coabitavam duas realidades muito diferentes, na mesma cidade, separadas por um muro altamente vigiado.

Chamou-me particular atenção a forma como os alemães lidam com a memória do muro. Não a tentam apagar, antes relembrar a todo o momento que o muro existiu, procurando que as gerações atuais e futuras não esqueçam, para que não voltem a cometer os mesmos erros. Por exemplo, existe no chão por toda a cidade, em forma de pedras da calçada de cor diferente, a marca de onde estava o muro.

Recomendo vivamente uma visita a esta cidade. Mas esta minha viagem não foi feita só de revisitar acontecimentos históricos, mas também de pequenas histórias que não resisto a partilhar consigo (vou obviamente poupá-lo às tecnicidades discutidas no congresso, pois não quero de forma alguma que deixe de ler os meus artigos).

À chegada ao Aeroporto de Tegel, dirigimo-nos a um táxi, para que nos transportasse ao hotel. Fornecemos ao taxista a identificação do hotel, e respetiva morada. O mesmo informa-nos que o preço será aproximadamente 45 euros, mas que pode fazer 40 euros se não emitir fatura. Nas suas palavras: “sabem como é, assim é melhor para mim, tenho uma família grande, e os impostos aqui são muito altos…”.

Tive oportunidade de fazer um tour de autocarro pela cidade de Berlim. Entre outros pontos de interesse, visitámos a zona da Museumsinsel (Ilha dos Museus). Trata-se de uma ilha no meio do rio Spree, e é assim denominada por na mesma se encontrarem cinco museus (Museu Pergamon, Altes Museum,Neues Museum, Alte Nationalgalerie, Museu Bode). Parte destes museus encontram-se atualmente em obras de reabilitação e de ampliação. Ao passarmos por estas obras, o guia do tour (de nacionalidade alemã, portanto à partida insuspeito) referiu-se às mesmas como um “desastre em termos de cumprimento de prazos e de orçamento; para além de terem já um atraso muito significativo relativamente ao inicialmente programado, o custo previsto foi já largamente ultrapassado, não se sabendo atualmente qual será verdadeiramente o custo total no final.”

Num dos almoços do congresso, tive oportunidade de trocar algumas ideias com um colega alemão, também ele consultor de empresas na área fiscal. Contava-me ele que, no âmbito das políticas de combate à evasão fiscal, as autoridades fiscais alemãs tinham decidido avançar com um projeto-piloto na cidade de Hamburgo. Este projeto incidia sobre o setor dos transportes terrestres de passageiros, e consistiu na montagem de aparelhos de controlo dos quilómetros percorridos por viatura, com o objetivo de cruzar essa informação com a faturação emitida. Nos primeiros seis meses em que o projeto foi colocado em prática, a faturação declarada pelos agentes económicos alvo deste controlo subiu “apenas” 50%. Ao final desse período, por via de uma decisão política do nosso bem conhecido ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, o projeto foi suspenso e os equipamentos de controlo retirados dos veículos.

Estas três histórias demonstram apenas que, afinal, nós e os alemães não somos assim tão diferentes.

Marco Libório

CEO da UWU Solutions / Consultor / Docente

mliborio@gmail.com

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