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Bombeiros angariaram 118 mil euros no peditório pelo concelho

Francisco Gomes

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A população das Caldas da Rainha entregou 118 mil euros à corporação de bombeiros do concelho, na sequência de peditórios realizados nas doze freguesias. A verba angariada vai servir para a aquisição de veículos e equipamentos e para a remodelação do quartel. O dinheiro reunido com o envolvimento dos presidentes de junta foi simbolicamente exibido em cheques gigantes num desfile pela cidade das Caldas da Rainha, no passado domingo.
Presidentes de Junta levaram os cheques das respetivas freguesias

A iniciativa é realizada anualmente e o resultado é generoso. A população contribui porque entende que os soldados da paz do concelho merecem ser apoiados.

“Gosto do serviço dos bombeiros. Dão a vida para salvar as outras pessoas”; “Precisamos deles sempre, acho que é o mínimo que podemos fazer”; “Eles estão sempre prontos para nos ajudar. Seja num acidente, num fogo, no que for, estão sempre prontos. Contribuo sempre e tento que a família contribua também porque é uma causa que é de louvar”. Comentários recolhidos pelo JORNAL DAS CALDAS junto de populares, no quartel dos bombeiros.

A associação humanitária tem consciência que o serviço que presta é importante para a população. “As pessoas de facto têm paixão pelos seus bombeiros e nós procuramos seguir esta linha de apoiar toda a população. Porque é bom estarmos em casa e sabermos que temos alguém na retaguarda que nos apoia, protege e segura. Há uma afinidade com os bombeiros, em quem as pessoas se reveem”, manifestou Abílio Camacho, presidente da associação humanitária dos bombeiros voluntários das Caldas da Rainha.

O peditório “é uma maneira de entrarem algumas verbas para as atividades que temos e um incentivo muito grande para os bombeiros. É uma mais-valia”.

“Temos uma despesa brutal. Uma média de 120 mil euros fixos. Se tivermos alguma coisa extraordinária ficamos aflitos. Este ano o peditório foi muito bom”, declarou Abílio Camacho.

À verba angariada juntaram-se contribuições de várias entidades, como a Câmara e inclusive os próprios soldados da paz dispensaram dinheiro que deviam receber. Tudo junto dá 118.176,75 euros – cerca de dez por cento do orçamento da associação humanitária em 2016 – que servirão para a aquisição de um veículo de combate a fogos florestais e de uma ambulância, remodelação do quartel e equipamentos para os bombeiros.

“É sem dúvida um reconhecimento ao corpo de bombeiros, que é o único no concelho e tem 255 quilómetros quadrados de área. É um esforço enorme mas conseguimos chegar a todo o lado”, afirmou o comandante da corporação, Nelson Cruz.

Segundo explicou ao JORNAL DAS CALDAS, houve uma verba, no âmbito do dispositivo de combate a incêndios, que os bombeiros entregaram à associação humanitária. “São 45 euros por cada 24 horas, atribuídos pela Autoridade Nacional de Proteção Civil. O dinheiro dos sábados e domingos, cerca de nove mil euros, vai ajudar a comprar botas para combate aos incêndios florestais. Cada par custa 165 euros mais IVA. Para 111 bombeiros é muito dinheiro, perto de quinze mil euros. A direção da associação vai colocar o resto que falta”, indicou.

No que respeita ao dinheiro doado pela população já tem destino: “Necessitamos de mais um veículo de combate a fogos florestais, que custa 40 mil euros. Este ano tivemos 183 incêndios e até foi calmo, mas fomos muito solicitados para fora do concelho, de norte a sul do país. Por outro lado, também precisamos de uma ambulância de socorro. Temos quinze ocorrências de emergência pré-hospitalar por dia e só as cinco ambulâncias de que dispomos podem não chegar. E ainda há as despesas com a requalificação do quartel, que tem 35 anos e apresentava sinais de desgaste. Colocámos coberturas novas e pintámos, e no fim das contas o dinheiro angariado não chega para tudo aquilo que necessitamos”.

Carlos Figueiredo, presidente da assembleia geral da associação humanitária, destacou que quanto mais a população contribuir, mais os bombeiros estarão apetrechados para intervir, enquanto que Vítor Marques, presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, em nome das freguesias, sublinhou que mais uma vez a população voltou a ajudar os bombeiros. Lalanda Ribeiro, presidente da Assembleia Municipal, vincou que a população mostrou a sua simpatia pelos soldados da paz.

Tinta Ferreira, presidente da Câmara, frisou que “poucos municípios têm uma generosa população que dá as suas poupanças para ajudar os bombeiros”.

A autarquia atribuiu para este cortejo de oferendas vinte mil euros. “Em média damos quase cem mil euros por ano”, adiantou.

A tarde de animação no quartel contou com a presença do grupo Bric-a-Brac, coordenado por António Freitas, e houve um lanche, com alimentos doados pela população e empresas.

Donativos

Freguesias (foram consideradas as antigas dezasseis, em vez das atuais doze com as uniões de freguesias):

Nossa Senhora do Pópulo – 17.260,45 euros, Santo Onofre – 8.000 euros, Tornada – 7.761,48 euros, Salir de Matos – 7.320 euros, Santa Catarina – 6.348,27 euros, Alvorninha – 5.826,79 euros, A-dos-Francos – 4.768,66 euros, Vidais – 4.031,60 euros, Nadadouro – 3.900 euros, Landal – 3.314,57 euros, Carvalhal Benfeito – 3.211,50 euros, Serra do Bouro – 3.120,53 euros, Foz do Arelho – 2.800 euros, São Gregório – 2.781,45 euros, Salir do Porto – 2.760 euros e Coto – 1.896.45 euros.

Outros cheques: Câmara – 20.000 euros, comando e corpo combatente – 8.925 euros, Corsolar – 4.000 euros, Churrasqueira Tomé – 20 frangos.

Francisco Gomes

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