A iniciativa é realizada anualmente e o resultado é generoso. A população contribui porque entende que os soldados da paz do concelho merecem ser apoiados.
“Gosto do serviço dos bombeiros. Dão a vida para salvar as outras pessoas”; “Precisamos deles sempre, acho que é o mínimo que podemos fazer”; “Eles estão sempre prontos para nos ajudar. Seja num acidente, num fogo, no que for, estão sempre prontos. Contribuo sempre e tento que a família contribua também porque é uma causa que é de louvar”. Comentários recolhidos pelo JORNAL DAS CALDAS junto de populares, no quartel dos bombeiros.
A associação humanitária tem consciência que o serviço que presta é importante para a população. “As pessoas de facto têm paixão pelos seus bombeiros e nós procuramos seguir esta linha de apoiar toda a população. Porque é bom estarmos em casa e sabermos que temos alguém na retaguarda que nos apoia, protege e segura. Há uma afinidade com os bombeiros, em quem as pessoas se reveem”, manifestou Abílio Camacho, presidente da associação humanitária dos bombeiros voluntários das Caldas da Rainha.
O peditório “é uma maneira de entrarem algumas verbas para as atividades que temos e um incentivo muito grande para os bombeiros. É uma mais-valia”.
“Temos uma despesa brutal. Uma média de 120 mil euros fixos. Se tivermos alguma coisa extraordinária ficamos aflitos. Este ano o peditório foi muito bom”, declarou Abílio Camacho.
À verba angariada juntaram-se contribuições de várias entidades, como a Câmara e inclusive os próprios soldados da paz dispensaram dinheiro que deviam receber. Tudo junto dá 118.176,75 euros – cerca de dez por cento do orçamento da associação humanitária em 2016 – que servirão para a aquisição de um veículo de combate a fogos florestais e de uma ambulância, remodelação do quartel e equipamentos para os bombeiros.
“É sem dúvida um reconhecimento ao corpo de bombeiros, que é o único no concelho e tem 255 quilómetros quadrados de área. É um esforço enorme mas conseguimos chegar a todo o lado”, afirmou o comandante da corporação, Nelson Cruz.
Segundo explicou ao JORNAL DAS CALDAS, houve uma verba, no âmbito do dispositivo de combate a incêndios, que os bombeiros entregaram à associação humanitária. “São 45 euros por cada 24 horas, atribuídos pela Autoridade Nacional de Proteção Civil. O dinheiro dos sábados e domingos, cerca de nove mil euros, vai ajudar a comprar botas para combate aos incêndios florestais. Cada par custa 165 euros mais IVA. Para 111 bombeiros é muito dinheiro, perto de quinze mil euros. A direção da associação vai colocar o resto que falta”, indicou.
No que respeita ao dinheiro doado pela população já tem destino: “Necessitamos de mais um veículo de combate a fogos florestais, que custa 40 mil euros. Este ano tivemos 183 incêndios e até foi calmo, mas fomos muito solicitados para fora do concelho, de norte a sul do país. Por outro lado, também precisamos de uma ambulância de socorro. Temos quinze ocorrências de emergência pré-hospitalar por dia e só as cinco ambulâncias de que dispomos podem não chegar. E ainda há as despesas com a requalificação do quartel, que tem 35 anos e apresentava sinais de desgaste. Colocámos coberturas novas e pintámos, e no fim das contas o dinheiro angariado não chega para tudo aquilo que necessitamos”.
Carlos Figueiredo, presidente da assembleia geral da associação humanitária, destacou que quanto mais a população contribuir, mais os bombeiros estarão apetrechados para intervir, enquanto que Vítor Marques, presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, em nome das freguesias, sublinhou que mais uma vez a população voltou a ajudar os bombeiros. Lalanda Ribeiro, presidente da Assembleia Municipal, vincou que a população mostrou a sua simpatia pelos soldados da paz.
Tinta Ferreira, presidente da Câmara, frisou que “poucos municípios têm uma generosa população que dá as suas poupanças para ajudar os bombeiros”.
A autarquia atribuiu para este cortejo de oferendas vinte mil euros. “Em média damos quase cem mil euros por ano”, adiantou.
A tarde de animação no quartel contou com a presença do grupo Bric-a-Brac, coordenado por António Freitas, e houve um lanche, com alimentos doados pela população e empresas.
Donativos
Freguesias (foram consideradas as antigas dezasseis, em vez das atuais doze com as uniões de freguesias):
Nossa Senhora do Pópulo – 17.260,45 euros, Santo Onofre – 8.000 euros, Tornada – 7.761,48 euros, Salir de Matos – 7.320 euros, Santa Catarina – 6.348,27 euros, Alvorninha – 5.826,79 euros, A-dos-Francos – 4.768,66 euros, Vidais – 4.031,60 euros, Nadadouro – 3.900 euros, Landal – 3.314,57 euros, Carvalhal Benfeito – 3.211,50 euros, Serra do Bouro – 3.120,53 euros, Foz do Arelho – 2.800 euros, São Gregório – 2.781,45 euros, Salir do Porto – 2.760 euros e Coto – 1.896.45 euros.
Outros cheques: Câmara – 20.000 euros, comando e corpo combatente – 8.925 euros, Corsolar – 4.000 euros, Churrasqueira Tomé – 20 frangos.
Francisco Gomes





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