Num país maioritariamente budista, com templos infinitos, coloridos e imponentes, com estátuas de elefantes, budas e outros tantos, não assistimos a nenhuma cerimónia por se darem cedo, mas visitámos todos quanto pudemos por entre o silêncio que neles se faz sentir. E é também todas as manhãs que, em fila, os monges seguem pela cidade, com a sua bolsa a tiracolo, também ela laranja, recolhendo dos devotos (a troco de paz espiritual) bens alimentares para o dia que se inicia. Por tradução, os rapazes budistas experimentam a vida de monge por uma semana, um mês ou um ano, sendo que muitos acabam por ficar de forma a ter acesso a uma melhor educação. E no Laos, o monge está a cima de tudo e todos, devendo ser respeitado assim.
Por lá sentimos então essa paz espiritual transversal a todos os locais, presente na calma com que vivem, com que agem, falam ou comem; o que pudemos assistir pelas quatro cidades por onde passámos: Vientiane, Vang Vieng, Luang Prabang e Pakbeng, com um único senão, o excesso de turistas! Assim sendo, fomos só mais uns por entre tantos, desejosos de descobrir as maravilhas por lá escondidas. Cascatas, lagoas, templos, montanhas, paisagens, rios, elefantes e todo o tipo de atividades, das mais relaxantes às mais radicais, ao gosto de qualquer um! Um paraíso escondido ainda no tempo, a evoluir a olhos vistos.
E as pessoas, ainda deslumbradas com quem as visita, mostram-se sempre gratas, humildes e simpáticas. Contudo, boleia não é com eles – levámos horas à espera que cada carro parasse, e mais tantas horas depois de caminho, sendo as estradas medonhas, talvez as piores de sempre. Seis horas para 180 quilómetros, estradas com 12% inclinação, curva atrás de curva. Duro, até para quem gosta tanto de viajar!
Outra viagem simpática é a dos sabores, mas picante demais para o nosso paladar. E vai piorar em diante, é certo: será pior a Tailândia ou a Indonésia, mas enfim! Malaguetas fazem parte de tudo e o “sticky rice” (um arroz que verdadeiramente cola!) também.
Para levar, mantém-se o saco de plástico ou pequenos rolos em folha de bananeira. E em viagem, comer com as mãos não é problema! Já em casa, percebemos que volta a ser hábito comer sobre a esteira no chão. O conceito de ‘meu’ e ‘teu não existe e é também por isso que na mesa, ou no chão, os pratos se colocam ao meio e todos comem do mesmo, numa mágica partilha.
E assim vivemos e absorvemos o melhor do Laos, onde facilmente encontrámos crianças e adultos sorridentes com camisolas de Portugal (ou Protuguet, como por lá se diz!).
Joana Oliveira e Tiago Fidalgo




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