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Diabetes: escolha prevenir, escolha controlar

Manuela Ricciulli, Coordenadora da Unidade Integrada de Diabetes do Centro Hospitalar do Oeste

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Como tem sido amplamente divulgado na comunidade médica, a prevalência da Diabetes Mellitus tipo 2, tem vindo a aumentar em todo o Mundo. O mesmo acontece em Portugal onde, segundo o relatório do Observatório Nacional da Diabetes, a doença atinge 13,1% da população com idade compreendida entre os 20 e os 79 anos, mais de um milhão de pessoas, dos quais, apenas 7,4% sabem que são diabéticos, não estando a doença diagnosticada nos restantes 5,7% (443.000 pessoas). Segundo a mesma fonte, 27,2% da população tem “Pré-Diabetes ou Hiperglicémia Intermédia”, ou seja, apresenta alterações do metabolismo da glicose que condicionam alterações “ligeiras” dos valores do açúcar no sangue, mas que virão a desenvolver Diabetes, se nada for feito para o evitar. Em suma, 7,4% da população referida tem Diabetes, 5,7% tem Diabetes mas não sabe que a tem e 27,2% tem alterações do metabolismo da glicose.

As complicações mais frequentes da doença são conhecidas de muitos: os problemas renais, com necessidade de hemodiálise, os problemas oculares que são causa frequente de cegueira, o Enfarte Agudo do Miocárdio, o Acidente Vascular Cerebral, as Amputações dos Membros Inferiores, com necessidade de internamento hospitalar, dias de baixa por incapacidade temporária ou permanente. Representam elevados custos para a pessoa que sofre da doença, para os seus familiares, para a Sociedade, para todos nós.

Em Portugal, os custos do tratamento da doença e das suas complicações são elevados, perfazendo 0,9% do PIB português em 2014 e 10% do total de despesas em saúde. Estes são apenas os custos “monetários” pois os custos para o doente com diabetes e seus familiares não são contabilizáveis.

Sabe-se que, para além da toma correcta da medicação, uma alimentação saudável e a prática de exercício físico diário e adequado a cada pessoa são fundamentais para a melhoria do controlo da doença, com consequente redução do aparecimento das suas complicações e dos custos associados. A adoção de um estilo de vida adequado melhora, também, o bem-estar e a qualidade de vida destas pessoas.

Sabemos, ainda, que a Diabetes tipo 2 pode ser prevenida se se tiver um “Estilo de Vida Saudável”, mais uma vez, através da alimentação saudável e do exercício físico.

Urge, por isso, a necessidade de prevenir, prevenir, prevenir, quer o aparecimento da doença, quer das suas complicações. É fundamental investir seriamente na Educação para a Saúde, alertar os nossos governantes, alertar as populações, alertar as escolas, os professores e educadores para este facto. Fomentar a prática de exercício físico, a alimentação saudável, explicar que “Estilo de Vida Saudável” não é só para quem é Diabético, mas para todos nós, se quisermos continuar a ser saudáveis. Temos que o saber transmitir às nossas crianças, porque um dia serão adolescentes e adultos, não estando livres de contrair diabetes.

Ser Diabético não é uma escolha mas o que escolhemos fazer ou não fazer pode condicionar o aparecimento, ou não, da doença e o seu controlo quando ela já existe.

Manuela Ricciulli, Coordenadora da Unidade Integrada de Diabetes do Centro Hospitalar do Oeste

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