Sentado numa cadeira de rodas, V.S.Naipaul mostrou ser um homem de poucas palavras, mas com muito humor. Aos 84 anos, continua a não gostar de dar entrevistas. Ao jornalista José Mário Silva, a quem coube conduzir a entrevista, o escritor não respondeu a algumas questões. Mas com poucas palavras conseguiu cativar o público.
À pergunta sobre como é que via o mundo de hoje, V. S. Naipaul, de origem indiana, disse que escreve “para tentar entender o que se passa no mundo”. “A minha escrita flui, e não faço muitas revisões, porque escrevo com muito cuidado, com grande preocupação com o que se passa no mundo”, adiantou.
Na entrevista sublinhou a ideia de que encara a escrita como “uma missão” para a qual acredita “estar destinado”.
Com mais de meio século de carreira e 30 obras publicadas, o escritor disse “o que acontece com a idade é que somos empurrados para o silêncio”, garantindo que tem a “preocupação constante e a necessidade de escrever mais e mais”.
Interrogado sobre livros que tivesse eventualmente deixado inacabados, disse prontamente: “Não, não poderia fazer isso. É assim que eu defino a minha carreira: eu termino os livros”.
Sua esposa, Nadira, sentada na primeira fila, ajudou-o em algumas respostas e a esclarecer alguns detalhes. Naipaul recordou que gosta de escrever sobre o que vê com os seus próprios olhos. Fala da escrita como “um momento feliz”, contudo, admite “dor” e sofrimento quando confrontado pelo jornalista com algumas ideias dos seus livros, nomeadamente sobre o colonialismo.
Marlene Sousa




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