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Exposição de xilogravuras marca o arranque do FOLIO

Mariana Martinho

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Já dentro da vila literária, o arranque do FOLIO ficou marcado pelo som da música do Grupo de Adufeiras do Rancho Etnográfico de Idanha-a-Nova, pela aula de Mega Ferreira sobre o escritor Miguel de Cervantes, que incidiu sobretudo D. Quixote de la Mancha, e ainda pela inauguração mundial da exposição de xilogravuras “O Lagarto”, que junta as palavras de José Saramago ao inconfundível traço do artista popular brasileiro, J. Borges.
Inauguração com o Grupo de Adufeiras do Rancho Etnográfico de Idanha-a-Nova

naugurada ao som do trio nordestino “Solapada”, a mostra conta com dezoito xilogravuras do artista brasileiro J. Borges, criadas especialmente para a nova edição do conto de José Saramago, “O Lagarto”, propondo uma nova leitura para a história de uma misteriosa criatura que surge no Chiado, em Lisboa. Esta exposição também ficou marcada pelo lançamento do livro “O Lagarto”, com gravuras de J. Borges e com chancela da Porto editora, podendo ser adquirido no festival.

É um conto que foi incluído inicialmente no livro “A Bagagem do Viajante”, onde junta as crónicas que o autor escreveu para as publicações “A Capital” e “Jornal do Fundão”.

A exposição resulta de um “encontro entre dois Josés, com a madeira”, tendo para Alejandro Garcia Shenetezer a particularidade de juntar palavras de Saramago, os desenhos de Borges e ainda simbolizar as origens “da madeira levada para o Brasil pelos portugueses e devolvida agora em forma de arte”.

Para Anabela Mota Ribeiro, curadora da Folia, esta é a “mais importante exposição, de entre um conjunto de quinze exposições abertas aos visitantes do FOLIO, onde mostra as xilogravuras do artista brasileiro”. Já Pilar Del Rio, viúva de José Saramago, esclareceu que posteriormente ao Folio, a mostra irá ser apresentada noutros países, como o Brasil, onde ficará patente no início do próximo ano.

Ao mesmo tempo foram inauguradas várias exposições no espaço.

Livros comestíveis no FOLIO

Nesta segunda edição do Festival Literário Internacional de Óbidos, os visitantes também têm a possibilidade de comer um livro, numa iniciativa do restaurante Vila Joya e a Ivty.

Este projeto intitulado “The Cooked Book” é uma experiência que junta a cozinha criativa e a excêntrica autoria do chefe austríaco Dieter Koschina, premiado com duas estrelas Michelin, num livro de fotografias, feito com papel especial que vai ao forno, para cozinhar a massa à volta.

Dieter Koschina esteve presente na inauguração do FOLIO, onde apresentou os livros que podem ser comidos, todos os dias, entre a hora do lanche e do jantar. Esta “ligação entre autores” apresenta duas versões, uma com capa simples grelhada e outro com capa e contracapa de pão de sementes, que irá ao forno.

“A literatura alimenta a alma, os pratos de chefs alimentam o estômago, mas a criatividade levou-nos a criar um livro que junta as duas coisas e que pode ser guardado ou comido”, explicou Dieter Koschina, autor de um livro que custa 33 euros e pode ser adquirido em Óbidos. Já Carlos Coelho, organizador, explicou que “decidimos celebrar a literatura com a gastronomia de uma forma especial”, pois “cada chef conta uma história quando cozinha”.

Na galeria do Pelourinho, o organizador também explicou que “este livro surge de um workshop, que juntou os chefs designers na cozinha do Vila Joya, onde usamos o livro como outro ingrediente especial para celebrar a literatura”. A proprietária do restaurante, Joy Jung, salienta que “cada prato tem a sua própria história, que é escrita pelo chef. Daí que cada chef seja um escritor em cada menu que prepara”.

Mariana Martinho

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