diversas crises externas que têm modificado o comportamento interno dos Estados. A Europa, com as crises das dívidas soberanas, a mais recente crise dos refugiados, o sucesso eleitoral de partidos radicais e candidatos populistas, tem sido uma das regiões mais afetadas. Vários Estados têm passado por reformas institucionais mais ou menos profundas, mudanças de mentalidades nas sociedades civis e erosão de partidos ao centro, só para enumerar alguns exemplos.
Do ponto de vista internacional, as mudanças também têm sido significativas, ainda que os desafios sejam diferentes. O retraimento estratégico dos Estados Unidos da América, até agora a potência unipolar, abriu um vazio de poder que tem sido preenchido por potências económicas não ocidentais com propostas alternativas para a organização das relações entre Estados. Ainda que a China, a Rússia, a Índia e o Brasil se tenham afirmado principalmente no plano económico, há cada vez mais indícios que estes Estados procuram influenciar a decisão política internacional, ou ultrapassá-la, criando novos modelos, associações e problemas ao regular funcionamento das instituições vigentes. As raízes e argumentos da contestação encontram-se nas suas identidades nacionais e sociais, bem como nas suas visões do mundo, construídas internamente e pela observação das potências até aqui dominantes.
Estas duas componentes – mudanças internas, causadas por choques externos, e mudanças externas causadas pela emergência de Estados com identidade não Ocidentais – estão interligadas por duas perguntas fundamentais: estará o capitalismo em crise? E a democracia? Com os Seminários d’Óbidos’16, o IPRI-NOVA pretende encontrar caminhos para responder a estas questões.
O curso tem a duração de três dias, entre 15 e 17 de setembro, e é composto por seminários que incluem a apresentação de papers com trabalhos originais e comentados por especialistas da área e por sessões de conversas sobre livros. No último dia, são convidados alguns dos principais protagonistas da economia e da banca portuguesa para debaterem a questão da crise do liberalismo.
A sessão de abertura terá lugar no dia 15 de setembro, com a intervenção de Humberto Marques, Presidente, da Câmara Municipal de Óbidos e Nuno Severiano Teixeira, Diretor, IPRI-NOVA.




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