Rosa Valente Matos, presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) garante que o Aces Oeste Norte poderá receber em breve mais um médico, esperando que no final deste ano ou no início de 2017, através de novos concursos, seja possível nova contratação de cinco a seis clínicos, de forma a garantir que todos os utentes da área tenham médico de família atribuído. “É esse o nosso objetivo ter uma total cobertura de utentes com médico de família porque os cuidados primários são a base de todo o sistema de saúde”, disse, Rosa Valente Matos.
Os cinco novos médicos de Medicina Geral e Familiar foram recebidos no passado dia 9 de setembro numa cerimónia de acolhimento que teve lugar na sede da Comunidade Intermunicipal do Oeste em Caldas da Rainha.
“O melhor médico será aquele que conseguir associar o conhecimento científico com a empatia e a capacidade de comunicação”, aconselhou Rosa Valente Matos, que à pouco tempo à frente da ARSLVT pretende melhorar o atendimento ao utente nas Unidades de Saúde Familiar(USF) e Centros de Saúde. A responsável considera que os serviços de saúde são das pessoas “para as pessoas”. “Todos os funcionários tem um papel importante no funcionamento das unidades de saúde, o primeiro impacto que é feito pelo pessoal administrativo é muito importante porque é a primeira imagem dos nossos centros de saúde e é por aí que temos que começar”, apontou, a responsável que quer transmitir “um trabalho de proximidade”.
Segundo, Rosa Valente Matos o melhor indicador de qualidade é a “satisfação dos utentes”.
A presidente da ARSLVT referiu que estão a trabalhar em conjunto com as autarquias de todo o Oeste para que as unidades de saúde possam ter melhores infraestruturas e equipamentos. Revelou que a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo vai construir cerca de 20 centros de saúde, a maioria com protocolos com as Câmaras Municipais. No entanto informou que mais importante que as instalações são “as pessoas que lá trabalham”.
Aces Oeste Norte com falta de recursos humanos
O Aces Oeste Norte tem 379 colaboradores, sendo que 94 são médicos de medicina geral e familiar, 6 médicos de saúde pública, 32 médicos internos da especialidade, 103 enfermeiros e 87 assistentes técnicos e alguns técnicos superiores. É constituído por 8 Unidades de Saúde Familiar; 6 Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados; 3 Unidades de Cuidados na Comunidade; 1 Unidade de Saúde Pública; 1 Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados, num total de 60 postos de atendimento
A diretora executiva da Aces Oeste Norte revelou que existe carências de recursos humanos. “Neste momento não é só em termos médicos, temos falta de enfermeiros e, temos uma carência muito grande de assistentes técnicos e assistentes operacionais”, apontou, Ana Maria Pisco.
A responsável explicou que “o que estava definido para os Centros de Saúde quando houve a agregação dos agrupamentos, não está adaptado à realidade de hoje onde têm cerca de dois terços dos assistentes técnicos que necessitam.
Ana Maria Pisco diz que tem havido constrangimentos em todas as unidades e nos locais onde está só um médico, um assistente e um enfermeiro, “torna-se mais difícil gerir a falta de recursos”.
O Aces Oeste Norte tem 87 assistentes técnicos e para funcionar bem precisa de 120. Só a UAG – Unidade de Apoio à Gestão, necessita à volta de 20 profissionais. “Precisamos de fazer uma ginástica para manter todas as portas abertas e nos meses de verão, mais difícil é com as férias”, adiantou, a responsável.
Quanto às obras das unidades de saúde das Caldas, a diretora executiva da Aces Oeste Norte disse que está definido entre a Autarquia, Aces e ARSLVT a cedência de um espaço para instalar a USF Rainha D. Leonor na freguesia de Santo Onofre e depois a requalificação de todo o edifício que existe agora para poder alargar e dar melhores condições à USF Rafael Bordalo Pinheiro. Ana Maria Pisco espera que daqui a dois anos as obras estejam concluídas.
Autarcas apoiam saúde na região
Presidentes e vereadores, das Câmaras Municipais que compõe este Agrupamento de Centros de Saúde, também estiveram presentes nesta sessão.
O presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, Paulo Inácio, destacou as palavras da presidente da ARSLVT concordando que os recursos humanos são o “mais essencial para o bom funcionamento do sistema nacional de saúde”. Para o autarca a saúde é uma prioridade revelando que para a semana vão iniciar a construção da nova Unidade de Saúde Familiar da Benedita. Lembrou que apesar das instalações precárias atuais, têm feito “milagres e tem o trabalho com os utentes sido reconhecido pela própria ARSLVT”.
O presidente da CâmaradoBombarral, José ManuelVieira, também disse que o bom atendimento depende da capacidade de recursos humanos e meios técnicos. Recordou que a autarquia do Bombarral tem um papel ativo na busca desta qualidade, dando o exemplo da candidatura em vias de conclusão para a aquisição de uma viatura móvel de saúde que entrará num programa de apoio às populações mais distantes da sede do nosso Concelho que terá o apoio do Ministério da Saúde.
A vereadora do Município das Caldas, Maria da Conceição defende um reforço dos cuidados primários para evitar congestionamento da urgência do hospital.
Recordou que a Câmara das Caldas está empenhada com a ARSLVT para a construção de uma nova USF na freguesia de Santo Onofre como também a requalificação e alargamento das Unidades Familiares da cidade das Caldas.
Regina Piedade Matos, vereadora da autarquia da Nazaré, disse que a Câmara tem trabalhado em conjunto com a ACES Oeste Norte para melhorar os cuidados de saúde, revelando que uma nova Unidade Familiar está já em fase de construção. Revelou ainda que o Município arranjou alojamento para o novo médico.
Os cinco novos médicos de Medicina Geral e Familiar vieram nomeadamente do norte e uma das profissionais de saúde é da Ucrânia. O especialista, Henrique Nascimento que ficou colocado na freguesia de A-dos-Francos fez a especialidade na USF Rainha D. Leonor.
O médico colocado no Centro de Saúde de Óbidos, Francisco Fraga considera que os médicos devem ter mais tempo para os seus doentes, notando ser “importante” haver mais tempo para as consultas.
No final os médicos receberam o Manual de Acolhimento, elaborado pela UAG – Unidade de Apoio à Gestão do ACES Oeste Norte.
Marlene Sousa







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