Esta edição da Vila literária vai também facilitar a vida aos leitores nas deslocações a Óbidos, proporcionando ligações ferroviárias diárias, a partir do Rossio, num comboio especialmente organizado em colaboração com a empresa CP.
A apresentação das últimas novidades do festival literário foram divulgadas, numa conferência de imprensa realizada na passada quinta-feira, no Teatro da Trindade, onde esteve presente alguns dos curadores, como José Eduardo Agualusa e Anabela Mota Ribeiro e ainda o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Humberto Marques.
Nesta edição, “o FOLIO começa no Rossio em Lisboa e, todos os dias, arranca rumo a Óbidos num comboio já repleto de animação a bordo”, sendo uma das novidades da segunda edição, que decorre entre 2 de setembro e 2 de outubro.
O FOLIO será encerrado pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, numa conversa com o jornalista Afonso Camões.
“O evento que começa no Rossio e estabiliza em Óbidos, torna-se um ponto de encontro entre protagonistas e atores”, sustentou Humberto Marques, presidente da Câmara Municipal de Óbidos.
Durante os 11 dias do festival, o comboio partirá diariamente do Rossio, com partidas diárias às 10h25 e às 17h55, em direção à vila. No regresso, o visitante também dispõe de dois horários, a partir da estação de Óbidos (às 15h17 e às 00h35).
Esta novidade, desta segunda edição, custará 9,5 euros (ida e de volta) ou 5 euros para uma só viagem. Possibilita ao visitante a ouvir leitura de poemas e de outros textos literários durante a viagem. Ainda vai permitir aos fãs da saga Harry Potter, que regressarem a Lisboa, adquirir o mais recente volume, na madrugada do dia 24.
“Até o Harry Potter achou que devia de vir ao Folio, pois a nova edição vai estar à venda dentro e fora do comboio”, sublinhou o organizador do Festival Internacional Literário de Óbidos, José Pinho.
Segundo o organizador, o comboio literário veio facilitar a vida dos interessados, que na primeira edição “tiveram problemas com o regresso a Lisboa”, sendo que a maioria vinha de carro.
“Pensamos que era bom resolver o problema se conduzir não beba, pois a grande parte dos interessantes usufruíram da programação noturna”, salientou José Pinho, adiantando que esta iniciativa é “uma garantia para que os interessados possam ir e vir sem preocupações.” Assim, a organização estabeleceu um protocolo com a CP, de forma a alargar o espaço de ação, que vai começar em Lisboa e terminar em Óbidos, e por sua vez, contribuir para o aumento do número de visitantes.
Uma programação “absolutamente alucinante
O comboio literário não foi a única novidade apresentada, também vai fazer parte da programação outros atrativos, inseridos em cinco áreas do evento literário: Folia, Folio Autores, Folio Educa, Folio Ilustra e Folio Mais. Destacando a visita do escritor V. S. Naipaul, prémio Nobel da Literatura, numa conversa conduzida pelo jornalista e crítico José Mário Silva, no dia 22, pelas 21h00, bem como, Salman Rushdie numa conversa com a jornalista e escritora Clara Ferreira Alves, no dia 30, pelas 21h00.
Segundo, José Pinho “a organização tinha o objetivo de trazer todos os anos um Prémio Nobel ao festival e ainda fomos escolher autores novos, que não estiveram cá o ano passado”. Destacou ainda “ temos a ambição de que um dia tenham passado pelo Folio todos os escritores portugueses”.
Outros escritores europeus mais relevantes também vão marcar presença como Jutta Bauer, ilustradora alemã, vencedora do Prémio Hans Christian Andersen, o islandês Jón Kalman Stefánsson, o mexicano Juan Pablo Villalobos e a luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida.
Entre os autores portugueses vai estar Eduardo Lourenço, Ana Luísa Amaral, Manuel Alegre, Mário Zambujal, Gonçalo M. Tavares, Richard Zimler, Inês Pedrosa, Francisco José Viegas, José Riço Direitinho, Jacinto Lucas Pires, Inês Fonseca Santos e Djaimilia Pereira de Almeida.
As 16 mesas de autor, onde vão estar à conversa escritores de todo o mundo sobre o tema “Utopia”, que assinala este ano os 500 anos da publicação de Thomas More. Ainda é assinalado o Ano Internacional do Entendimento Global, o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, os 500 anos da morte do pintor Hieronymus Bosch e os 400 da morte de William Shakespeare e Miguel de Cervantes.
“Quer a Vila Literária e quer o Folio, se não são utopias, não sei bem o que são”, afirmou o organizador.
A programação também inclui cinema, música, exposições, debates, aulas, tertúlias, gastronomia.
Na área da música, José Pinho destacou Sérgio Godinho que junta-se ao pianista Filipe Raposo e ao coreógrafo Rui Horta, para uma atuação inédita, e ainda o fadista Camané estreia um espetáculo de canções de Tom Jobim.
“Nos concertos queríamos fazer espetáculos inéditos, improváveis, qualquer coisa que se faça para o Folio”, manifestou o responsável, acrescentando que esta segunda edição é “um aniversário, tendo em conta que, na primeira, tudo era desconhecido”.
No Folio também vai ser inaugurada a exposição “Dom Quixote”, com gravura, serigrafia e desenho de Júlio Pomar, com inspiração na obra de Cervantes.
Segundo, José Pinho, “esta edição é ainda mais completa do que aquilo que foi o ano passado”, adiantando que edição anterior “contou com um programa intenso, que nos provocou algum reboliço na gestão e na logística das mesas, horários e dos espaços”. Por isso, nesta edição, a organização eliminou alguns horários e outras atividades decorrem à mesma hora, de forma a permitir que os interessados visitem os espaços consoantes os gostos.
José Pinho também salientou que esta edição o orçamento deverá diminuir entre 30% e 40%, com menos dinheiro em relação ao ano passado. “Esperamos fazer os próximos com igual ou superior qualidade sem gastar mais”, garante o responsável, sendo que este ano o orçamento é de 595 mil euros, cuja primeira edição foi orçada em 660 mil euros.
Para Humberto Marques, “a segunda edição do FOLIO é o aniversário da primeira, que todos achavam utópico e impossível”, contribuindo para que “o FOLIO seja um festival literário internacional, que vai além da lusofonia, à conquista de novos continentes. É um acontecimento transcontinental”. Além disso considera que este certame literário é “um dos maiores festivais de literatura à dimensão da Europa”.
O autarca também esclareceu que o FOLIO ” É muito mais do que um festival de literatura, é um evento de cultura”, no qual não se restringe à dimensão do livro, que convivem com outras áreas como a música, a dança, o teatro, as artes plásticas e as economias.
Esta edição terá “uma dimensão ainda maior, com 250 eventos em 11 dias, o que permite uma programação com uma densidade alucinante”, e ainda permite que “as experiências do festival não se esgotem, e que as pessoas façam escolhas”.
A programação ainda vai contar com livros que se comem, cozinhados por um “Chef” com duas estrelas “Michelin”, uma feira de livros raros e antigos, uma ferramenta digital “Folio Digital”, que permite aos visitantes acompanhar todos os acontecimentos e ainda um ciclo de iniciativas do qual fazem parte uma exposição, mesas redondas, um debate na Noite Europeia dos Investigadores e um workshop internacional, sobre a “Matemática e Literatura”.
Mariana Martinho





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