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VI corrida de Toiros da Pera Rocha

Luciano Silva

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A VI edição de uma corrida de toiros alusiva à Pera Rocha, com todo o sentido realizada na praça de toiros das Caldas da Rainha, já que o fruto é um ex libris da nossa região oeste. Noite amena de 15 de julho e bancadas muito bem preenchidas de um público que guardou um minuto de silêncio pela morte de D. Vicente da Camara, fadista que imortalizou o fado das Caldas, música que foi ouvida durante as cortesias.

Os toiros originários de várias ganadarias, todos eles pretos de pelagem, entre os 450 e 550 kg, mais bravos uns, nem tanto outros, deram bom jogo acabando por todos eles se deixarem lidar.

Prémio da Melhor Atuação Para Francisco Palha

David Gomes a grande surpresa da noite

Na vertente artística digamos resumidamente que o espetáculo foi agradável de seguir e se uma ou outra lide não passou do mediano, outros toureiros tiveram toiro e mérito pessoal chegando mesmo a alcançar triunfos redondos.

Rui Salvador teve um toiro a sair dos curros desinteressado, aos poucos deixou-se lidar mas sem a devida qualidade para que o toureiro de Tomar pudesse triunfar.

Marco José, toureiro caldense, 20 anos de alternativa, bregou bem e rematou melhor o 1.º ferro comprido. Na ferragem curta teve uma lide alegre movimentada mexendo no toiro, sempre a ele ligado, com vontade de triunfar. Entusiasmou o público, toureou ao som da música, um passo dóble ao qual foi atribuído o seu nome e terminou em beleza com a colocação de uma rosa de palmo.

Brito Paes teve uma atuação aceitável e prejudicada pela média luz devido a alguns postes de iluminação terem falhado em quase toda a lide.

Paulo Jorge Santos desenvolveu uma lide aplaudida pois desenhou o melhor toureio frontal até então visto, o público gostou (mas o toureiro não) pois no final recusou-se a dar volta á arena, vá se lá entender porquê!

Francisco Palha Com este jovem cavaleiro mas já um artista a sério, o toureio frontal voltou e agora de forma espetacular. A sua grande atuação é desde o início até ao final da lide, um tratado de técnica e das regras de bem tourear à portuguesa. Com o seu estilo pausado, primando pelas preparações para depois com o toiro colocado no sítio ideal, partir para o oponente, reto sem pressas e bem de frente. As ligeiras cambeadas eram feitas quase que em cima da cara do toiro, as sortes arrepiantes sucediam-se com ferros (do primeiro ao último) simplesmente espetaculares. No final da corrida com todos os artistas perfilados no centro da arena, recebeu das mãos do Presidente da Câmara Dr. Tinta Ferreira, o prémio da melhor atuação da noite, atribuído com toda a justiça.

David Gomes Também este jovem toureiro, ainda na classe de praticante, entrou na arena com estado de espírito ganhador, arrojado, desenvolto e comunicativo, arrebatou o público, deixou-se igualmente contagiar, toureou a gosto e com alegria. Foi igualmente um triunfo total ficando na retina uma série de ferros curtos fantásticos carregados de emoção.

A emoção das pegas

A componente das touradas é isto mesmo, a arte e a emoção.

Neste caso, pelo que ficou descrito a arte de Francisco Palha e a emoção de David Gomes. E nas pegas? Nas pegas houve, e haverá sempre emoções a rodos. Um bem-haja para o grupo de forcados amadores de Alenquer, uma novidade nesta praça. A sua atuação foi positiva, estiveram valentes e decididos pois tiveram de se haver com toiros que investiam de pronto e com toda a guita, levando os forcados das tábuas até às tabuas do outro lado da praça, por vezes com fortes derrotes.

A emoção esteve lá, com três pegas na 1.ª tentativa, duas na 2.ª e uma na 3.ª tentativa.

Espetáculo bem dirigido e abrilhantado pela banda caldense.

Os aficionados ficam a aguardar a tradicional corrida do 15 de agosto e por um cartel de luxo, onde obrigatoriamente deverá estar incluído o toureiro das Caldas, bem como os forcados da nossa terra.

Luciano Silva

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