As eleições autárquicas de 2017 estão a chegar e é preciso começar desde já a definir quem serão os candidatos. O José Manuel Vieira vai ser candidato novamente a presidente da Câmara de Bombarral?
Presidente CMB – Faz todo o sentido que seja candidato à Câmara Municipal do Bombarral, depois de ter ultrapassado com êxito todas as dificuldades pelas quais passou o nosso Município. No entanto, a escolha de um candidato está sempre pendente de múltiplos fatores que estão a ser analisados e que seguramente comprovarão, não só o merecimento, como o facto de constituir a melhor escolha, pela experiência e pela forma como preparei o município para abraçar os desafios de futuro com maior capacidade.
2 – Como faz o balanço do último mandato?
Presidente CMB – O último mandato marcou a fase intermédia entre Quadros Comunitários, pois saímos de um período de grande investimento na execução das obras comparticipadas pelo QREN, o que exigiu um enorme esforço da nossa parte e partimos para a grande etapa que constitui o desafio do Portugal 2020 que exige também, a par de uma boa preparação, um grande investimento no apoio técnico exterior para a elaboração das candidaturas que melhor sirvam os interesses do concelho e naturalmente um esforço acrescido em termos financeiros nos muitos projetos que iremos apresentar.
Se acrescentarmos a tudo isto o facto de termos controlado a dívida baixando-a para parâmetros que configuram absoluta normalidade, permitindo-nos ter capacidade de investimento no futuro e meios para resolver alguns dos principais problemas que afetam o nosso território e ainda o facto de estarmos a pagar aos nossos fornecedores em pouco mais de dois meses, facilmente se perceberá que o mandato tem aspetos muito positivos, já que a situação financeira do município tal como se apresentava, não permitia, face à Lei dos Compromissos, cumprir nem com as necessidades básicas.
Por outro lado o mandato, não acabou ainda e todas a preparação que temos vindo a fazer, irá agora ter as suas repercussões, com as ações que estão devidamente calendarizadas para entrarem em obra.
3 – Que obras ou projetos desenvolvidos ou em desenvolvimento para o Bombarral gostaria de destacar?
Presidente CMB – Estamos a preparar, no âmbito dos novos desafios do atual Quadro Comunitário Portugal 2020, um vasto conjunto de projetos que irão de encontro ao plano estratégico traçado.
O Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial da Comunidade Intermunicipal do Oeste, irá permitir-nos desenvolver vários projetos nas áreas da Educação, Cultura, Empreendedorismo, Agricultura, Eficiência Energética, Saúde e Apoio Social.
No âmbito dos Planos de Ação de Regeneração Urbana dos Centros Urbanos – PARU que trarão apoios e benefícios aos projetos a desenvolver pela Câmara Municipal, bem como pelos privados, estamos a concluir a candidatura cujo prazo está a decorrer, tendo em vista apresentar os seguintes projetos de reabilitação: Mercado Municipal, Instalações do IVV, Matadouro Municipal, Sede do Município, Palácio Gorjão, entre muitas outras oportunidades que estão a ser trabalhadas.
Submetemos também no que toca à pré-qualificação de operações de acolhimento empresarial a nossa candidatura para a instalação do Apoio à localização de empresas a implantar nas instalações do IVV que como é público foram adquiridas pela Câmara Municipal com o intuito de ali serem criadas valências multidisciplinares e transferências de serviços municipais a ocupar espaços que serão disponibilizados ao uso privado.
Estão em curso também operações que visam o reforço do sistema de abastecimento de água em baixa e de sistemas de saneamento de águas residuais bem como os sistemas de recolha de resíduos.
No âmbito do PAMUS – Plano de Ação de Mobilidade Urbana Sustentável, estão a ser preparados projetos para percursos pedonais e cicláveis, recuperação de passeios na vila, passagem PEDONAL na aérea dos caminhos de ferro, ciclovia intermunicipal ligação Cadaval Bombarral, renovação de Frota Municipal, com base nas Energias Alternativas, reabilitação de interface de Transporte de Passageiros no Centro Coordenador de Transportes, Implantação de sistemas de informação aos utilizadores em tempo real, parqueamento associado a estação ferroviária e aos interfaces de transportes públicos e parques de estacionamento para ligeiros e autocarros.
As parcerias intermunicipais passarão por vários projetos e estendem-se à área natural do Planalto das Cesaredas e zona histórica do Picoto.
3- Quais são os principais problemas de Bombarral que gostava de ver resolvidos?
Presidente CMB – O Bombarral carece de resolução para alguns dos seus problemas que serão resolvidos no imediato, uns, e outros no curto e médio prazo. Se estes últimos estão a ser devidamente enquadrados em estratégias que dependem de apoios que estão a ser preparados, os primeiros dependem de uma ação imediata devidamente calendarizada e a implementar com carater de urgência. Carece de resposta urgente, uma área que nos preocupa muito e que tem a ver com a requalificação da nossa rede viária. Face ao pouco investimento municipal na requalificação de estradas a que nos vimos obrigados, estamos a por em prática no terreno um plano de intervenções, bastante abrangentes, já iniciado.
Contudo, no topo dos problemas a resolver no concelho, estão as carências de ordem social e o desemprego que, graças ao nosso esforço e planeamento, com o apoio dos diversos parceiros que têm vindo até nós, está no bom caminho e perspetiva um futuro de recuperação e consolidação.
4– Como já foi publicado no JORNAL DAS CALDAS vai ser reativação o Tribunal Judicial do Bombarral. Está satisfeito que benefícios vão trazer para o Concelho?
Presidente CMB – Na verdade, tudo indica que a reativação do Tribunal Judicial do Bombarral, será em breve uma realidade, até porque estamos já a preparar o espaço para o receber de volta. Esta medida contribuirá para a reaproximação da justiça aos cidadãos e para a reposição de um símbolo de soberania nacional, pelo qual os bombarralenses travaram grandes lutas.
O Município congratulou-se com esta medida que reivindicou com veemência e manifestou a sua disponibilidade para colaborar com o governo na sua concretização, nomeadamente, com a cedência do imóvel e comparticipação nas despesas de funcionamento.
Esta é uma situação que reforçará a nossa mais recente conquista que foi trazer para o Bombarral a Sede dos julgados de Paz do Oeste, conseguindo o consenso e a cooperação dos nossos colegas dos demais 11 municípios.
Se juntarmos à implantação destes serviços públicos a criação da Loja do Cidadão que será implantada no mercado Municipal devidamente requalificado e adaptado para o efeito facilmente percebemos que o concelho do Bombarral está no bom caminho, e só terá a beneficiar da junção de todos os nosso esforços.
5 – A intensa produção de vinhos mantendo hoje o estatuto de qualidade ímpar em brancos e tintos das mais nobres castas, constitui uma das marcas do concelho. Que papel é que esta atividade desempenha no Bombarral?
Presidente CMB – Os nosso vinhos que são de facto extraordinários, constituem uma marca de relevo e um marco histórico na economia concelhia. Tempos houve em que o Bombarral viveu, ao longo de algumas décadas quase exclusivamente dependente em termos económicos e sociais da atividade vitivinícola. A intensidade desta atividade baixou consideravelmente, mas aumentou em grande escala o padrão de excelência e qualidade, dando-nos um enorme orgulho conseguirmos colocar os nossos vinhos entre os melhores do mundo e mantermos no ativo muitos profissionais do setor.
6 – A Pera Rocha do Oeste, tem também neste concelho o seu território natural por excelência. Como é que vai decorrer a produção este ano? A exportação de Pera Rocha aumentou?
Presidente CMB – A Pera Rocha do Oeste é hoje o ex-libris da nossa força produtiva e por isso considerada o “filão de ouro do oeste”, acrescentando eu o epíteto de “petróleo do Bombarral”, na justa medida em que constitui o maior fluxo económico concelhio e a maior fonte de empregabilidade. Entre colheitas mais generosas e outras menos abundantes, a verdade é que se tem constituído um equilíbrio na fileira, para que a sua sustentabilidade, não seja posta em causa. Preocupados com os fatores de produção e comercialização com base no consumo interno e na exportação, mas também atentos aos problemas fitossanitários que afetam os nossos pomares, temos vindo a ter um papel interventivo ao lado dos nossos produtores e temos por isso, algumas ações preparadas que visam a preparação e a ação no combate às fragilidades do setor. A exportação tem vindo a aumentar exponencialmente até porque tem aumentado também a área de cultivo, mas como se sabe, os fatores de exportação dependem diretamente da aceitação do mercado, bem como da capacidade de produção, sendo aqui que devemos incidir a atenção, para que não haja quebras, com os reflexos negativos que isso acarreta.
8– O 33º Festival do Vinho Português e a 23ª Feira do Vinho Português vai voltar de 2 a 7 de agosto de 2016. Quais são as principais novidades desta edição?
Presidente CMB – Estes dois eventos que nos últimos anos têm ocorrido em simultâneo, constituem a maior oportunidade de promovermos não só os dois produtos âncora, o vinho e a pera Rocha, como todos os seus derivados, assentes na forte aposta da sua transformação, a par de tantos outros, quer façam parte dos produtos turísticos, gastronómicos ou criativos.
As grandes novidades passam pela qualidade crescente das atividades culturais que este ano continuam a primar por uma diversidade e qualidade de topo. De salientar que cada vez mais estamos a ser procurados por entidades, empresas e associações que veem neste certame um leque de enormes oportunidades. Prova disso serão as novas apostas a apresentar na exposição, em termos de novos produtos, novos conceitos e novas oportunidades para a economia nacional.
Por último, mas não menos importante, vamos ter mais associações de defesa e regulamentação dos dois setores que enriquecerão o acontecimento com ações prático-teóricas que versarão os temas mais preocupantes, na atualidade, para os nossos produtores.
No seu todo, o certame deste ano apresentará motivos crescentes para que se verifique um aumento considerável, do já elevado número de visitantes que anualmente nos procuram.



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