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Casal Caldense dá a volta ao mundo

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Depois de 30 dias no Irão, foi difícil sair do país sem que este deixasse saudade: na verdade, habituámo-nos às pessoas e aos seus costumes, como sempre, mas era hora de seguir.
Casal Caldense

Depois de 30 dias no Irão, foi difícil sair do país sem que este deixasse saudade: na verdade, habituámo-nos às pessoas e aos seus costumes, como sempre, mas era hora de seguir.

Conseguimos um visto de cinco dias para o Turquemenistão, e por isso cruzámos a fronteira em Bajgiran. Um visto caríssimo e difícil de obter, mas tivemos a sorte do nosso lado. Com alguns percalços pelo caminho, muito cansaço e pouca informação concreta sobre o país, quando chegámos a Ashgabat – a capital, a surpresa foi imediata. Tudo minuciosamente desenhado, edifícios enormes e imponentes, estradas maravilhosamente arranjadas. Tudo limpo, detalhadamente arranjado. Canteiros, flores, árvores. Candeeiros indescritíveis, paralelamente organizados. Uma cidade branca. E assim, recém chegados, parecia que tínhamos dado a volta ao mundo e aterrado bem longe, num poço de riqueza.

Os prédios, forrados a mármore. As estátuas, em ouro. Pelas ruas, polícias em cada esquina, paragens de autocarro com ar condicionado e televisão. E pessoas por todo o lado a limpar: vimos de tudo um pouco, desde a retocar os bancos de jardim a pincel, a limpar as fontes ou quaisquer resíduos de partilha elástica dos passeios. E uma vez mais, tudo branquinho, com pormenores em ouro.

E também pelas ruas, mulheres nos seus trajes típicos: longos vestidos, de tecidos variados e lindíssimos. Floridos ou com diferentes padrões, praticamente até ao chão. E mais tarde pudemos saber, que se com lenço na cabeça, seriam casadas. Também segundo as tradições do país, por baixo do lenço da cabeça, põe uma estrutura de esponja para fazer altura e tornar o casamento vistoso. Gostam pois de dar nas vistas, e se possível, utilizar também grandes brincos e anéis de ouro. E dentes também de ouro: não só um, mas vários ou todos na boca, como pudemos ver um pouco por todo o lado, mas principalmente nos mercados.

Pelas ruas, não se vê comércio: há locais específicos para isso. E num deles, fomos obrigados a apagar as fotografias que havíamos tirado. Absorvidos pela ditadura, vivem o medo dos comentários e das fotografias. Porque não nos podemos nunca esquecer de que o Turquemenistão é o segundo país do mundo com uma ditadura mais repressiva, depois da Coreia do Norte. O antigo presidente deu-se até ao luxo de erguer a sua própria estátua em vida, e não só. Mudou também o nome das ruas e os meses do ano, para nomes dos seus familiares e de si próprio. Contudo, hoje em dia, os nomes dos meses estão restabelecidos.

Mas as tradições relativas à virilidade masculina mantêm-se: a homossexualidade é proibida e os casais, quando se casam, devem ir viver para casa dos pais do marido até que o irmão mais novo se case, e assim substitua os serviços da cunhada. Até lá, à mulher, cabe-lhe cuidar da casa, dos sogros, dos vários filhos que deve ter e ainda trabalhar onde o marido achar por bem. E com alguma estranheza, quando fomos hospedados pela primeira família, descobrimos também que nunca a mulher deve fazer as refeições junto do marido quando há convidados, comendo assim nunca divisão à parte. E vivem felizes assim, reconhecendo que o trabalho é muito e desgastante; mas que a vida é assim.

E no que respeita à vida e ao dia a dia, têm horários parecidos com os nossos e, tal como nós, cozinham com muito tomate e arroz. Uma bebida típica é o sumo obtido quando se cozem maçãs e a fruta de eleição o melão. Bebem chá verde várias vezes ao dia, mesmo quando estão quase quarenta graus. O pão é muito diferente e as compotas também. Mas o mais estranho mesmo foi ver leite de camelo à venda e dezenas de camelos no deserto árido, que atravessámos entre cidades. Fumar é proibido e por isso vimos fazerem-no as escondidas. E às 22h00 ouve-se e vê-se a polícia pelas ruas, sendo o recolher desejável (só para não dizer obrigatório). Quase de repente, e num piscar de olhos, deixámos todas estas novidades para trás, e recomeçámos do zero: bem-vindos ao Uzebequistão, lemos.

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