Artesãos de seis países vão mostrar a arte da cutelaria nas Caldas da Rainha, onde, de 1 a 3 de julho, decorre a primeira feira internacional no Centro Cultural e de Congressos.
A importância da cutelaria na freguesia de Santa Catarina e na Benedita vai ser destacada na primeira edição da feira, evento que tem já confirmada a participação de 40 expositores oriundos de Portugal, Espanha, França, Paquistão, Estados Unidos da América e Rússia.
Foi, no sábado, ao som dos martelos na bigorna dos cutileiros que estiveram ao vivo no átrio do Posto de Turismo das Caldas, que decorreu a apresentação pública do evento.
A iniciativa, apoiada pela Câmara das Caldas, tem por base “o peso económico” do setor que só naquelas duas freguesias concentra as maiores fábricas de cutelaria do país.
O presidente da Autarquia, Tinta Ferreira, salientou a importância que este evento tem para a estratégia que o município tem desenvolvido, ao valorizar um setor tão importante para a região. “Não tivemos dúvidas em apoiar esta feira, porque vimos logo que esta iria ser diferenciadora e que teria um enorme potencial”, afirmou, acrescentando que a dimensão do evento excedeu as suas expetativas iniciais.
“Santa Catarina e Benedita reúnem um dos maiores núcleos de fabrico de cutelaria do mundo”, afirmou Rui Rocha, presidente da junta de freguesia de Santa Catarina, defendendo que este polo reivindique o título de Capital Mundial da Cutelaria.
“Em Santa Catarina, o sector emprega cerca de 500 pessoas, e se juntarmos a Benedita são, no total, mil postos de trabalho diretos e o fabrico anual de muitos milhões de facas exportadas para mais de 70 países”, revelou o autarca.
A nível nacional, neste setor, é um número que não se compara com nenhuma outra região, e mesmo a nível mundial o presidente da junta de freguesia de Santa Catarina considera que não se atingem estes números em nenhum local.
A primeira realização desta mostra, única em Portugal, é da responsabilidade do Lombo do Ferreiro, uma oficinal de cutelaria artesanal de Relvas, na freguesia de Santa Catarina, que recorrendo a antigos métodos tradicionais de trabalhar o ferro tem promovido a produção de cutelaria de autor.
Além da produção de facas personalizadas para chefs, a oficina produziu facas de mesa para os restaurantes Momo e está atualmente a desenvolver peças em conjunto com o chef Nuno Mendes (do restaurante “Chiltern Fire House”, em Londres, Inglaterra).
Entre os expositores estarão cutileiros que trabalham artesanalmente e empresas de fornecedores de materiais, até porque um dos objetivos da feira é fazer a ligação entre uns e outros. “Na área da cutelaria é sempre complicado arranjar determinados materiais”, referiu Filipa Norte, da organização.
Entre as várias presenças, destaque ainda para a do Museu de Cutelaria de Albacete (Espanha), o qual também promove anualmente uma feira do género, e vai ter patente duas exposições. O Lombo do Ferreiro está igualmente a preparar uma exposição de peças antigas produzidas em Portugal.
Durante a feira vão decorrer vários “workshops”, intitulados “Faça a sua própria navalha”, em que até as crianças poderão participar com os seus pais. “As facas são um objeto de corte que usamos diariamente, mas não há que as esconder nem que ter medo, por isso queremos também educar os mais novos para a sua utilização”, referiu Filipa Norte.
No sábado, às 17h30, a PSP irá promover uma sessão de esclarecimento sobre a legislação de armas brancas, uma vez que algumas destas peças são consideradas como tal pela legislação.
Na feira vão estar também instituições como o Turismo do Centro e a marca “Portugal Sou Eu”. As fábricas da região (Benedita e Santa Catarina) participam num núcleo de exposições que foi criado para a mostra do que se faz ao nível industrial.
A feira será palco do lançamento do livro editado pelo Lombo do Ferreiro intitulado “O Canivete Português – Região Oeste – Apontamentos para sua história”, o qual irá estar à venda durante o certame.
O livro, divulgado à comunicação social durante a apresentação do evento, traça a história da navalha ao longo dos séculos, com especial incidência em dez dos mais famosos modelos, desde a navalha direita (o mais comum) à navalha Caneças, típica da zona Oeste do país.
Esta publicação tem vindo a ser preparada há algum tempo e surgiu da necessidade do Lombo do Ferreiro de ter informação para divulgar sobre os vários modelos de canivetes que são produzidos em Portugal.
Na opinião de Carlos Norte, artesão do Lombo do Ferreiro, em Portugal nunca foi muito valorizada a arte da cutelaria, ao contrário que acontece noutros países, onde existem muitos colecionadores de peças.
O livro, tal como a feira, pretende ser mais um passo para a valorização daquilo que é feito em Portugal. É isso que têm já feito quando se deslocam a feiras internacionais e apresentam modelos de canivetes que eram feitos pelos seus antepassados.
Curso profissional de cutelaria
Vítor Marques, presidente da Culturcaldas, que gere o CCC, falou da visita que fez a Albacete, tendo nessa altura conhecido a importância da cutelaria naquela região espanhola.
O responsável sublinhou que naquela localidade existe um centro de formação profissional dedicado ao setor e sugeriu que fossem criadas as condições para a existência de um curso profissional nas Caldas dedicado à cutelaria.
Na opinião de Tinta Ferreira, poderá existir essa possibilidade, nomeadamente através do Cenfim, que trabalha na área da metalo-mecânica.
As entradas são gratuitas para a Feira Internacional da Cutelaria Artesanal, que decorre no próximo fim-de-semana no CCC das Caldas da Rainha.




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