O vereador Rui Gonçalves, do CDS, propôs ao executivo camarário que seja pedida uma reunião à presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) e à presidente do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), em que o presidente da Câmara das Caldas da Rainha se faça acompanhar por um representante de cada força política representada na Assembleia Municipal, para obter esclarecimentos sobre o serviço de psiquiatria do hospital.
“Temos em Caldas da Rainha e no CHO um serviço de psiquiatria, mas na verdade não temos. Há um grupo de profissionais, psiquiatras, psicólogas e enfermeiros, que prestam serviço nesta área e fazem a cobertura geográfica na prestação de serviços de psiquiatria, a mais de mil utentes. Há elementos desta equipa, psiquiatras e psicólogas que dependem, do ponto de vista clínico, do serviço de psiquiatria do Hospital de Stª Maria, dirigido pelo conhecido prof. Daniel Sampaio, exatamente porque não existe esta especialidade formalizada na estrutura do CHO e devia haver”, argumentou Rui Gonçalves.
“Mas por outro lado, em termos funcionais no terreno, dependem da diretora do Agrupamento de Centros de Saúde Oeste Norte”, adiantou.
O autarca apontou que “já no que respeita a instalações, essas são do CHO, que, restaurou um edifício junto ao chafariz das 5 Bicas, que foi pensado, em termos funcionais, precisamente para albergar a especialidade de psiquiatria, mas curiosamente de onde há algum tempo as profissionais foram de lá literalmente despejadas, encontrando-se agora a trabalhar na chamada antiga lavandaria, em condições precárias de trabalho, de acessibilidade e de segurança no mínimo duvidosa”.
“Como se não bastasse este já confuso emaranhado, estas profissionais, do ponto de vista orgânico, dependem diretamente da ARS, entidade a que estão vinculadas em condições precárias, apenas por um contrato temporário, até ao final do ano. A questão que se põe é sempre como ficarão depois desse contrato”, manifestou.
De acordo com o vereador, o grupo de psicólogas que integra esta equipa do serviço de psiquiatria desloca-se para vários Centros de Saúde, onde faz o atendimento aos utentes que lhe está atribuído, mas fá-lo “em viatura própria e sem ser compensado pelas deslocações”. “Estas profissionais têm salários em atraso. Ou seja, funcionárias do Estado, com contrato assinado, com verbas previstas no orçamento de Estado e disponibilizadas, mas que não recebem quando deviam, porque esta situação dúbia de distintas dependências, conduz à fragilização das suas condições de trabalho”, denunciou.
“O prof. Daniel Sampaio tem sido o garante deste serviço e que vai ser “jubilado” em Setembro, pelo que se até lá este serviço não ficar garantido, o futuro é uma incógnita. Esta não é uma questão apenas dos profissionais, porque o que está em causa são as populações afetadas e servidas e são os indícios de que a médio prazo poderá estar a desenhar-se a perda de mais esta especialidade, se entretanto não forem tomadas medidas com vista à criação de um efetivo serviço de psiquiatria, integrado na estrutura do CHO e na sua exclusiva dependência”, sublinhou Rui Gonçalves.



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