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Refugiada da II Guerra Mundial voltou às Caldas para “agradecer a hospitalidade dos caldenses”

Mariana Martinho

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A sala de sessões da Câmara Municipal de Caldas da Rainha foi palco na passada sexta-feira de uma emotiva receção a Blanchette Fluer, antiga refugiada judaica da II Guerra Mundial, que regressou à cidade que a acolheu quanto tinha 13 anos.
1- Blanchette Fluer, antiga refugida judaica da II Guerra Mundial

A sala de sessões da Câmara Municipal de Caldas da Rainha foi palco na passada sexta-feira de uma emotiva receção a Blanchette Fluer, antiga refugiada judaica da II Guerra Mundial, que regressou à cidade que a acolheu quanto tinha 13 anos.

A antiga refugiada, hoje com 87 anos, fez questão de regressar à cidade que a acolheu durante três anos (entre 1942 e 1945), acompanhada da filha, para “agradecer a hospitalidade dos caldenses”. Antes de vir para as Caldas, Blanchette Fluer esteve três meses a viver em Elvas, com a família. Posteriormente, em 1945, voltou com a família para a Bélgica, onde mais tarde se casou.

Apesar da vontade de ficar a viver nas Caldas, a antiga refugiada explicou que “o meu pai queria ficar pois adorava o país mas o meu irmão tinha que voltar para a Bélgica, para apreender mais sobre o negócio da família”. No entanto, esse período de tempo que esteve a viver em Portugal “foram os melhores tempos da minha vida”.

“Estou muito contente e feliz por estar novamente em Caldas da Rainha”, salientou Blanchette Fluer, de origem belga, que fez parte do grupo de refugiados que conseguiu fugir graças aos vistos do então cônsul em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes.

Na cerimónia de recepção foi exibido um pequeno filme da época, bem como mostradas fotografias alusivas à altura. Também fez parte da cerimónia a historiadora Isabel Xavier, da Associação PH (Património Histórico) que falou com antiga refugiada sobre literatura e imagens da altura.

Blanchette recordou os tempos que viveu na cidade, bem como os sítios que visitava diariamente, como o Parque D.Carlos I, casino e a Foz de Arelho, pois locais que quis visitar “para recordar esses tempos”. “Costumava ir todos os dias ao parque e ao casino, onde dançava com os rapazes, especialmente o tango, e onde não tínhamos que pagar para entrar”.

“Estou viva por causa dos portugueses, tão boas pessoas como eu nunca conheci”, afirmou emocionada, salientando que “foi o povo mais simpático que encontrei e ainda salvou muitas pessoas de diversos países”. Confessou que “adorava ver alguns desses amigos”, com especial destaque para “duas amigas que chamava-lhes pequenitas e que eram mais velhas do que eu”.

Igualmente recordou as “idas de autocarro para a praia com os amigos”, bem como os “encontros com os rapazes, em que não eram permitidos exceto ao domingo” e ainda as “belas procissões em Elvas”.

Sempre que foi convidada para falar sobre a experiência de vida nos tempos da II Guerra Mundial fez questão de salientar “o quanto maravilhoso foi o povo português para os refugiados”.

No final da sessão foram oferecidas pela autarquia à convidada pequenas lembranças da cidade.

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