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A minha vida de universitário

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O JORNAL DAS CALDAS recolheu as histórias de treze jovens que acabaram ou estão a concluir os estudos universitários.
Carolina Neves no que descreve ser “um milagroso dia de sol em Londres”

Pedimos que transmitissem como foi ou tem sido a vida de estudante distante (uns mais do que outros) da área de residência, como foi a experiência, os desafios, as dificuldades iniciais e como se tornou mais fácil. Também quisemos perceber que respostas de alojamento tiveram e como geriram despesas com casa, transporte, alimentação e custos da universidade. Por último, deixaram conselhos para os futuros universitários.

Carolina Neves, 19 anos, Caldas da Rainha

“Estudar no estrangeiro era um grande sonho e fui para Inglaterra”

Vivo em Harlow, em Inglaterra, e estudo na Anglia Ruskin University a tirar o curso de jornalismo, o qual já terminei o primeiro de três anos de licenciatura.

Quando acabei o ensino secundário não sabia que universidade escolher. Eram tantas as opções. Igualmente sentia que existia muita pressão para ir para a universidade, algo que me deixava ainda mais ‘perdida’ e confusa, até que fui à Futurália [Feira de Educação e Formação na FIL, em Lisboa] e conheci a Ok Estudante, uma empresa que ajuda os estudantes portugueses a estudarem em Inglaterra, e foi um clique na minha cabeça – era exatamente aquilo que queria fazer. No entanto, ainda fiquei um ano em Portugal a ganhar experiência na área de jornalismo para ter a certeza que era o que queria seguir.

Estudar no estrangeiro sempre foi um grande sonho meu. Adoro Portugal, mas sempre tive aquele bichinho de querer conhecer mais e explorar novos lugares e culturas. Ao mesmo tempo, queria desafiar-me, crescer como pessoa e ser mais independente. Não vou mentir, estava nervosa e com medo deste novo passo…era deixar tudo o que conhecia, a minha zona de conforto, a minha família, os meus amigos, o ‘meu’ mar, e, claro, a comida da minha avó!

O entusiasmo e a força de vontade foram maiores e tive coragem para dar este passo. A experiência tem sido positiva. Ao ter universidade dois dias por semana tenho tempo para ter trabalho, estudar e para sair com os amigos, o que em Portugal seria quase impossível fazer.

Ao mesmo tempo, existem dificuldades…às vezes as saudades apertam, assim do nada, do cheiro do mar, de pegar no carro e em dez minutos estar na Foz do Arelho, da bela comida portuguesa, do café, da cerveja, da minha família e dos meus amigos.

Alojamento e despesas:

Vim para Inglaterra para ficar numa residência de estudantes, mas tornou-se dispendiosa muito rapidamente e tentei procurar outro lugar para ficar. Neste momento, estou a viver numa casa partilhada com dois senhores de idade, as pessoas mais simpáticas que conheci aqui, estou a adorar e como sou estudante a renda não é tão alta porque eles entendem que tenho outras despesas. Ao estar a viver perto da cidade, não costumo pagar transportes públicos e ando para todo o lado, assim poupo nesse aspeto. No que toca a alimentação, gasto só o que preciso (estando nessa lista um chocolate ou outro) e de vez em quando vou sair com os meus amigos e gasto um pouco mais.

Em termos de custos de universidade, ainda não tive de pagar nada pois as propinas são financiadas pelo governo britânico, só após ter terminado o curso é que começo a devolver o financiamento a partir do momento que ganhe um salário anual superior a 21 mil libras [mais de 26 mil euros]. Mesmo assim, é só 10% do salário mensal que se tem de pagar, penso eu.

Conselhos para futuros universitários:

Se não estás seguro do que queres, tira um tempo para ti, faz voluntariado, tenta perceber qual é a tua paixão e segue-a. Não caias na expetativa da sociedade de teres de saltar logo para a universidade, segue o que queres e se precisares de tempo para ti não tenhas medo em tirá-lo. Ao mesmo tempo, não tenhas medo de sair da tua área de conforto, há tanto pela frente, aventura-te e abre os teus horizontes.

Se quiseres vir para o Reino Unido traz um casaco quentinho. Boa sorte!

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