Pedimos que transmitissem como foi ou tem sido a vida de estudante distante (uns mais do que outros) da área de residência, como foi a experiência, os desafios, as dificuldades iniciais e como se tornou mais fácil. Também quisemos perceber que respostas de alojamento tiveram e como geriram despesas com casa, transporte, alimentação e custos da universidade. Por último, deixaram conselhos para os futuros universitários.
Valter Ferreira, 22 anos, Óbidos
“A mística da cidade dos estudantes despertou-me a vontade de ali fazer a vida académica”
Entrei na universidade em setembro de 2012. Sou licenciado em Ciências do Desporto pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra e aluno de pós-graduação em Gestão do Desporto.
Quando era mais novo, a minha ideia sempre foi estudar em Lisboa, pois era mais perto de casa e era a grande cidade do país, contudo, sempre tive Coimbra como opção. Com a aproximação do término do secundário, comecei a inclinar-me mais para Coimbra: era aquela mística da cidade dos estudantes que me despertava a vontade de querer fazer a minha vida académica nesta bela cidade.
Com a média com que terminei o secundário, podia escolher qualquer faculdade do país para o curso que sempre quis, Ciências do Desporto. Como para entrar no meu curso era necessário realizar pré-requisitos, vim fazê-los a Coimbra e tive a certeza que era só ali que queria fazer a minha formação. Apesar de praticamente todos os meus colegas terem escolhido Lisboa ou Leiria, a minha decisão estava mais do que tomada, lá fui eu sozinho à aventura sem conhecer ninguém para um sítio completamente novo, em que fiz novos amigos e logo no primeiro dia senti-me completamente em “casa”.
Alojamento e despesas:
Procurei casa e fui viver com dois rapazes que não conhecia de lado nenhum e que apesar de estarem a tirar um curso diferente do meu acabaram por se tornar dois bons amigos. Tive, também, muita sorte com os meus senhorios, que eram praticamente nossos “avós”, sempre prontos a ajudar, tinham uma loja por debaixo da nossa casa e todos os dias quando íamos para as aulas ou voltávamos delas por lá passávamos para dois dedos de conversa.
Estar fora de casa fez-me crescer. Tive de passar a gerir todos os meus afazeres, desde a comida ao dinheiro. Para poupar algum dinheiro comecei a ir para casa de boleia com colegas que fui conhecendo aqui e que também eram da minha zona de residência, dividindo as despesas. A partir do meu segundo ano comecei a trazer carro e também dei boleia.
Nos dias que correm não é fácil estar a estudar na universidade, pois o investimento ainda é grande, os gastos rondam em média os 600 euros por mês, desde as propinas, casa, alimentação e transportes, bem como outro material que é essencial para as aulas. No final do ano corresponde mais ou menos a seis mil euros.
Conselhos para futuros universitários:
Saibam viver a vida académica, é importante saberem aproveitar estes anos da melhor forma mas nunca esquecendo a principal razão porque vieram, estudar, para acabarem o curso no tempo certo. Mas enquanto isso devem aproveitar também para se divertirem, pois não terão a mesma experiência, conhecer novas pessoas, as noitadas nos copos com os colegas também fazem parte.
Fiz parte do Núcleo de Estudantes da minha faculdade e da direção geral da Associação Académica de Coimbra durante dois anos. Aproveitem este tempo para se envolverem em projetos como fazerem parte do associativismo, o que nos fará enriquecer como seres humanos. Aproveitem porque estes anos são muito curtos e apenas temos a oportunidade de vivê-los uma vez.




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