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A minha vida de universitário

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O JORNAL DAS CALDAS recolheu as histórias de treze jovens que acabaram ou estão a concluir os estudos universitários.
Rafael Borges estudou dois anos Direito e mudou para Ciência Política

Pedimos que transmitissem como foi ou tem sido a vida de estudante distante (uns mais do que outros) da área de residência, como foi a experiência, os desafios, as dificuldades iniciais e como se tornou mais fácil. Também quisemos perceber que respostas de alojamento tiveram e como geriram despesas com casa, transporte, alimentação e custos da universidade. Por último, deixaram conselhos para os futuros universitários.

Rafael Borges, 21 anos, Caldas da Rainha

“Fundamental é tomar a decisão certa no momento de escolha do curso”

Colocado na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, a minha primeira opção, segui para a capital com as expetativas e receios que atormentam a generalidade dos veteranos de liceu. Se me assustava a necessidade de abandonar as Caldas, ainda mais inquietava a perspetiva de ser forçado a viajar diariamente para Lisboa, opção extenuante, dispendiosa e devoradora de tempo, energia e ânimo.

Decidi-me a encontrar casa em Lisboa, contudo, depressa me convenci ter cometido um erro terrível: a área da cidade onde decidi estabelecer-me, a Calçada de Carriche, pareceu-me soturna e depressiva; subitamente separado de amigos e conhecidos, senti-me sozinho no mundo. Dispus-me a regressar.

A segunda tentativa, esta bem sucedida, ocorreria no meu segundo ano. Com o apoio de uma professora, que não esquecerei, encontrei um quarto na Residência Alfredo de Sousa – que possuía a vantagem de ficar imediatamente em frente da faculdade.

O ano que passei na residência seria, inesperadamente, o meu último em Direito. Se no primeiro ano sentira genuína satisfação com os estudos, cuja componente humanística se aproximava das minhas predileções, o segundo revelar-se-ia insuportavelmente doloroso. Na origem dessa reviravolta esteve, sobretudo, a exaustão física, mental e psicológica motivada pelo curso, mas igualmente a vontade crescente de afastar-me de um local em que tinha poucos conhecidos e ainda menos amigos.

Pedi transferência para Ciência Política e Relações Internacionais, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da mesma universidade, decisão de que não me arrependo.

Sem surpresa, a transferência e o regresso às Caldas, assim como três horas diárias no transporte para a capital, exigiram grande investimento, mas sinto-me satisfeito. Estudo agora algo que verdadeiramente me preenche. Concluirei no próximo ano.

Alojamento e despesas:

Ter recebido tardiamente a informação referente à colocação na Faculdade de Direito foi catastrófico para a busca de casa. Encontrar quarto na Residência foi menos trabalhoso, devidamente aconselhado pelos serviços administrativos e pela excelente professora que já referi.

A Residência não foi, contudo, gratuita, o que, aliado a outras despesas inevitáveis, comportou uma pressão orçamental considerável. Parte importante desse esforço foi limitar severamente a participação em atividades que não considerasse fundamentais, assim como restringir ao máximo os divertimentos. Ainda assim, o valor despendido em cada ano letivo ultrapassou sempre, e largamente, os cinco mil euros.

Conselhos para futuros universitários:

O que me ensinou a minha experiência pessoal foi, em primeiro lugar, a importância de preparar adequadamente um ciclo de aprendizagem que é exigente espiritual e financeiramente. Ainda fundamental é tomar a decisão certa no momento de escolha do curso.

Apreciar o que se faz é garantia primeira de felicidade; a felicidade é, por sua vez, a mais potente semente de dedicação, bom trabalho e resultados satisfatórios. Optar por uma área de estudo em conformidade com os mandatos do coração – independentemente de preocupações salariais ou de “empregabilidade” – é mister para a construção de um amanhã fecundo em vitórias e realização profissional.

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