Este ano, o CLN teve uma edição especial, uma vez que o festival “atingiu a maturidade”, e a organização considerou importante fazer uma “retrospetiva”, para recordar as edições anteriores e para fazer mais e melhor no futuro. Apesar dos diversos comentários negativos, em relação a algumas das atividades terem tido uma duração mais curta do que se esperava, o que levou as pessoas a encontrarem portas já fechadas, outros destacaram mais uma vez a quantidade de oferta das exposições e as festas que estiveram a abarrotar, como por exemplo o habitual arraial e a festa de encerramento na antiga Secla.
Criado há 20 anos por um grupo de estudantes das Caldas da Rainha que não tinham onde expor os seus trabalhos, o CLN, apesar da mutação que tem sofrido ao longo das suas edições, mantém o objetivo: mostrar os trabalhos nas suas próprias habitações. Este ano, o evento decorreu de quinta-feira a sábado, com diversas participações ligadas às áreas do design, da música, da multimédia, da performance e das artes plásticas.
Na quinta-feira, as várias instalações começaram a meio da tarde, tendo como ponto de paragem obrigatória o escorrega instalado na Calçada da Praça 5 de Outubro, que juntou dezenas de jovens. Já na sexta-feira os eventos foram-se depois sucedendo até ao espetáculo de fogo, na praça dos bares e finalmente ao arraial na antiga Secla. No sábado, houve muitos que se ressentiram de uma noite longa, mas a meio da tarde já se viam muitos interessados em visitar instalações, que decorreram no Parque D. Carlos I, bem como no anfiteatro do Hospital Termal, a praça 5 de Outubro, a Praça da República, entre outros.
Nos Silos Contentor Criativo, a arte esteve espalhada desde o rés-do-chão ao quinto andar. No rés-do-chão eram visíveis ilustrações da plataforma “Letters Are What Matters”, de dois alunos do segundo ano do curso do Design Gráfico da ESAD.CR, bem como exposições de design (“Lá na zona” e “Cartilagem”) e performances (“Up5ync” e “4 andamentos”). No quarto andar esteve patente a performance “Nest Ruine” e no quinto a performance “Porno Chique” e a exposição de artes plásticas “Jogo Negro”. E entre outras ações, houve concertos no parque de estacionamento dos Silos.
Opiniões dividem-se
O CLN mexe com a cidade nestes dias, em que milhares de pessoas, muitos vindos de outras localidades do país, percorrem as ruas das Caldas.
“O CLN deu outra vida à cidade e o ambiente que se vive nestes dias é inspirador e de criatividade”, salientou Joana Resende, destacando que a parte mais interessante é “podermos conhecer os trabalhos dos jovens criativos de uma forma informal e original”.
Também sublinhou que “um dos pontos altos do Caldas é a visita às casas dos próprios artistas, onde somos sempre bem recebidos”. Já Derek Graçoeiro afirmou que o “CLN proporciona uma vida diferente à cidade e é impressionante ver o que é possível fazer com poucos recursos económicos”. No entanto, sugeriu que “seria interessante ver a edição do próximo ano ser mais apoiada pela autarquia local bem como dos empresários do concelho”.
João Rodrigues, aluno do 2º ano do curso Design Gráfico da ESAD.CR, que participa pelo segundo ano no CLN, sublinhou que fazem “falta mais exposições, pois o pessoal aproveita o evento para fazer festa e em vez de aproveitar a razão original”. Também Fábio Capinha frisou a sua frustração em relação alguns aspetos, caracterizando o evento como “uma amostra do declínio”.
“Um evento libertário de expressão artística agora transformado em festival de primavera”, afirmou o visitante, adiantando que “por um lado existe o esforço da comunidade estudantil e não-estudantil em manter as performances, exposições e concertos de modo livre, sem compromissos e despreocupado, por outro existe a chico-espertice de quem vê o Caldas como o sítio ótimo para fazer lucro”. Destacou ainda que “se o ano passado o CLN morreu este ano dá sinais de continuar morto”.
Para Eduardo Jorge, aluno da ESAD.CR, a “iniciativa é boa, no sentido de proporcionar às pessoas a oportunidade de poderem conhecer a zona/ espaço onde os artistas criam as suas obras”. Como tal, espera que na próxima edição haja mais exposições e mais artistas.












0 Comentários