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Dia Mundial da Poesia celebrado na Biblioteca Municipal com Sinde Filipe

Mariana Martinho

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Entre aplausos e gargalhadas se fez a sessão dedicada aos mais belos poemas de amor da língua portuguesa, declamados pelo ator Sinde Filipe, na passada quarta-feira. Cerca de 50 poemas de diversos autores portugueses e brasileiros, foram interpretados pelo artista no auditório da Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha.
Sinde Filipe

Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Poesia, a Biblioteca organizou uma sessão literária, onde cerca de trinta pessoas riram e aplaudiram cada momento. O ator Sinde Filipe foi convidado para interpretar e declamar os mais belos poemas da língua portuguesa, acompanhados de música de fundo.

“No tempo que somos massacrados, diariamente com notícias de guerras, terrorismo e violência, ou seja, barbaridades em nome de ideologias religiosas, onde o ser humano devia de se aperfeiçoar e limar algumas arestas, venho eu falar de amor em diversos graus e versos “, disse o ator, acrescentando que existem “ingénuos como eu que ainda alimentam a esperança, que a terra humana pouco a pouco vai encolher as garras”.

Para Sinde Filipe, “amores há muitos” como a Deus, à pátria, ao ideal, ao dinheiro, e até o amor ao ódio. “Na leitura que vos faço, trata-se de um amor que os seres humanos sentem uns pelos outros”, sublinhou, exemplificando através da leitura poética.

“O amor não se define, sente-se”, reforçou Sinde Filipe, adiantando que tem muitos poetas tem tentado defini-lo.

Entre outros declamou poemas de António Patrício, Antero Quental, Camilo Pessanha, Eugênio de Castro, Florbela Espanca, Carlos Queiroz, Olavo Bilac e Cesário Verde. Além disso, “não seria possível falar de amor, sem tocar nas famosas cantigas de escárnio, mal dizer e cantilena dos 13 anos escrita por Feliciano de Castilho”, dedicando este último às senhoras presentes.

Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa, foi mais um exemplo usado para exprimir o amor.

“Cada poeta tem a sua forma própria e específica de exprimir o amor, que é um sentimento filtrado pela personalidade”, explicou Sinde Filipe. Além dos poetas portugueses, declamou um poema do brasileiro Raimundo Correia.

Na selecção de poemas, “escolhi os que me pareceram mais representativos e que mais gostei. No entanto, está muito incompleta”, disse o ator, adiantando que deixou de “fora centenas de outros”. “O critério foi escolher poesias onde o amor é uma constante, englobando o amor de mãe onde ele se reveste de maior beleza”, adiantou, salientando “como dizia Vasco de Santana, chapéus há muitos e como tal amores também”.

Para o convidado, existem “tantos poemas de amor que é muito difícil uma escolha”. Poemas esses que falam do amor juvenil, o não correspondido e o amor eterno.

Outros versos por ele declamados foram os poemas dos portugueses José Saramago, Sofia Mello Breyner, Miguel Torga e António Gomes Leal, sempre acompanhados pela música, que evoca a “importância de cada verso dos poemas”.

“Há poemas aqui que deveriam ser ditos com outro ambiente, com outro envolvimento, com outra sonoplastia, com outra intimidade”, explicou.

Para terminar, Sinde Filipe declamou o poema “Um adeus português”, de Alexandre O’Neill, de forma a despedir-se do público e solicitando “façam o favor de serem felizes e amarem muito”.

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