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Reuniões dos Alcoólicos Anónimos ajudam os doentes a manterem-se sóbrios

Marlene Sousa

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Alcoólicos Anónimos (AA), uma comunidade de homens e mulheres que partilham entre si a sua experiência, força e esperança para resolverem o problema comum e ajudarem outros a recuperarem do alcoolismo, reúne-se todas as quartas-feiras pelas 19h30, nas instalações da União de Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório.
Reunião de informação pública na cidade das Caldas sobre os Alcoólicos Anónimos

Avessos a publicidade, anónimos por natureza, membros de AA aceitaram o convite do Gabinete de Psicologia da Uniãode Freguesias, que promoveu no passado dia 10 uma reunião de informação pública com o objetivo de relembrar que existe este grupo de ajuda na cidade.

As reuniões de AA nas Caldas da Rainha já decorrem há cerca de 10 anos e juntam entre dois a cinco membros.

“O problema do alcoolismo não é hoje menor e a região Oeste não é uma exceção, então decidimos organizar esta reunião para que as pessoas saibam que existem cá as reuniões de AA”, disse a psicóloga SílviaFreitas.

Este encontro contou com a presença de membros de AA em recuperação que partilharam com o público o seu problema com o álcool. Todos têm uma história diferente que “quase destruiu” as suas vidas mas em comum existiu o desejo de parar de beber, “o único requisito para ser membro de AA”. Voltaram a encontrar a felicidade e mantêm-se sóbrios.

Ivo, membro dos AA, aponta que “o anonimato é o fundamento espiritual” dos AA e se a associação quer ser conhecida, para assim mais alcoólicos chegarem a ela, garante aos que pedem ajuda que “serão sempre anónimos”.

“Não vamos buscar ninguém, passa sempre por eles”, diz Ivo, explicando que a terapia dos AA consiste em mostrar que com eles resultou a partilha de experiências, de sentimentos e de sensações.

Neste encontro também foram abordados os doze passos de AA,que sugerem ideias e ações que podem “expulsar a compulsão pelo beber destrutivo e possibilitar que o indivíduo tenha uma vida feliz e útil”.

“São cerca de 500 mil alcoólicos em Portugal e um milhão com problemas de álcool, e isto é um problema grave de saúde pública”, declarou Paula Lucena, assistente social e terapeuta familiar da unidade de internamento do Centro de Alcoologia de Lisboa, que foi a oradora convidada desta reunião.

Segundo esta responsável, são crescentes os números sobre doenças graves provocadas pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas, bem como a incidência de mortes decorrentes destas doenças. “Mais de 60% das pessoas que estão internadas nos nossos hospitais têm por base problemas ligados ao álcool”, revelou Paula Lucena, acrescentando que tem que haver uma boa articulação entre os profissionais de saúde e também com quem está disponível emocionalmente para ajudar”.

Como terapeuta, AA trouxe-lhe a possibilidade de poder orientar as pessoas, “não só com tudo aquilo que como técnica consigo fazer mas ter esta ferramenta, esta capacidade de encaminhar as pessoas e de poder promover junto de quem precisa mais recursos que estão na comunidade”. Aquilo que o programa lhe trouxe como profissional foi uma visão de recuperação diferente, não só ligada à abstinência mas também à “sobriedade”. “Esta diferença é notória quando eu me confronto com doentes que fazem uma paragem de consumos ou que estão a fazer o seu programa de recuperação num programa de mudança de vida, em que uma das componentes muito importantes tem a ver com a questão da espiritualidade”.

“É muito importante o doente ser capaz de falar daquilo que está a sentir, daquilo que aconteceu sem ser julgado e incriminado”, adiantou.

O alcoolismo no seio familiar pode destruir uma família inteira. Palmira Almeida falou de como foi viver com o seu marido que era alcoólico e como ser membro da Al-Anon a ajudou a recuperar e a ter força.

Os Grupos FamiliaresAl-Anon reúnem-se e, através da partilha de experiências com outras pessoas que têm em comum o mesmo problema, “permite colocar as emoções, sentimentos e preocupações com o doente alcoólico no seu verdadeiro lugar”.

É uma associação constituída por grupos de autoajuda que teve início em Nova Iorque em 1951 e está espalhada em mais de 100 países.

A Portugal chegou em meados dos anos 80. Em 2001 constituiu-se legalmente como associaçãosem fins lucrativose tem a sua sede na cidade de Almada.

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