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Centenário da Declaração de Guerra da Alemanha a Portugal

Luís Manuel Tudella

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Está a decorrer em toda a Europa e nalguns países do mundo a evocação do centenário da Grande Guerra, com a abordagem ao tema por meio de exposições, colóquios, conferências, visitas aos locais mais emblemáticos do conflito, reprodução de livros da época, novos livros sobre o referido tema, entre outros. Em Portugal também se estão a proceder a inúmeras atividades relacionadas com esta temática, onde estão envolvidas diversas entidades nacionais.
Fez um século que a Alemanha nos declarou guerra

No passado dia 9 fez um século que a Alemanha nos declarou guerra, alegando as atitudes inadmissíveis por nossa parte na requisição de navios que se encontravam surtos nos portos nacionais.

Portugal foi durante vários séculos um velho aliado da Inglaterra, apesar das vicissitudes porque passou a aliança, nem sempre favoráveis aos interesses nacionais.

Sendo Portugal possuidor de um grande domínio colonial, em África, entre os quais os Arquipélagos de São Tomé e Príncipe e de Cabo Verde, os territórios da Guiné e de Angola, na costa ocidental africana, na costa oriental o território de Moçambique, na Ásia, e mais propriamente na Índia possuía as cidades de Goa, Damão e Diu, na China a cidade de Macau e na Oceania o Arquipélago de Timor Leste.

Alguns destes territórios faziam fronteira com possessões alemãs. (o norte de Moçambique e o sul de Angola), pelo que Portugal, após dois anos de polémicas, entendeu entrar no conflito, devido à necessidade de defender as suas colónias, que à data eram cobiçadas por diversas potências, especialmente pela Alemanha. Com o objetivo de defender o seu prestígio a nível mundial aquando de futuras conversações no campo Internacional. Portugal entendeu não manter-se neutro.

Em 7 de agosto de 1914,o país declarou-se completamente ao lado da Inglaterra.

Para que pudéssemos entrar na guerra, era necessário possuir um exército devidamente treinado, disciplinado e com armamento moderno, o que na altura, não correspondia à realidade. Desde a guerra peninsular (1807 a 1810), que ocorrera há mais de cem anos, Portugal não tivera nenhuma atividade militar a nível internacional, o que não lhe dava os conhecimentos necessários para entrar neste conflito em condições mínimas aceitáveis.

Perante a insistência de Portugal em entrar no conflito e após árduas e duras negociações encetadas pelo Governo Português de então, chefiado pelo Dr. Afonso Costa, a Inglaterra, não tendo barcos disponíveis para o transporte de homens e material, sugeriu a Portugal que se apoderasse de todos os barcos da marinha mercante e de guerra alemã, que se encontrassem surtos em portos nacionais e nas colónias ultramarinas, o que veio a suceder. Iniciaram-se deste modo as hostilidades entre Portugal e Alemanha, vindo esta a declarar-nos guerra, em 9 de março de1916. Desta declaração de guerra, resultava que os alemães residentes em Portugal tornavam-se inimigos, sendo assim classificados num decreto datado de 20 de abril de 1916. O decreto confiscava-lhes os bens e davam-lhes cinco dias para abandonar Portugal. Excetuavam-se os homens com idades compreendidas entre os 16 e 45 anos, que não só não podiam abandonar Portugal como foram colocados em campos de prisioneiros, conjuntamente com os seus familiares nos Açores, em Angola e na fortaleza de Peniche, os quais aí viveram durante quase dois anos e meio.

A 23 de fevereiro de 1916, Portugal tomou posse de 38 navios que se encontravam ancorados no porto de Lisboa, 3 na Horta, 3 em Ponta Delgada, 1 no Porto, 1 em Setúbal, 4 no Funchal, 8 em São Vicente – Cabo Verde, 3 em Luanda, 3 em Lourenço Marques, 1 na Beira, 2 em Moçambique e 5 em Mormugão, Índia na totalidade de 72 navios alemães, alegando que a requisição se tornava necessária devido à falta de navios para transporte marítimo, de pessoas e bens para as nossas colónias. Decreto lei assinado pelo Presidente da República Bernardino Machado e pelo Chefe do Governo Afonso Costa.

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