De Lisboa, seguimos para Elvas. Foi o verdadeiro início, porque a partir daí sabíamos que as zonas de conforto se tinham acabado. A família, os amigos-de-casa… começavam todos a ficar cada vez mais longe da vista, a pouco e pouco. Até Elvas, foram pouco mais de 200 quilómetros e apanhámos para lá chegar seis boleias, todas elas muito distintas, mas com um elo comum: o bem–querer de quem nos conduzia. É difícil escolher qual nos marcou mais, porque em cada boleia encontrámos uma história, em cada boleia encontrámos alguém generoso, a quem pudemos ver transbordar no olhar alegria e satisfação. Ainda em Portugal, a melhor parte prende-se com o facto de não haver barreiras linguísticas: fazemo-nos entender e somos entendidos sem esforço, o que além-fronteiras se complica, e complicará cada vez mais, à medida que os quilómetros forem aumentando.
Ainda em Lisboa, e na tentativa de sair da segunda circular, já nós estávamos pouco crentes com o lugar escolhido para estarmos de dedo esticado, quando ouvimos pelas nossas costas “para onde vão?”. Era um jovem militar e a curiosidade imperava-lhe o discurso. Queria saber mais sobre este estilo devida, esta forma de viajar. Queria descobrir um mundo desconhecido, inundou-nos de perguntas repletas desimpatiaededicação, com (muita) preocupação à mistura. Deixou-nos, com um pequeno desvio à sua rota, em Vila Franca de Xira. Já estávamos mais perto de Elvas.
Mais a sul, entre outras boleias, parouum camião. Grande e imponente, na berma da estrada, no escuro já da noite. O camionista desceu, o seu olhar traziaternura. Afeto! Cumprimentou-nos de forma calorosa e apressou-se a convidar-nos a subir e a sair do frio. Levou-nos até Borba. Foi uma viagem mais morosa, mas foi música para os nossoscoraçõesouvir cada história e partilhar cada quilómetro. É que para nós, é gratificante apanhar boleia de alguém bom, com boas energias. Mas ali, dentro daquele camião, percebemos que também aquele homem estavagratopor nos ter encontrado.
Entretanto, e depois de em Elvas termos ficado hospedados com a excecional família de um amigo, seguimos para Espanha, que é onde ainda nos encontramos.
Passámos já por diversas cidades, algumas casas e muitos carros, e ainda há uns dias, depois de uma boleia por 100 quilómetros, o condutor nos dizia – uma casualidade pode tornar-se numa causalidade. Num primeiro contacto, recusou dar-nos boleia. Acabou por voltar atrás e convidou-nos a entrar. Chegada a hora de lhe agradecermos a ajuda que nos tinha dado, colocou no GPS a morada que procurávamos, deixou-nos literalmente à porta de casa e ainda nos agradeceu por termos partilhado consigo esta viagem e esta aventura. Só podemos estar muito gratos por tudo.
Aproveitámos já para palmilhar e conhecer Talavera de la Reina e Madrid, e até à data não há melhor testemunho que este. Temos recheado os nossos corações de bondade humana, temos sido tratados e acolhidos com muito amor e com o que de melhor há no mundo: amizade. As famílias e os amigos que temos encontrado e visitado têm-nos demonstrado que não há realmente nada mais gratificante que procurar conhecer uma cidade e uma cultura, e ter o privilégio de estar inserida na mesma, vivendo com locais e, mais ainda, sendo (no melhor sentido da palavra) muito mimados.
O rumo por agora só o destino dirá, mas contamos que seja com direção a França. Assim se vê que o caminho se faz caminhando, e por isso convidamos todos aqueles que nos queiram acompanhar de perto, e que queiram também viajar connosco, a seguirem o nosso blogue ou a página do facebook – omundonamao.wordpress.com
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