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João Diniz explica “Produtividade” em Portugal

Mariana Martinho

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“Produtividade” foi o tema da palestra de mais uma sessão 21 às 21, organizada pelo Movimento Viver o Concelho (MVC), no passado domingo. O convidado, João Diniz, consultor freelancer e formador, decidiu focar a sua apresentação em três tópicos, começando por fazer um breve enquadramento histórico, evidenciando o problema e soluções da produtividade.
João Diniz foi o convidado de mais uma sessão 21 às 21

“Portugal teve momentos gloriosos que nunca foram aproveitados”. Esta foi uma das principais ideias defendidas por João Diniz, colocada diversas vezes em cima da mesa. O consultor salientou que o “enorme potencial do país é por vezes desperdiçado e mal utilizado”.

“Nós confundimos produtividade com o trabalhar muito”, sublinhou João Diniz, sustentando que o conceito de produtividade “não se mede pelo volume de trabalho realizado mas sim pela qualidade”. “Esse muitas vezes é o nosso grande problema”, salientou o consultor. Para ilustrar a sua opinião, João Diniz afirmou que a ideia é trabalhar bem e de forma eficiente, gerando por fim riqueza.

“Só criando riqueza é que sou produtivo”, frisou João Diniz, descrevendo através de uma fórmula matemática que “o consumo gasto para produzir o produto, tem de ser menor do que o resultado obtido”. Caso se verifique que o custo da produção é maior que o resultado final, “é preferível estar quieto”. Indicou que as encomendas são produzidas de forma “pouco eficiente e com um custo superior ao resultado adquirido na sua venda”, assim “o resultado tem de ser sempre maior que o consumo”.

“Sou produtivo se tiver capacidade de gerar valor”, adiantou João Diniz, pois este valor é a chave do processo da produtividade, em que a saída vale mais do que as entradas. No entanto, quando a quantidade de trabalho não é proporcional ao valor criado, “não existe relação direta entre o trabalho e o valor”. “Em Portugal existe essa desproporcionalidade entre o valor e o trabalho”, apontou.

O valor criado depende do reconhecimento do mercado (em que a sociedade determina o valor dos bens e serviços) e da eficiência da cadeia produtiva (a quantidade de desperdício entre o valor inicial mais mão de obra).

Durante a sessão João Diniz não poupou críticas à atitude dos portugueses no mercado de trabalho. ”Os valores de produtividade dos operários entre Portugal e Alemanha são assustadores”, frisou, esclarecendo que os operários alemães são “mais eficientes e produzem produtos de maior valor, devido à brutal exigência com a educação, intolerância à incompetência e a existência de planeamento e avaliação”. Este último ponto é uma “questão essencial que explica a nossa fraca eficiência na sociedade”.

O convidado exemplificou as críticas com o relatório da OCDE divulgado através de uma notícia em que 13% das crianças que chegam ao 9º ano não sabem ler nem escrever, significando que “estamos a criar um grave problema de adequação da mão de obra” e a escola está a lançar no mercado de trabalho ”pessoas muito impreparadas”. Outro exemplo foi uma fotografia da calçada das Caldas colocada de forma incorreta.

“Nós somos muito intolerantes à incompetência”, sublinhou o consultor, acrescentando que “detestamos avaliação e planeamento”. Na perspetiva de João Diniz, “no meio dos bons trabalhadores existem maus, que influenciam o resultado, apresentando uma média baixa de produtividade”.

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