“Portugal teve momentos gloriosos que nunca foram aproveitados”. Esta foi uma das principais ideias defendidas por João Diniz, colocada diversas vezes em cima da mesa. O consultor salientou que o “enorme potencial do país é por vezes desperdiçado e mal utilizado”.
“Nós confundimos produtividade com o trabalhar muito”, sublinhou João Diniz, sustentando que o conceito de produtividade “não se mede pelo volume de trabalho realizado mas sim pela qualidade”. “Esse muitas vezes é o nosso grande problema”, salientou o consultor. Para ilustrar a sua opinião, João Diniz afirmou que a ideia é trabalhar bem e de forma eficiente, gerando por fim riqueza.
“Só criando riqueza é que sou produtivo”, frisou João Diniz, descrevendo através de uma fórmula matemática que “o consumo gasto para produzir o produto, tem de ser menor do que o resultado obtido”. Caso se verifique que o custo da produção é maior que o resultado final, “é preferível estar quieto”. Indicou que as encomendas são produzidas de forma “pouco eficiente e com um custo superior ao resultado adquirido na sua venda”, assim “o resultado tem de ser sempre maior que o consumo”.
“Sou produtivo se tiver capacidade de gerar valor”, adiantou João Diniz, pois este valor é a chave do processo da produtividade, em que a saída vale mais do que as entradas. No entanto, quando a quantidade de trabalho não é proporcional ao valor criado, “não existe relação direta entre o trabalho e o valor”. “Em Portugal existe essa desproporcionalidade entre o valor e o trabalho”, apontou.
O valor criado depende do reconhecimento do mercado (em que a sociedade determina o valor dos bens e serviços) e da eficiência da cadeia produtiva (a quantidade de desperdício entre o valor inicial mais mão de obra).
Durante a sessão João Diniz não poupou críticas à atitude dos portugueses no mercado de trabalho. ”Os valores de produtividade dos operários entre Portugal e Alemanha são assustadores”, frisou, esclarecendo que os operários alemães são “mais eficientes e produzem produtos de maior valor, devido à brutal exigência com a educação, intolerância à incompetência e a existência de planeamento e avaliação”. Este último ponto é uma “questão essencial que explica a nossa fraca eficiência na sociedade”.
O convidado exemplificou as críticas com o relatório da OCDE divulgado através de uma notícia em que 13% das crianças que chegam ao 9º ano não sabem ler nem escrever, significando que “estamos a criar um grave problema de adequação da mão de obra” e a escola está a lançar no mercado de trabalho ”pessoas muito impreparadas”. Outro exemplo foi uma fotografia da calçada das Caldas colocada de forma incorreta.
“Nós somos muito intolerantes à incompetência”, sublinhou o consultor, acrescentando que “detestamos avaliação e planeamento”. Na perspetiva de João Diniz, “no meio dos bons trabalhadores existem maus, que influenciam o resultado, apresentando uma média baixa de produtividade”.




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