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Mais de uma centena de pessoas participou no Enterro do Entrudo nas Caldas

Mariana Martinho

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Um grupo de viúvas reuniu-se na passada quarta-feira, perante lágrimas e gritos de dor, para fazer o enterro do entrudo e assim fechar o período das folias do Carnaval. Muito humor e crítica mordaz fizeram as delícias de centenas de curiosos, que foram despedir-se do Carnaval deste ano, já com 2017 em perspetiva.
Na Praça da Fruta houve concentração da comitiva

Pelo sétimo ano consecutivo a Associação Cultural, Desportiva e Recreativa de Santo Onofre (Monte Olivett) voltou a realizar a tradição do enterro, na carreta funerária da agência Ka-tespero, onde transportou o defunto entrudo pelas ruas da cidade (rua Maestro Carlos Silva, Largo da Rainha, Praça da Fruta, Rua das Montras, Rua Miguel Bombarda, Rua Raul Proença, Rua Dr. Carlos Manuel Saudade e Silva, Praceta António Montez, Largo Vacuum Fonte Luminosa, Rua Manuel Mafra, Rua Vicente Paramos). Ornamentada com flores, a carreta transportava o caixão com o boneco lá dentro deitado, onde não faltou “o falo das Caldas”, acompanhado pelos coveiros, e por um figurante vestido de padre, que ia benzendo tudo e todos. Sem esquecer as viúvas (tinha várias) que iam lamuriando-se e gritando a morte do marido, e ainda as carpideiras, que faziam uma gritaria infernal, em louvor ao morto.

O cortejo, que durou mais de uma hora, tem tido cada vez mais aderentes, de ano para ano. No final os foliões dirigiram-se para a praça da ex-UAL para as cenas de choro pelo ente querido – “o entrudo”, durante a leitura do testamento. “Conhecido por Sabino Onofre, ao bairro veio parar, pensava haver um cofre e que poderia sempre usar; Coitado do Sabino Onofre, nada lhe dava certo, muito desanima quem sofre e só lhe faltava tocar no coreto; Este Enterro estrondoso, é feito nesta charrete, onde o fininho vaidoso viaja desde o Monte Olivett; Este Enterro tão animado, aqui termina senhores nobres, assim passámos um bom bocado, a acompanhar o Sabino Onofre”, cantou-se nas quadras alusivas ao enterro, enquanto o boneco era queimado.

No final do cortejo, chorando e gritando pelo ”entrudo”, uma viúva do “Sabino”, encarnada por Jorge Piteira, contou ao JORNAL DAS CALDAS que participa no cortejo há três anos e que sempre fez esse papel. ”Já enterrei três, sendo que o primeiro chamava-se Joaquim”, disse, adiantando que esta tradição “é muito importante para a nossa coletividade, pois de ano para ano temos tido bastantes pessoas a acompanhar a comitiva”. Já outra das viúvas presentes, Isabel Maria, participa nesta tradição há sete anos. “O meu marido tinha muitas viúvas e neste dia que aparecem todas aqui a chorar”, frisou.

“Este costume angaria muitas pessoas ao longo do percurso. Começámos o cortejo com 20 pessoas e chegámos à Praça da Universidade (próximo da sede da associação), com mais de 100 pessoas”, adiantou.

No Largo da Rainha, aguardando ansiosamente pela chegada da comitiva, estava Fátima Henriques, que apareceu com mais duas amigas. No ano passado já tinha estado presente e como achou uma “tradição muito boa e engraçada, decidi vir este ano novamente”. Já Eugénia Biscoito, que veio pela primeira vez, nunca tinha visto nem sabia o que esperar do enterro do Entrudo. ”Nunca tive oportunidade de ver, pois normalmente estou sempre a trabalhar. No entanto, este ano despertou-me curiosidade de vir”, relatou.

João Pina, dirigente da coletividade do Monte Olivett, revelou estar muito contente com a grande adesão a esta iniciativa. “Este é o sétimo ano que organizamos o enterro do entrudo, que está melhor de ano para ano, com mais pessoas e figurantes”, salientou.

O objetivo da associação foi de reativar uma antiga tradição, que já existiu e deixou de ser celebrada nas Caldas da Rainha. “Este é um costume que acabou há 40 anos e que decidimos reativar com uma festa ao pé da Biblioteca Municipal”, explicou o responsável, adiantando que a coletividade também celebra outras tradições como as marchas populares.

O desfile teve acompanhamento da PSP, que controlou o trânsito.

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