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Inauguração do novo Espaço Turismo das Caldas no topo da Praça da Fruta

Marlene Sousa

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O novo Espaço Turismo das Caldas da Rainha, no topo da Praça da Fruta, um dos ex-libris turísticos do concelho, foi inaugurado no passado sábado, e já está aberto ao público. A infraestrutura vai apoiar e fomentar o turismo.
A secretária de Estado do Turismo destacou as ferramentas tecnológicas do novo posto de turismo

Situado no edifício da antiga esquadra da PSP das Caldas da Rainha, o projeto, que custou cerca de 500 mil euros, comparticipado por fundos comunitários em 165 mil euros, integra uma loja de produtos regionais onde foram apresentados imãs em cerâmica das peças de Rafael Bordalo Pinheiro, um produto de merchandising da Câmara.

Obra que faz parte da regeneração urbana, está equipada com ferramentas tecnológicas, como uma montra virtual e um quiosque de testemunhos de visitas (onde os visitantes podem tirar fotos e deixar mensagens ‘online’), mesas e paredes interativas onde se pode aceder ao guia turístico da cidade e visualizar o património. O novo espaço é composto ainda por sala para ateliers e formação, backoffice do turismo, sala de exposições e multiusos.

O restaurante “Fruta da Casa” também está inserido no novo posto de turismo, que já foi concessionado, mas só abrirá em março.

O espaço tem igualmente casas de banho para o público e de apoio ao mercado da Praça da Fruta, estando abertas entre as sete da manhã e as sete da tarde, respondendo a um pedido antigo dos vendedores do mercado.

Secretária de Estado do Turismo presidiu à cerimónia de inauguração

A cerimónia inaugural foi presidida pela secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, que congratulou o executivo da autarquia pelo novo espaço de turismo, sublinhando que “é preciso criar mecanismos para que o investimento no património seja mais fácil, para que o património dê receitas, gere riqueza e para que se possa inovar”.

A secretária de Estado do Turismo disse que o “grande desafio” do Governo será garantir que quem visita Portugal “chega a todo o país” e não se fixa apenas nos destinos turísticos tradicionais, porque “se há destinos que estão na moda, como Lisboa, as modas também passam”.

Daí que o setor tem de ter “a capacidade de comunicar tudo aquilo” que Portugal tem, contrariando a “falta de perceção” do turista estrangeiro sobre a “riqueza patrimonial do país”, disse.

Para isso, o Governo quer apostar “no trabalho no terreno, através das entidades de turismo”, para se ganhar escala e conseguir “comunicar lá fora” aquilo que há de diferente em Portugal.

Para o vice-presidente da Câmara, Hugo Oliveira, “a reabilitação do imóvel no coração da cidade para receber quem nos visita e para promoção do concelho” carrega em si mesmo “uma carga emocional forte para quem quer apostar na capacidade de atratividade das Caldas da Rainha”.

Hugo Oliveira destacou alguns eventos que contribuirão para a afirmação turística das Caldas, como a “Rota Bordaliana, Feira do Cavalo Lusitano, Festa da Cerâmica e Feira dos Frutos”.

“Agora imaginem como tudo será ainda mais forte com a abertura das termas”, concluiu o autarca.

O ex-presidente da Câmara, Fernando Costa, que dirigia o executivo quando se iniciou a obra de reabilitação do edifício, proferiu umas palavras revelando que este edifício foi “construído no século XVI para acolher o hospício dos monges arrábidos à época instalados no convento das Gaeiras, no concelho de Óbidos”. Deixou com emoção uma nota pessoal lembrando que esta foi a primeira casa que conheceu em 1964, quando o seu pai, agente da PSP em Leiria foi promovido a sub-chefe e veio comandar a PSP das Caldas que esteve instalada durante muitos anos neste edifício. “No primeiro dia que cheguei a Caldas da Rainha dormi no 1º andar desta casa e foi aqui também que ensinei alguns agentes da PSP a evoluírem na matemática e noutras disciplinas para poderem concorrer a concursos públicos para progredirem na carreira”, disse Fernando Costa.

O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, sublinhou que a reabilitação de um edifício com uma localização central, junto de uma âncora como a “Praça da Fruta” teve a solução certa – um espaço de turismo “para quem quer apostar na capacidade de atratividade das Caldas da Rainha”.

“Este concelho tem todas as condições para fazer parte das rotas nacionais de turismo”, disse Tinta Ferreira, acrescentando que “a organização de grandes eventos aliada a um tecido comercial forte no centro da cidade coloca Caldas num nível de atratividade”. “As associações, instituições e sociedade civil começaram a realizar atividades e o que temos hoje é uma dinâmica coletiva”, adiantou o autarca.

O edil lembrou à secretária de Estado que “há 30 anos temos tido três problemas crónicos nas Caldas da Rainha – uma Linha do Oeste que anda pouca mais rápida que no tempo do Rei D. Carlos, a Lagoa de Óbidos que está num processodeassoreamentoe um património termal que o Estado deixou degradar e que nós tivemos que assumir a sua concessão para o tentar reabilitar e que contamos com a ajuda da administração central”. “Acreditamos que até 2020 estes três problemas crónicos estarão na sua grande maioria melhorados e resolvidos”, manifestou.

Quanto à Linha do Oeste, revelou que poderá estar eletrificada pelo menos até Caldas da Rainha.

Tinta Ferreira acredita que depois destes problemas resolvidos irá certamente atrair muito mais visitantes.

Deixou ainda aos caldenses o desafio de que o novo posto de turismo não seja só dos visitantes mas que seja “um espaço de vivência para toda a população”.

Na inauguração do posto de turismo foi também apresentada uma exposição de azulejo de Mário Reis.

No final da cerimónia, no espaço do restaurante, a Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, serviu um beberete.

Restaurante “Fruta da Casa” abre em março

“Fruta da Casa” é como designa o restaurante inserido no edifício do novo espaço de turismo, que foi concessionado a Jorge Magalhães, presidente da ACCPSLO, Associação de Criadores de Cavalo Puro-Sangue Lusitano do Oeste (ACCPLSO).

A abertura ao público será no final de março e Jorge Magalhães quer que seja um espaço com um conceito de mistura de “cultura, tradição e modernidade”. “Queremos aprimorar os sabores tradicionais”, disse o responsável, que pretende que todos os produtos e matéria-prima do restaurante sejam “das Caldas e da zona circundante”.

A cutelaria e faqueiro é toda feita nesta região. Estão a trabalhar na seleção da carta de vinhos com a colaboração dos enólogos da região, dando destaque aos vinhos desta zona.

O restaurante, com capacidade para 52 pessoas sentadas tem uma decoração de fotografias antigas da Praça da Fruta, que datam de 1815. “O objetivo é casar a cultura dos nossos antepassados com a modernidade das nossas artes”, referiu.

A zona exterior funcionará na primavera e verão como um espaço de espetáculos, desde trapézio, cinema ao ar livre, música ao vivo, entre outros.

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