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Centro Hospitalar do Oeste tem novo Conselho de Administração

Francisco Gomes

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O novo Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), nomeado pelo Ministro da Saúde, iniciou funções no dia 1 de fevereiro. Ana Paula Harfouche é a presidente, Filomena Cabeça e Idalécio Lourenço são vogais executivos, António Curado o diretor clínico, e Maria de Lurdes Ponciano a enfermeira-diretora. À exceção do primeiro e do terceiro elementos do conselho de administração, os restantes são quadros do CHO, sendo que António Curado e Filomena Cabeça estão na unidade das Caldas da Rainha e Lurdes Ponciano em Torres Vedras.
Filomena Cabeça, António Curado, Ana Harfouche, Lurdes Ponciano e Idalécio Lourenço

Segundo o que o JORNAL DAS CALDAS conseguiu apurar, a nova presidente do conselho de administração exerceu funções de administradora hospitalar da área financeira no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil – Centro Regional de Oncologia de Lisboa entre 1997 e 2004, e foi diretora do Sistema de Custeio por Atividades Clínicas, o qual foi distinguido, em 2009, com o Prémio das Boas Práticas, na 7ª Edição do Diário Económico.

Desempenhou também funções na Agência de Contratualização e Acompanhamento da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e foi assessora no Ministério da Saúde de maio de 2005 a janeiro de 2008.

Com 51 anos, é doutorada em Gestão e Administração Pública pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. A tese para obtenção do grau de doutor foi sobre “Opções políticas em saúde – efeitos sobre a eficiência hospitalar”.

Professora universitária, tem publicado e desenvolvido vários trabalhos de investigação e feito apresentações a nível nacional e internacional. É autora do livro “Hospitais transformados em empresas – Análise de Impacto na Eficiência: Estudo Comparativo”.

É vice presidente do Conselho Geral da Associação Portuguesa de Engenharia e Gestão da Saúde desde 2011.

O novo diretor clínico é natural de Soure. Licenciado pela Faculdade de Medicina de Coimbra em 1982, obteve o título de especialista em Gastrenterologia pela Carreira Hospitalar e pela Ordem dos Médicos em 1991. Obteve igualmente a subespecialidade de Hepatologia em 2005.

Está ligado ao hospital das Caldas da Rainha desde 1995 e era diretor do serviço de gastrenterologia desde 1997, tendo assumido já também as funções de diretor do Internato Médico e de diretor do Serviço de Urgências. O último exame de carreira hospitalar que fez data deste ano e tornou-o Assistente Graduado Sénior.

Desempenhou diversos cargos em organismos do setor e foi palestrante em variadíssimos encontros. Foi porta-voz da comissão de utentes “Juntos pelo nosso Hospital”, que lutou contra a reestruturação de serviços do CHO.

Filomena Cabeça nasceu há 57 anos em Moçambique e reside nas Caldas da Rainha. Licenciou-se em 1981 pela faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Foi membro da direção nacional da Ordem dos Farmacêuticos durante doze anos e candidata a bastonária em 2007, só não se tornando a primeira mulher a exercer esse cargo porque a vencedora foi Irene Silveira.

Responsável pela Farmácia do antigo Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, tomou posse no quadro de pessoal em fevereiro de 1989. Tem um extenso currículo como formadora e oradora em reuniões científicas.

Quer António Curado, quer Filomena Cabeça, têm ligações conhecidas com o Partido Socialista.

CDS agradado com saída de Carlos Sá

O CDS de Caldas da Rainha emitiu um comunicado a manifestar o seu “agrado por estar de saída um conselho de administração que tantos prejuízos causou à região”.

“Foi assim no funcionamento do hospital de “agudos”, na prestação de cuidados de saúde à população, onde uma deficiente gestão reduziu camas, profissionais e meios, provocando atrasos, aumentando tempos de espera e criando inúmeras dificuldades a todos quantos por motivo de doença, necessitavam de ser socorridos. Foi assim, em relação ao Hospital Termal e património termal em geral, desprezando-o, até ao ponto de degradação total, provocando prejuízos de milhões de euros, que agora os caldenses terão que suportar para recuperar o seu património”, aponta o CDS, criticando a anterior gestão de Carlos Sá.

“O conselho de administração que agora cessou funções não deixa saudades”, manifesta o CDS, que deseja “que uma nova página se abra em matéria de cuidados de saúde”, saudando o novo conselho de administração e em particular os “caldenses” Filomena Cabeça e António Curado.

Vereadores do PS também satisfeitos

Os vereadores do PS na Câmara das Caldas também manifestaram satisfação pela tomada de posse da nova administração, já que a anterior levou-os fazer “numerosas intervenções” a queixarem-se dos “prejuízos causados à qualidade dos serviços hospitalares nas Caldas da Rainha”.

No entender de Rui Correia e Jorge Sobral, a administração de Carlos Sá “nunca esteve à altura do desafio que lhe foi colocado. Manteve-se sempre de costas voltadas para a comunidade caldense. É um conselho de administração que deixa um rasto de destruição atrás de si, ao ponto de conseguir unir todos os agentes políticos e sociais contra si, pedindo a sua urgente e indispensável demissão, coisa nunca vista neste concelho”.

“Não obstante a continuada notícia de irregularidades várias no funcionamento do hospital, com mortes inexplicáveis de doentes que colocaram pela primeira vez o hospital das Caldas da Rainha nas notícias nacionais, pelas piores razões, como também nunca antes havia ocorrido, este é o conselho de administração que nunca garantiu um serviço de epidemiologia que fornecesse, como é de lei, os números estatísticos sobre infeções hospitalares, apesar de terem sido oficialmente pedidos em várias ocasiões”, referiram.

“Da sua gestão resta um hospital diminuído, que luta por manter a sua relevância profissional, ostensivamente preterida em favor da unidade de Torres Vedras. A sua gestão produziu um fundo mal-estar artificial entre unidades hospitalares. Nunca se deixará de recordar desta gestão hospitalar o desprezo dedicado ao património e edifícios do hospital termal, deixando de o conservar dignamente (tapando com cartão, vidros partidos de um monumento identitário); desprezo pelo parque D. Carlos I, deixando de o limpar (escândalo que levaria um grupo de cidadãos e elementos afetos a rigorosamente todos os partidos a pegar em vassouras e pás para limpar o seu parque dando assim nota pública de desagravo); recusando pagar as indispensáveis análises das águas termais, enfim, tudo fazendo para deixar morrer o Hospital Termal, culminando este grosseiro desleixo no seu definitivo encerramento”, descreveram os autarcas.

Do novo conselho de administração é esperada “uma conduta diametralmente oposta ao anterior”.

O CHO abrange uma população direta de cerca de 295 mil habitantes, residentes nos concelhos de Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche, Bombarral, Torres Vedras, Cadaval e Lourinhã e de parte dos concelhos de Alcobaça e de Mafra. Resultou da junção, em 21 de novembro de 2012, do antigo Centro Hospitalar do Oeste Norte e do antigo Centro Hospitalar de Torres Vedras.

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