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Visita ao património termal degradado comentada em “Pontos de Vista”

Francisco Gomes

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A notícia publicada na semana passada no JORNAL DAS CALDAS sobre a deslocação de uma comitiva municipal ao Hospital Termal, Balneário Novo e Pavilhões do Parque – património que está agora sob gestão da Câmara das Caldas da Rainha – foi comentada no fórum político “Pontos de Vista”, programa da Mais Oeste Rádio em parceria com o JORNAL DAS CALDAS.
Manuel Nunes, José Carlos Faria, António Cipriano, Emanuel Pontes, Rui Gonçalves e Lino Romão

O objetivo era verificar e avaliar o estado em que o Município das Caldas da Rainha recebeu o património termal e quem participou na deslocação a estas infraestruturas não pôde deixar de ficar indignado com o que viu – degradação acentuada, lixo amontoado e um triste cenário.

Manuel Nunes, do PS, comentou que “a degradação já vem de há muitos anos, a administração do centro hospitalar não ligou, e o resultado é que vai ser necessário um grande investimento pela Câmara, para fazer reparações, limpezas e colocação das infraestruturas a funcionar”.

“Não conseguimos compreender como que é que algo que era das competências de quem devia fazer a gestão não o fez. Num país desenvolvido haveria um processo em tribunal para se receber uma indemnização por abandono de património público estatal determinante para o desenvolvimento da nossa região. Este assunto enerva-me”, manifestou o socialista.

O representante do PS argumentou também que “no segundo ou terceiro dia deste governo ter tomado posse devia ter seguido uma carta da Câmara para o ministro da saúde a solicitar uma reunião de emergência”, de modo a que o Estado suportasse despesas com o património termal.

Lino Romão, do BE, declarou ter ficado surpreendido por os autarcas não saberem a real dimensão da degradação, já que “se os pavilhões lá estão ao abandono há anos, era suficientemente previsível”.

“Recebe-se uma coisa sem se saber em que condições ela está”, estranhou.

“Esta problemática do hospital vai continuar a animar as conversas, até porque para a obra que é necessária para recuperar um projeto de termalismo para as Caldas da Rainha prevê-se um caminho bastante árduo”, adiantou.

António Cipriano, do PSD, relatou que “há um ano visitei os pavilhões e por isso agora não fiquei surpreso, porque já conhecia a realidade de grande degradação dos pavilhões, que mostra a gestão do conselho de administração do dr. Carlos Sá”. “Para além da degradação do edifício, é o lixo que existe lá, temos lá espalhados processos clínicos de doentes, com informações pessoais, há uma irresponsabilidade, incúria e desleixo da administração hospitalar, estarem os pavilhões cheios de lixo, mobílias, arcas frigoríficas que já não são utilizadas. Felizmente que esta administração terminou”, afirmou.

No seu entender, “é importante os caldenses verem as imagens para saber que foi o Estado que levou à degradação”. “No Hospital Termal, tive alguma surpresa, notei algum abandono e degradação. Há uma parte do telhado em que chove”, contou.

Rui Gonçalves, do CDS, disse que “ficámos indignados, mas surpreendidos não tanto, por imagens do que se via cá de fora e por fotografias que foram sendo publicadas, era fácil de imaginar que lá dentro alguma coisa podia não estar bem”.

“É uma lixeira que ali está. Muitas toneladas de papel espalhadas. Há mobiliário e material clínico, é um armazém de tudo quanto se possa imaginar”, indicou.

“Os Pavilhões são uma peça arquitetónica única, que só por isso podem ser uma alavanca importante de atração turística. A primeira ação desde logo é a limpeza. Ao peso, o lixo ainda vale algum dinheiro. A segunda ação é impedir que as infiltrações continuem e que as paredes continuem a degradar-se. Essa obra é urgente”, referiu.

Quanto ao edifício do hospital, “a zona do rés do chão está em bastante mau estado”, sublinhou. “Não percebo o que passa pela cabeça de uma pessoa para permitir que chegue a esse estado. É o acumular de muitos anos de desprezo. É o património mais importante da cidade”, fez notar.

Para Rui Gonçalves, “o dinheiro que é preciso investir não me preocupa tanto, porque a banca, se apresentarmos um plano económico que seja viável, empresta dinheiro. Agora quando o hospital termal começar a funcionar, quem vai pagar o défice de funcionamento todos os meses, durante o período de carência?”, questionou.

Sustentou ainda que “a Câmara não queria pedir este património, mas não havia outra solução, em resultado de vinte anos de desprezo. Mais quatro anos e vinha tudo abaixo”. Rui Gonçalves concordou que se pedisse uma reunião ao novo ministro da saúde, mas acredita que nenhuns efeitos teria, porque “este governo, tal como os anteriores, não quer saber rigorosamente de nada”.

Para Emanuel Pontes, do MVC, a degradação do património termal “é um crime”. “Concordámos em o Município ficar com o património, porque não víamos forma de alguém pegar nisso. Ia continuar a degradação e o abandono e o desmoronar do património. Foi a única alternativa disponível”, comentou.

José Carlos Faria, da CDU, também considerou a situação a que chegou o património termal um ato “criminoso”.

“É indesmentivelmente uma questão de negligência danosa. Não é só incúria. Tem uma intencionalidade. Quis-se que fosse assim”, vincou.

“Fico surpreendido com a surpresa dos autarcas. Basta olhar. Se não havia noção do estado de degradação, com que base o protocolo entre a Câmara e o Estado foi negociado? Então foi mal negociado, porque a previsão financeira de intervenção arrisca-se a ser maior”, manifestou.

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