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Câmara das Caldas prepara-se para receber refugiados

Marlene Sousa

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A Câmara das Caldas e a rede social que reúne vários parceiros institucionais e entidades locais estão a preparar um plano de acolhimento e integração para  cerca de dez famílias  refugiadas, revelou a vereadora Maria da Conceição. Depois dos atentados em Paris, a autarca garantiu ao JORNAL DAS CALDAS que o Município mantém o plano de acolher os refugiados sírios e que “não há qualquer alteração”. A autarquia das Caldas já tem duas casas na cidade disponíveis para receber algumas das famílias e está disponível, em caso de necessidade, de vir a alugar espaços na cidade ou nas freguesias rurais, de acordo com o mais adequado com as famílias que receberão. Maria da Conceição adiantou que está a ser feito um levantamento dos equipamentos necessários, revelando que houve uma instituição que disponibilizou-se a contribuir com os atoalhados. “Depois de verificar o que é preciso iremos solicitar ajuda à sociedade civil, que já se mostrou disponível”, revelou a autarca.
A ideia é que as crianças refugiadas tenham acesso à educação

Plataforma de Apoio

Rui Marques, coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) esteve nas Caldas no passado dia 12 para apresentar a PAR, que tem congregado várias instituições sociaisque estão dispostas a receber refugiados, numa altura em que “está em curso a maior crise de refugiados/migrantes desde a II Guerra Mundial”. “O que aconteceu na sociedade portuguesa nos últimos dois meses foi uma coisa extraordinária. A lista não para de crescer, hora a hora, com instituições”, explicou, acrescentando que perceberam que “havia esta crise e que era fundamental agir e não ficaram à espera que o Estado faça”.

Segundo este responsável, entre 28 de agosto e 3 de setembro, trinta organizações de grande dimensão da sociedade civil portuguesa disseram que iam construir a PAR. “Hoje, são já 270. São muitas as organizações que se têm vindo a juntar, não só organizações tradicionais do terceiro setor como também autarquias, instituições do ensino superior, fundações e empresas”, revelou Rui Marques.

A PAR vai seguir um modelo onde não há centros de refugiados. “É um modelo de integração comunitária”, sem prejuízo de se poder ponderar a existência de um centro de transição entre a chegada e a ida para as localidades, mas com caráter de curtíssima duração.

Cada instituição desta rede, uma câmara municipal, uma IPSS, por exemplo, ficará responsável “pelo acolhimento integral de uma família” de refugiados, que antes já recebeu uma proposta de “contrato de acolhimento e integração”. A ideia, adiantou Rui Marques, é que as famílias fiquem em apartamentos, em casas autónomas, “em condições de vida autónoma, sempre que possível, que lhes permitam desenvolver o seu ritmo de vida normal”. Que aprendam português, que tenham acesso à educação e à saúde e a emprego de acordo com as suas capacidades.

“É um acolhimento disperso que envolve as comunidades locais, que promove a integração dos refugiados no contexto da comunidade onde estão e que evita a existência de centros de acolhimento que, muitas vezes, tendem a ser um gueto, com pouca interação da comunidade”, explica ainda o responsável.

Rui Marques aguarda ainda ser informado da data de chegada de refugiados no quadro do programa de recolocação da União Europeia (UE). “Vêm da Síria, Iraque e Eritreia e já se encontram numa situação transitória em Itália e na Grécia”, disse, sublinhando que todos os refugiados que vêm para Portugal passam por “um crivo das autoridades, sejam as europeias sejam as nacionais”.

A PAR tem um secretariado executivo que receberá as propostas de instituições anfitriãs e as candidaturas de famílias, fará o encontro do par “instituição/família” e acompanhará posteriormente a instituição anfitriã no que necessitar, nomeadamente em termos de apoio técnico.

Solidariedade para acolher os refugiados

“Queremos ser uma Europa que deixa morrer ou que salva? Questão do coordenador da PAR, revelando que o mais vergonhoso é que um “pequeno país chamado Líbano tem quatro milhões de habitantes e destes 1,5 milhões são refugiados”. “Um em cada três habitantes neste momento no Líbano é refugiado”, indicou.

Segundo este responsável, os libaneses sem se queixar “estão a gerir o dobro dos refugiados que toda a Europa tem nesta altura para gerir e que está em pânico”. “A Europa tem 500 milhões de habitantes, 28 países e tem recursos financeiros. O problema é a vontade, determinação e o sentido das comunidades em termos de acolhimento”, sublinhou.

Também o Conselho Empresarial do Oeste (CEO) está disponível para ajudar os refugiados que vêm para as Caldas. Ana Pacheco, presidente do CEO e da AIRO – Associação Industrial da Região Oeste, disse que a “vontade de ajudar é imensa”, sublinhando que “se essa ajuda não for feita através de uma organização estruturada, legal, não terá eficácia e perde-se, porque a boa vontade não chega”.

Marlene Sousa

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