Bombeiros das Caldas perdem duas grandes referências –Sales Henriques e José Domingos

Francisco Gomes

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A corporação de bombeiros das Caldas da Rainha sofreu na semana passada duas enormes perdas. No dia 11 de novembro faleceu Henrique Sales Henriques, que foi comandante durante 32 anos. No dia 13 perderia a vida José Domingos, segundo comandante do quadro de honra, que dedicou “uma vida inteira” aos bombeiros. Ambos morreram na sequência de doenças prolongadas. A Câmara declarou luto municipal. Sales Henriques, conhecido por “comandante dos comandantes”, estava a oito dias de celebrar 88 anos. Prestou um serviço ininterrupto de 50 anos com dedicação e mérito à associação e ao seu corpo de bombeiros, para onde entrou em 1961, para vice-presidente da direção, e onde ocupava atualmente o cargo de presidente da assembleia geral. Era comandante do quadro de honra.
Sales Henriques

Com uma história que o liga à fundação desta associação de bombeiros, porque é neto do seu fundador, foi em 1969 convidado para comandante da corporação, cargo que ocupou até 2001, numa carreira de 32 anos de comando que lhe deu prestígio a nível concelhio, distrital e nacional.

Em 1984 foi nomeado comandante da Zona Operacional Leiria Sul. Foi presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Leiria dando àquele órgão um destaque nacional pelas posições firmes e por vezes contundentes que tomou em diversas reuniões e fóruns, sempre na defesa dos interesses dos bombeiros.

“Foi uma figura de referência e ainda hoje é recordada a sua abnegação e coragem demonstradas nos teatros de operações, na luta contra o fogo, urbano, florestal ou industrial. Coordenador e líder nato e incontestável, mereceu o respeito de bombeiros e população”, sublinham o presidente da direção, Abílio Camacho, e o comandante Nelson Cruz.

Foi diversas vezes galardoado. Recebeu a Medalha de Serviços Distintos Grau Prata da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) a 11 de setembro de 1981, a Medalha de assiduidade 15 anos Grau Ouro da LBP a 7 de outubro de 1985, a Medalha de Serviços Grau Ouro da LBP a 8 de junho de 1989, o Crachá de Ouro da LBP a 6 de janeiro de 2001 e a Medalha de Mérito da cidade de Caldas da Rainha Grau Ouro a 15 de maio de 2001.

Por deliberação da direção e comando da associação humanitária dos bombeiros voluntários de Caldas da Rainha, em sua reunião de 7 de novembro de 2010, foi assumido por unanimidade propor a atribuição ao comandante do quadro de honra a condecoração máxima atribuída pela LBP, a Fénix de Honra.

Tal distinção foi de imediato aceite pela Liga e é o primeiro galardão máximo atribuído a título individual a uma personalidade nacional pelos serviços distintos prestados à causa dos soldados da paz.

No dia 15 de maio de 2011 foi-lhe entregue a Fénix de Honra e pelo Governador Civil de Leiria foi descerrado um busto de homenagem junto à entrada do quartel. Emocionado quando lhe foi comunicada a condecoração, dedicou-a a todos que o ajudaram durante todos os anos que esteve nos bombeiros. A sua farda foi sempre “o fato-macaco para ir combater os fogos com os meus homens”.

Foi eleito vereador da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, onde ocupou o cargo de responsável pela Proteção Civil. Foi depois eleito deputado da Assembleia Municipal de Caldas da Rainha, onde teve “acesas intervenções” em defesa dos bombeiros.

A direção e os corpos diretivos da nossa associação humanitária prestaram-lhe a homenagem de despedida, recebendo o corpo com guarda de honra no quartel, permanecendo um dia no salão nobre dos bombeiros, onde se realizou missa, antes do cortejo fúnebre para o mausoléu dos bombeiros no cemitério de Santo Onofre, em Caldas da Rainha, onde se juntaram centenas de pessoas, entre representantes de diversas corporações de bombeiros e instituições ligadas ao setor. O corpo foi na viatura auto escada, repleta de flores. A sirene tocou em luto e centenas de pessoas juntaram-se

A mesma homenagem foi efetuada a José Domingos, que tinha 93 anos. Natural do Pó, no Bombarral, veio morar para Caldas da Rainha aos 13 anos. Tinha perdido a mãe aos dois anos e foi uma tia que o criou, mas desde cedo que fez pela vida, primeiro vendendo pinhas em Peniche e depois aprendendo a profissão de sapateiro, tendo uma oficina na Rua Sebastião de Lima.

Em 1949 entrou nos bombeiros, depois de ter ficado emocionado ao ver incêndios que devastaram alguns edifícios na cidade. Era o bombeiro nº 20 e percorreu todos os patamares da hierarquia dentro da corporação, chegando a segundo comandante e tendo recebido o Crachá de Ouro da LBP.

Era o elemento mais antigo dos bombeiros ainda vivo, sendo conhecido por “Zé da Praia” entre os amigos mais chegados.

Foi um dos fundadores da freguesia de Santo Onofre e o seu primeiro presidente de junta.

Francisco Gomes

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