Em Carregal, numa das suas 17 freguesias, nasceu e se fez homem um dos maiores vultos da cultura portuguesa, mestre Aquilino Ribeiro, que nos deixou um legado incomparável em mais de 70 obras de literatura, que retratam a alma do povo português.
Mestre Aquilino, que não integrou qualquer escola literária, absorveu de forma sublime quer as forças do homem e da natureza quer os ambientes dos salões urbanos, dominando por um lado a invulgar beleza da linguagem rústica, e por outro, o galante falar citadino, numa riqueza lexical sem paralelo na nossa literatura.
Em Sernancelhe, a altitude, que no planalto da Lapa atinge os 800 metros, sublima os fundos dos vales, viçosos a perder de vista, recortados de regatos que correm para o Távora, que abastece a Barragem de Vilar.
Sernancelhe é também a Terra da Castanha. O cognome, ganhou-o pela qualidade e sabor do fruto que enche de abastança as casas dos lavradores e integra a alma da gastronomia regional, dando vida a suculentos pratos e à soberba doçaria.
Por entre os soutos, que desenham a paisagem, descobrimos a estreita ligação do Homem ao meio envolvente e onde as gerações mais novas enveredam pelas artes e fazem do granito das serranias autênticas obras primas, que depois colocam nos lugares de referência das freguesias, ganhando mística na simbologia popular.
A delegação caldense, constituída pelo presidente da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro, Abílio Camacho, pelo diretor do Museu do Ciclismo, Mário Lino, pelo comandante municipal da proteção civil, José António Silva e ainda pelo diretor executivo da Adio/Expoeste, António Marques, foi recebida pelo presidente da Câmara, Carlos Silva Santiago, que aceitou o convite para participar na conferência “Aquilino Ribeiro e a Mística da Castanha e do Castanheiro”, que terá lugar no Museu do Ciclismo, no dia 14 de novembro, pelas 15h30, seguida de magusto na Praça na República.
O presidente da Câmara de Sernancelhe acompanhado pelo seu comandante dos Bombeiros Voluntários e amigo de longa data de Caldas, Luís Fonseca, e por diversos produtores de castanha, proporcionaram aos caldenses uma verdadeira romaria dos soutos, apesar da chuva miudinha que marcava a inocente nudez do outono, numa toada contida, que sacudia os ouriços abertos de maduros, oferecendo uma bênção de castanhas despejadas do céu às mãos-cheias e cobriam os caminhos.
Os caldenses visitaram as quintas onde por entre a mágica cor das castanhas “martaínhas” se ouviam os risos de raparigas pelos soutos, cujo chão de ouriços mais parecia malha de ouro, onde se escondem as castanhas, que transportadas para as tulhas antigas, vão viver paredes meias com o tonel do vinho novo a lembrar os “magustos” do tempo dos nossos avós pelo S. Martinho.
A. Marques




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