Tinta Ferreira revelou que o serviço de ação social da Câmara “está a trabalhar para ouvir os parceiros da Rede Social das Caldas no sentido de saber a disponibilidade de cada um e em que medida podem ajudar a criar condições para se receber famílias de refugiados no concelho”.
“Eles beneficiarão de um conjunto de apoios que estão já definidos, na administração central e o Município servirá de ligação e intermediário para garantir que sejam bem acolhidos e integrados nesta comunidade”, adiantou, o presidente da Câmara.
Nesse sentido, a autarquia vai desenvolver, internamente, um trabalho no sentido de envolver instituições locais para se poder receber as pessoas que procuram a Europa como lugar de paz e sustento para si e para os seus. Tinta Ferreira espera também contar com o apoio do tecido empresarial das Caldas da Rainha para a disponibilidade em termos de trabalho para os refugiados da atual crise humanitária resultante da guerra na Síria.
Os vereadores do Partido Socialista apresentaram a proposta que foi aprovada em Sessão da Câmara das Caldas, no passado dia 7 de setembro, por unanimidade, e foi estabelecido já um calendário de reuniões e de contactos institucionais e empresariais “a fim de conhecer em maior detalhe o grau de compromisso que esta autarquia pode assegurar, de forma realista e proporcionada”.
Segundo os vereadores do PS, Rui Correia e Jorge Sobral, as Caldas da Rainha são uma comunidade cuja história está marcada, pelos mais esclarecidos motivos, pela sua hospitalidade a refugiados de guerra. “Desde os Boers aos imigrantes de leste, populações obrigadas a emigrar em resultado de conflitos militares ou étnicos, gerações contínuas de caldenses fizeram da hospitalidade um cunho da nossa identidade histórica. E não se tratou apenas de saber hospedar bem. A prova da aptidão Caldense nesta matéria pode bem aquilatar-se pela forma como se integraram bem na nossa comunidade todos quantos chegaram de fora e escolheram a nossa terra como lugar de passagem temporária ou mesmo de residência definitiva. Muitos destes refugiados deixaram marcas indeléveis na nossa história como o célebre Papá Urso e muitos outros”.
Os autarcas destacam a “importância civilizacional e o desafio que representa acolher gentes que procuram novas oportunidades. Não é, de todo, novo para nós. Na sua essência, as próprias Caldas da Rainha resultam elas mesmas de um povoamento resolvido com homiziados”.
Os vereadores consideram que cada “um de nós tem a obrigação de procurar a felicidade para si e para a sua família. Todos os receios acerca da chegada de migrantes resultaram sempre, sempre, infundados. Obedecem sempre ao mesmo estratagema demagogo: eleger um caso episódico para o tornar uma generalização fictícia e fingida. Nunca é hora de ser ignorante. Sabemos mais do que isso e sabemos como estar do lado certo da história. Não acompanhar hoje um desígnio civilizacional como o de acolher quem nos estende a mão é contrariar o honroso e nobre exemplo que as gerações anteriores de Caldenses nos legaram”.
Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, Jorge Sobral disse que se trata de um “problema humanitário” e “não consegue ficar indiferente a quem está num sofrimento destes”. “Nós não podemos determinar que as famílias venham e fiquem aqui, porque o que eles querem neste momento é obter paz e voltar ao seu país quando houver condições”.
Jorge Sobral lembrou a exposição da Embaixada da Polónia “Os Polacos em Portugal nos anos 1940-1945”, que foi inaugurada a 10 de setembro no CCC é uma forma de agradecimento para os portugueses e caldenses que ajudaram a polacos durante a Segunda Guerra Mundial.
Marlene Sousa



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