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Exposição “Os Polacos em Portugal nos anos 1940-1945” no CCC

Mariana Martinho

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“Portugal prestou auxílio sem olhar à raça, à nacionalidade e à confissão religiosa dos refugiados” O álbum “Portugal, obrigado! Os refugiados polacos, civis e militares, nos confins da Europa Ocidental nos anos de 1940-1945, constitui um agradecimento simbólico pelo cordial acolhimento que os Portugueses dispensaram aos refugiados polacos durante a Segunda Guerra Mundial”, foram as palavras do autor e chefe do Gabinete dos Assuntos dos Combatentes e Vítimas de Repressão da República da Polónia, Jan Stanislaw Ciechanowski que na passada quinta-feira juntamente com uma comitiva de governantes portugueses e polacos deslocou-se às Caldas da Rainha para inaugurar a Exposição da Embaixada da Polónia “Os Polacos em Portugal nos anos 1940-1945” e o álbum “Portugal, obrigado!”, que estará patente ao público, no Centro Cultural e de Congressos da cidade. A cerimónia ainda contou com o representante da Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional, o General Jorge Gomes e o Embaixador da República da Polónia em Lisboa, Bronislaw Misztal.
Exposição "Os Polacos em Portugal nos anos 1940-1945" no CCC

O livro surgiu após a inauguração da exposição em setembro 2011, no Espaço Memória dos Exilados, no Estoril em versão portuguesa, pelo Gabinete dos Assuntos dos Combatentes e Vítimas de Repressão da República da Polónia em colaboração com a Embaixada da Polónia em Lisboa. Segundo Jan Stanislaw Ciechanowski, “o presente álbum é um alargamento da exposição de modo a transmitir um conhecimento, mais aprofundado do riquíssimo material iconográfico, em relação a esta temática”.

Nos trágicos anos do conflito Segunda Guerra Mundial, os cidadãos polacos de diferentes nacionalidades, entre as quais judaicas, tiveram de fugir da sua pátria por causa dos invasores. A guerra teve início na Polónia porque foi o primeiro país a “dizer não a Hitler e em 1939, perdemos a soberania para recuperar somente 50 anos depois”. Durante a guerra os soldados polacos lutaram por “um mundo, uma Europa e uma Polónia, livres e democráticos”, pois estava fora de questão pactuar com qualquer dos totalitarismos.

Em Portugal, encontraram um “país neutro, hospitaleiro e o refúgio para os cerca de 12 a 13 mil polacos que fugiam dos alemães, cujo propósito era exterminar a elite da nação polaca”.

Igualmente afirmou que, “ao longo dos séculos as relações entre os dois países não foram frequentes, sobretudo devido à distância, contudo sempre se caraterizaram por uma cordialidade reciproca”.

“Os Polacos admiram a língua portuguesa, bela e sonora, chamando-lhe o canto dos anjos. No entanto, para os refugiados, Portugal era um belo país misterioso”, disse.

Em junho de 1940, chegaram os primeiros refugiados a Portugal, em que as autoridades decidiram distribuir os polacos por diferentes localidades fora da capital. Como tal, a maior aglomeração (entre 350-400) de refugiados localizava-se na estância balnear e termal da Figueira da Foz, e ainda nos centros de Anadia, Caldas da Rainha, Curia e Porto.

Entre outubro de 1940 e 1944, a maior aglomeração de refugiados, que não obtiveram autorização de permanência em Lisboa, localizava-se na cidade com a estância termal da rainha D. Leonor, Caldas da Rainha.

O ministro referiu que ainda existe muita informação para os historiadores investigarem, mas “hoje podemos afirmar que os Portugueses ofereceram um ato humanitário e prestaram auxílio sem olhar à raça, à nacionalidade e à confissão religiosa dos refugiados. Assim Portugal é um exemplo que faz parte da história do humanitarismo mundial”.

“O objetivo desta exposição e do álbum é dar a conhecer as cidades que prestaram ajuda aos nossos compatriotas durante a guerra, pois foi um tempo trágico para a Polónia, que levou a uma interrupção de possibilidades e de desenvolvimentos”, apontou o ministro que concluiu a cerimónia agradecendo a todos os portugueses, que “estenderam uma mão amiga aos refugiados, numa altura em que eles necessitavam”.

O Major General Fernando Gomes também referiu que a exposição inaugurada é ainda “mais completa e enriquecida com os testemunhos dessa passagem por Portugal, forçada pela circunstância que não deixou de ser digna”.

“Este álbum é um gesto de gratidão e um valioso instrumento histórico, sendo um exemplo de defesa dos valores da paz e da democracia”, concluiu.

Na receção oficial, que decorreu na Câmara Municipal, o Presidente da Câmara Municipal, Tinta Ferreira, também agradeceu os cumprimentos e lembrou os anos de acolhimento dos cidadãos polacos, nomeadamente nas Caldas da Rainha que terá sido um dos locais de receção dos refugiados, “fruto das condições de alojamento foram um marco significativo na cultura e nos hábitos dos caldenses, que viviam sob a ditadura”.

Mariana Martinho

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