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Caldas da Rainha cidade há 88 anos

Mariana Martinho

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No dia 26 de agosto Caldas da Rainha comemorou 88 anos da elevação de vila a cidade, numa iniciativa que pretendeu exaltar os valores de grandeza de uma terra que viu recompensado o seu fulgurante desenvolvimento económico, cultural e social com a atribuição, por decreto, em 1927, do estatuto de cidade. Caldas da Rainha ascendia ao lugar de única cidade da Estremadura, depois de Lisboa e Setúbal.
Os bombos da Associação Cultural e Recreativa de Santo Onofre

Para comemorar este momento da história caldense, o executivo da União de Freguesias de Caldas da Rainha – Santo Onofre e Serra do Bouro promoveu um evento, que teve início pelas 9h30 com animação pela cidade com os bombos da Associação Cultural e Recreativa de Santo Onofre e à noite uma sessão solene na Sociedade de Instrução e Recreio “Pimpões”, que contou com a intervenção histórica da presidente da Associação Património Histórico (PH), Isabel Xavier.

A historiadora baseou as suas ideias sobre a conjuntura histórica da elevação das Caldas da Rainha a cidade, nos estudos dos historiadores João Bonifácio Serra e Luís Nuno Rodrigues.

A expansão ocorreu nos anos vinte do século XX, segundo a oradora, com “a prática do regionalismo, sendo uma ideologia em que se inscreve na ação de um grupo de jovens empenhados em inovar a cidade”.

Caldas viveu entre 1878 e 1930 “uma forte expansão demográfica, em que a população aumentou 226,2% e a taxa de urbanização cresceu de 14,7% para 26,78%”. Também referiu que um programa “de obras públicas foram indispensáveis para que as Caldas pudessem vir a ser considerada cidade, que remota para o século XIX, ao período de Berquó, que cedo se apercebeu que o êxito da modernização do hospital dependia da coerência com a modernização do conjunto urbano”.

Outro autor importante que a historiadora referiu foi Paulino Montês, arquiteto da cidade, numa ação que pode ser considerada complementar.

“O grupo regionalista que conduziu as Caldas à elevação a cidade encontrava-se representado em várias instâncias do poder local desde o princípio da década de vinte, destacando-se Júlio Lopes e António Montês”, salientou.

Foram também destacadas as exposições das atividades económicas da região, entre as quais a V Exposição, que “está ligada à elevação das Caldas da Rainha a cidade, do ponto de vista cronológico, tendo sido a última a realizar-se na agora cidade das Caldas”.

Durante a intervenção, Isabel Xavier citou um parágrafo do livro “Introdução à História das Caldas”, de João Serra, terminando com a reflexão de que “estas palavras nos sirvam de inspiração e de exemplo para conseguirmos transformar a cidade, experienciando-a sob moldes ou modelos novos, com recurso às artes, afirmando-a na região e no mundo”.

O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, também interveio, manifestando o seu agrado em relação ao número de presentes na sessão, pois “certamente temos o dobro que o ano passado, sendo um sinal que esta ação de dar a conhecer à população que há uma outra data que é importante registar, que é a data em que Caldas viu ser reconhecida a sua força económica, social e dinâmica”.

O dia 26 de agosto de 1927, para o autarca, é um “registo importante que não justifica ser feriado municipal, mas justifica ser comemorado, sendo acompanhado de uma atividade cultural, como decorreu de manhã com os bombos de Monte Olivett”.

Apesar de Caldas da Rainha não ser capital de distrito, o autarca referiu que a cidade conseguiu “afirmar-se num contexto entre Leiria, Santarém e Lisboa, como um motor dinâmico da região”.

Segundo Tinta Ferreira, a cidade está a “viver um bom momento. Fizemos um conjunto de intervenções que permitiu requalificá-la e deu a possibilidade dos caldenses gerirem o património termal”.

Para terminar, houve um momento de animação musical com a Orquestra Ligeira Monte Olivett.

Hospital Termal volta a funcionar em 2017

O presidente da Câmara municipal anunciou durante a comemoração dos 88 anos da elevação das Caldas da Rainha a cidade, que já há acordo para a concessão do Parque D. Carlos I e do Hospital Termal, para voltar a funcionar no princípio de 2017.

“A cidade nasce com o hospital termal e finalmente esse património pode ser gerido por quem o acompanhou – os caldenses”, adiantou.

Este acordo engloba a concessão do património termal, que inclui o hospital, a gestão do balneário novo e do parque da mata.

“Já existe acordo em relação aos termos do contrato de concessão do património termal, para a gestão municipal, hospital termal e o balneário novo por 60 anos, e o restante património, com exceção do museu, por 50 anos”, disse.

Tinta Ferreira afirmou também que este é “um momento decisivo, pois durante anos foi discutido se deveriam ser os caldenses a serem responsáveis pelo património, e essa possibilidade agora verifica-se”.

A proposta está em análise no Tribunal de Contas, para depois receber o visto e ser assinado o contrato do projeto que visa a entrada em pleno funcionamento do Hospital Termal e o uso turístico para os pavilhões do Parque D. Carlos I.

“Este é um momento decisivo, para honrar o compromisso da rainha e pegar neste património que o Estado deixou degradar e dar uma vida nova com base em vários projetos que já temos”, disse.

A aposta insere-se no património termal e nas artes, pois “seguramente vão contribuir para fortalecer a identidade e riqueza da nossa cidade”

Além das termas, o autarca também anunciou um conjunto de requalificações na freguesia de Santo Onofre como espaços públicos do Bairro das Morenas, Arneiros e Ponte, uma nova unidade de saúde em Santo Onofre e requalificar o Centro de Saúde de Caldas da Rainha, o complexo desportivo e apoiar a construção do Teatro da Rainha.

“São um conjunto de investimentos que vão permitir dar uma outra qualidade de vida às Caldas”, salientou.

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