No catálogo da Feira Internacional de Artesanato- FIL 2002, encontramos os nomes de Francisco e de Herculano Elias entre “Os Mestres Artesãos do Século”, justamente apresentados como exímios miniaturistas cerâmicos, nos textos subscritos por Matilde Tomaz do Couto e por Cristina Ramos e Horta, respectivamente. Já antes, em 1988, o Museu José Malhoa dedicara particular atenção ao tema da escultura em cerâmica, na exposição “A Arte da Miniatura em Barro – Escultores e Barristas”, da qual Matilde Tomaz do Couto foi a comissária.
O currículo de Herculano Elias é muito vasto, identificado nas exposições em que participou a título individual ou colectivamente, a primeira das quais, com o título “Miniaturas de Arte em Terra- Cota”, foi realizada no Salão de Turismo das Caldas da Rainha, em Agosto de 1951, quando tinha 19 anos. Por ocasião dos 60 anos da sua actividade artística, em Maio de 1996, foi inaugurada na Galeria Osíris, a exposição “Herculano Elias momentos de um percurso”, em cujo catálogo se encontram depoimentos da autoria de Paulo Henriques e João Serra, que representam mais um competente referencial sobre a personalidade e a obra do insigne ceramista.
De entre os seus trabalhos de arte pública, Herculano Elias é o autor do mural da sede dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha e do conjunto alegórico às quatro estações, situado na rotunda da rua Dr. Leonel Sottomayor.
Recebeu a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro, atribuída pela Câmara Municipal das Caldas da Rainha, no ano de 2002; em 2009, o Rotary Club das Caldas da Rainha, elegeu-o como Profissional do Ano Rotário.
O seu trabalho criativo foi incessante, sendo de salientar que as exposições realizadas nestes últimos anos (“Natividade”, 2011; “Viagem” e “Memórias do Mar”, 2012 e 2013; “Presépios – Praça da Fruta”, 2014; duas Exposições de Miniaturas, 2015), vêm confirmar o amor que Herculano Elias dedicou à profissão que sempre o inspirou, até ao limite da sua vida.
Mas a sua vocação não ficou confinada às artes da cerâmica e da pintura, foi também extensiva à arte de ensinar, correspondendo assim a um apelo íntimo, o de transmitir os seus conhecimentos, os segredos do seu mister, com o intuito de contribuir para que a tradição, na sua Terra, esteja para durar, devendo ser respeitada e salvaguardada.
Este ânimo de partilha encontra-se bem evidenciado no livro de sua autoria, intitulado “Técnicas Tradicionais da Cerâmica das Caldas da Rainha”, publicado muito apropriadamente na Colecção Testemunhos, e editado em 1996, pela Associação Património Histórico – PH e no catálogo da Exposição “Formas da Olaria das Caldas da Rainha”, cujos textos são da autoria de Herculano Elias e Helena Gonçalves Pinto.
A sua actividade cívica revelou-se exemplar quando integrou, sucessivamente, a Direcção do Grupo dos Amigos do Museu de Cerâmica, a Direcção da Liga dos Amigos do Museu de José Malhoa e o Grupo de Trabalho da Cultura do Conselho da Cidade – Associação para a Cidadania. Neste ambiente de participação, de voluntariado, foi sempre notável a sua diligência, o seu espírito de equipa, tendo em vista a concretização dos objectivos então traçados. A criação por Herculano Elias, de peças cerâmicas alusivas a eventos comemorativos, foi muito frequente, numa atitude de dádiva que evidenciava a sua abnegação, em coerência, afinal, com os valores que cultivou na convicção de que a capacidade de estima e a solidariedade, concorrem para o bom exercício da cidadania e no seu caso, com intenção cultural. O seu perfil humanitário enriqueceu sobremaneira a sua condição de artista.
É imensa a saudade que fica para sempre.
Mário Gonçalves



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