O almoço reuniu na festa emigrantes espalhados pelo mundo. Fora de Portugal, encontraram emprego, mas não se pense que é tudo facilidades.
“Trabalhei vinte anos seguidos dentro de uma fábrica, fora os verões que fui lá fazer. Os emigrantes têm de se esforçar para ganhar algum dinheiro. Tenho 72 anos e agora estou reformado e vou vivendo entre o Canadá e a Ramalhosa [aldeia da freguesia de Alvorninha]”, contou ao JORNAL DAS CALDAS Eurico dos Santos. “Foi uma boa opção, porque ganha-se bom dinheiro no estrangeiro”, sublinhou.
Manuel Santos, de 72 anos, emigrante na Alemanha, trabalhou na construção civil. “Foi uma vida cruel. Trabalhei de noite e de dia, até aos domingos”, contou.
O coração bate mais forte e a vontade de ficar na terra-natal é grande. Mas o pensamento é traído pela estabilidade e há já quem não pense em deixar o país de acolhimento. Algumas famílias vêm de vez em quando a Portugal, como é o caso de Maria Luzia, de 66 anos, Ana Paula, de 49, Cristina Barros, de 27, e Ana Sofia, de 22.
Ana Sofia é perentória: “Eu não penso vir para Portugal. Ficar em França é o objetivo”. Ana Paula adianta que “por enquanto estamos lá bem e penso que não é para voltar tão depressa”. Mas chama a atenção que as rendas das casas são elevadas. “Eu cuido de crianças e o meu marido anda nas obras. Temos de ser os dois a trabalhar porque pagar rendas de cerca de mil euros não dá sozinho”, referiu.
Avelino Luís, de 84 anos, emigrante em Inglaterra desde 1966, disse que a ideia inicial era ficar lá pouco tempo mas “começou-me a agradar e fiquei até agora. Valeu a pena”.
“Não vejo trabalho para todos aqui, mas lá fora não é como era dantes, e as rendas das casas custam uma fortuna”, sublinhou.
Graciete Ribeiro, 62 anos, emigrante há 43 anos no Canadá, sustentou que “vive-se melhor no estrangeiro”. “Venho todos os anos a Portugal e há sempre muitas saudades. Pela televisão estamos a par do que se passa aqui”, indicou.
Ana Marques, de 43 anos, emigrante há três anos na Suíça, onde trabalha como técnica de ação educativa, relatou que “em Portugal fiquei sem trabalho e sem perspetivas e com contas por pagar. O meu marido foi um ano antes de mim e arranjou trabalho e estabilidade e depois fui eu e a minha filha”. “Aprendemos a língua e a adaptação tem sido muito boa e não penso em voltar”, frisou.
Cassandra Gama, de 15 anos, emigrante na Suíça desde os 6 anos, confessou que “ao princípio a adaptação foi um bocado difícil porque estava habituada a falar português, mas depois aprendi a falar francês. Penso voltar quando tiver 18 anos para fazer o curso e gostava de arranjar trabalho cá”.
Hugo Miguel, de 30 anos, foi para Suíça com quinze anos. “Estou a trabalhar numa fábrica de medicamentos. Valeu a pena, porque é mais fácil arranjar trabalho. Se os meus pais voltarem para Portugal venho também”, declarou.
Joana Santos, de 22 anos, é emigrante há sete anos no Canadá. “A minha mãe já estava lá e eu fui para o Canadá estudar. Mas não tenciono voltar a Portugal porque a minha vida agora é lá. A estabilidade é outra. Temos uma vida que cá não poderíamos ter, principalmente pessoas da minha idade”, manifestou.
Cidália Ribeiro, de 38 anos, emigrante desde os 12 anos em França, trabalha com crianças do pré-escolar. “Também já fui cabeleireira. Sinto-me bem lá e só venho a Portugal em férias”, contou.
Marisa Ribeiro, de 32 anos, emigrante há três anos em França, vende material de construção civil. “Estou lá porque Portugal não dá meios para cá ficar. Não é altura ideal para voltar porque há muito desemprego”, desabafou.
Tinta Ferreira, presidente da Câmara das Caldas da Rainha, disse que “felizmente que a maioria dos nossos concidadãos que residem no estrangeiro à procura de uma oportunidade está com sucesso mas mantém o desejo de se relacionar com o país-natal. É um dever do Município fomentar a relação com os emigrantes. Este convívio é um sinal de agradecimento pelo trabalho que fazem lá fora e pelo bom nome que dão às Caldas da Rainha e por manterem a ligação com a nossa terra, alguns deles até regressam e investem cá”.
A festa contou com a presença do secretário pessoal do secretário de estado das comunidades portuguesas, José Governo, e dos deputados Conceição Pereira e Carlos Gonçalves.
A tarde foi animada pelo conjunto AR Musical e à noite a animação esteve a cargo do Rancho Folclórico “Os Amigos da Associação de Barrantes” e da cantora caldense Rebeca, que apresentou o seu último disco e fez um dueto com o seu filho.
Francisco Gomes











0 Comentários