“Não há sonho que resista 40 anos, se não for um bom sonho”. Foi desta forma que a ministra falou da obra, há muito esperada pelos agricultores da região e cujo despacho de autorização de início de procedimento da empreitada da sua construção foi dado no dia 22 de julho.
Assunção Cristas esteve em Óbidos para dar essa garantia aos agricultores: “vamos mesmo ter obra e já não podemos voltar atrás”, depois de muita pressão por parte da autarquia.
Considerando um “líquido precioso para a competitividade e para a criação de postos de trabalho” da agricultura, Assunção Cristas explicou que a água vai chegar a 1.200 hectares de terrenos agrícolas, de 900 agricultores das freguesias da Amoreira e do Olho Marinho, em Óbidos, e do Pó e da Roliça, no Bombarral.
Assunção Cristas afirmou ainda que esta aposta no regadio, no País, “é também parte da nossa estratégia às alterações climáticas”.
A primeira parte da obra será a construção da estação elevatória, seguindo-se a rede de rega do bloco de Óbidos. “Até ao final do ano, estamos em condições para avançar para a rede do outro bloco, da Amoreira,” e, por isso, “é realista dizer que teremos tudo concluído na campanha de 2017”, garantiu Assunção Cristas.
Esta obra vai ser financiada com dinheiro do Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020, embora ainda com as regras do então PRODER, garantindo que não havia nenhuma paragem no investimento. “Isto só foi possível porque Portugal se bateu em Bruxelas para ter um regulamento de transição que permitisse não ter quebra no investimento. Com regras antigas e dinheiro novo foi possível dar continuidade”, apontou, a ministra.
Com um investimento tão grande, é segundo Assunção Cristas ter “associações fortes que motivem os agricultores a aderir ao regadio”. “A nossa preocupação não é só fazer a obra, é garantir que a obra é bem aproveitada”, sublinhou, acrescentado que o desafio do sector é chegar a 2020 “sem défice agro alimentar”. “O sector das frutas e legumes será certamente privilegiado pelo regadio de Óbidos e contribuirá para que esse objetivo seja atingido”, afirmou.
A rega vai permitir a duplicação do produto interno bruto de Óbidos
Para o presidente da Câmara Municipal de Óbidos “é um orgulho” poder ver “este velho sonho, com cerca de 4 décadas, ser uma realidade”. Humberto Marques sublinhou a importância desta obra, uma vez “que vai permitir a duplicação do nosso Produto Interno Bruto”.
Tecnicamente, este é um projeto ambicioso. Vai ser construída uma estação elevatória que vai permitir fornecer água filtrada aos agricultores, através de 50 quilómetros de tubagens e cerca de 1,5 litros de água por segundo, por hectare. Serão disponibilizadas 400 tomadas de água, o que perfaz 3 tomadas por hectare, aos quase mil agricultores abrangidos. É o maior investimento público feito no concelho de Óbidos e no distrito de Leiria e um dos maiores do País, em 2015.
Integrada no Projeto Hidroagrícola das Baixas de Óbidos, a rede é aguardada desde 1978.
O regadio está integrado na construção da Barragem do Arnóia, obra de 6,5 milhões de euros, concluída em 2005, e parada desde então devido aos sucessivos adiamentos na conclusão da rede de rega.
Destinado em 60% a pomares e 40% a hortícolas, o projeto permite, por exemplo, aumentar a produção média de pera rocha de 12 toneladas (em sequeiro) para 40 toneladas por hectare, em regadio.






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