O entrevistado desta semana foi João Pedro (mais conhecido por JP) Caldeano, um caldense, de 32 anos, licenciado em som e imagem na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, que de momento é diretor de fotografia em Londres. Após a licenciatura, desafiou-se e decidiu tentar a sua sorte em Londres. “Na altura tinha um sítio que tinha um contacto que podia eventualmente dar algum trabalho mas não tinha nenhuma certeza e fui um bocado na expectativa. Na altura ponderei Estados Unidos ou Londres, mas tive um bocado de receio em dar um passo grande demais e ir para o outro lado do Oceano. E então, como era a primeira vez que eu viajava sozinho para fora do país, eu sei que Londres era talvez uma opção mais sensível. Era mais perto e para o caso de alguma coisa correr mal podia sempre apanhar o avião e dentro de poucas horas estava novamente em Lisboa”, contou. JP Caldeano não está arrependido em não ter ido para os Estados Unidos, visto que ao trabalhar como diretor de fotografia tem entrado em contacto com várias produtoras internacionais e o que elas lhe costumam dizer é: “Não se preocupe em vir para os Estados Unidos porque seja anúncios ou filmes ou séries de TV, muitas coisas são filmadas na Europa, porque é mais barato”. Quando chegou a Londres, há oito anos, não conhecia ninguém e não dominava a língua. Começou por arranjar um trabalho numa das melhores empresas mundiais que fornecem equipamento vídeo. “Comecei por baixo. O que eu fazia era os recados e as coisas mais básicas”, relatou. Após um ano, o diretor da empresa propõe-lhe um trabalho mais técnico, na preparação dos materiais, o qual aceitou. Com o passar do tempo, o ordenado foi subindo pouco a pouco. “Fui sendo conhecido um bocadinho mais pela minha habilidade técnica e parte criativa. O meu interesse passava muito mais por aprender e querer ser o melhor, porque já que tinha vindo para cá queria tentar explorar isso o máximo possível. Fiquei mais três anos como técnico de câmaras e nos últimos três anos em que estive na empresa, estive mais ligado a filmes, como por exemplo, Velocidade Furiosa, Piratas das Caraíbas, Guerra dos Tronos, que tiveram projeção mundial, que são produções enormes e em que eu fazia a parte de suporte técnico a tempo inteiro, tanto na preparação dos materiais e das câmaras antes e durante filmagens”, revelou. Jaime Feijão caracteriza-o como o “homem dos sete ofícios”, porque mesmo trabalhando de segunda a sexta, JP Caldeano nunca abandonou projetos pessoais. Com o objetivo de melhorar as suas capacidades de iluminação e explorar as luzes, sombras e contrastes começou a fazer fotografia. Fez fotografia a modelos, algumas filmagens pequenas e ao ganhar mais conhecimentos e contactos, começou a fazer curtas-metragens e videoclipes com amigos. Houve uma altura que começou a achar que necessitava de passar mais tempo a filmar, a ser mais a pessoa criativa e não tanto a técnica, então candidatou-se uma Bolsa da Gulbenkian, a qual vence, e que lhe permitiu fazer um mestrado em direção de fotografia. Sente falta do sol, da comida, dos amigos e dos cafés ao fim do dia e aos fins de semana. Conta que a vida social é diferente da de Portugal. O que os ingleses fazem é “quando saem do trabalho às cinco da tarde, vão para o pub e bebem uma cerveja todos juntos até às sete da tarde e pronto, a partir de aí vão todos para casa”. Não vê o seu futuro no Reino Unido e quer tentar os Estados Unidos, mas o ideal “seria voltar a viver em Portugal, obviamente perto do mar, perto da família, dos amigos e de todos os que me são próximos. E eventualmente arranjar trabalho como diretor de fotografia em Portugal, fosse a filmar anúncios, curtas-metragens ou possivelmente longas-metragens, e de vez em quando talvez vir a Londres”.
JP Caldeano
“Vim para Londres porque se corresse mal em poucas horas estava em Lisboa”
22 de Julho, 2015
Terça-feira, às 10h30, 14h50 e 18h15, é altura de conhecer o testemunho dos portugueses fora de portas, na Mais Oeste Rádio, em entrevistas conduzidas por Jaime Feijão. São conversas que revelam como é a vida de quem está fora do seu país, como se sentem acolhidos nos países onde trabalham e como veem Portugal à distância.
JP Caldeano é diretor de fotografia em Londres
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