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Henrique Neto, candidato presidencial

«Teria dissolvido a Assembleia da República quando o Dr. Durão Barroso decidiu ir para a Europa»

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«Teria dissolvido a Assembleia da República quando o Dr. Durão Barroso decidiu ir para a Europa» -- foi esta a resposta dada pelo candidato à Presidência da República, Henrique Neto, a uma pergunta que lhe foi colocada nas Jornadas da Juventude, organizadas no sábado pela Juventude Popular da Distrital de Leiria, que tiveram lugar no Auditório Municipal do Bombarral. A pergunta, que foi feita por um jovem que interveio no final da sessão subordinada ao tema “O que se pode esperar da figura do Presidente da República?”, tinha como objectivo esclarecer a posição de Henrique Neto na decisão da dissolução da Assembleia de República tomada por Jorge Sampaio no Governo liderado por Santana Lopes.
O candidato presidencial participou no Bombarral nas Jornadas da Juventude

O candidato garantiu que teria “dito ao Dr. Durão Barroso que ele tinha feito um contrato com os portugueses, de quatro anos, e que esse contrato seria para cumprir», aproveitando para evidenciar a importância do papel do Presidente da República numa decisão desta dimensão, sendo que «tem três tipos de importância: na decisão em si (a Assembleia é ou não dissolvida); para o futuro, porque cria um precedente – aquilo que foi feito vai ser interpretado e acontecer no futuro; em terceiro lugar, tem importância pedagógica: quando eu era empresário sempre chamei à atenção dos meus colaboradores que, em qualquer decisão, o factor mais importante era a pedagogia».

Nesta intervenção, Henrique Neto começou por sublinhar que «um dos grandes problemas que Portugal tem tido é a ausência de uma visão estratégica que seja indicadora do que é que Portugal deve ser dentro de dez, quinze, vinte anos» e que devemos ter em conta «a estratégia de expansão quatrocentista portuguesa iniciada por Dom João II, que nos levou a África, às Américas e ao Oriente». «A nossa expansão, o nosso desejo de ser grandes, era pelo Atlântico. Nós, a partir daí, com maior ou menor formalidade estratégica, até à entrada na União Europeia, tivemos essa estratégia no nosso sangue, na nossa cultura. E essa estratégia foi de alguma maneira perdida, tragicamente, a meu ver, com a entrada na União Europeia. Não porque tenha sido erro aderir à então CEE – foi uma consequência natural do 25 de Abril – mas porque assumimos que a dimensão de Portugal no contexto da União Europeia seria a nossa vocação. Mas não é», sublinhou.

O primeiro candidato a avançar para a corrida às Presidenciais 2016, para além de apresentar a sua visão estratégica, abordou com grande destaque a função presidencial e chamou à atenção para o facto de «o Presidente da República ter três poderes que não são institucionais: a visibilidade, pois pode dirigir-se aos portugueses devido à sua visibilidade pública enorme; a capacidade de antecipar a evolução da política, economia, ciência – deve ser uma pessoa extremamente informada e perspectivar o futuro sabendo o passado. Ao antecipar, terá o poder de chamar o Governo à atenção; e, por último, o poder de passar a mensagem».

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