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Seis pescadores salvos de barco que encalhou quando ia caminho da Foz do Arelho

Francisco Gomes

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“Foram momentos difíceis até vir o helicóptero. Passou-me tudo pela cabeça, mas sobrevivemos e todos saímos bem, é o principal”. O desabafo é de Hélder Vitorino, mestre da embarcação “Cavaleiro”, que na madrugada da passada segunda-feira ficou encalhada nas rochas a norte do Cabo Carvoeiro, em Peniche, levando ao resgate dos seis pescadores, com idades entre os 28 e os 61 anos, que iam a bordo.
Barco ficou encalhado nas rochas

Os tripulantes, da zona de Peniche e Lourinhã, escaparam ilesos, sofrendo apenas pequenas escoriações, resultantes da colisão do pesqueiro com os baixios existentes a cerca de 200 metros da costa, próximo dos Remédios. O mestre partiu o dedo do pé direito, quando devido à ondulação escorregou no barco e a balsa salva-vidas que tentavam atirar para o mar caiu-lhe em cima.

O barco tinha saído do porto de Peniche pouco depois das 03h30. “Não sei explicar o que se passou e se houve alguma avaria. Encontrava-se a navegar normalmente com o piloto automático e quando nos apercebemos já estávamos a encalhar”, relatou Hélder Vitorino, de 28 anos, residente em Montoito, Lourinhã.

Antes da aflição ainda largaram very-lights e tentaram fazer uma chamada de socorro para o centro de salvamento marítimo de Lisboa.

Seria a embarcação de pesca “Flor da União”, cerca das 4h30 a conseguir dar o alerta. Os bombeiros procuraram com a equipa de grande ângulo, efetuar o resgate através da arriba, mas a falta de condições de segurança fez cancelar a operação.

O EH-101 da Força Aérea chegou ao local pelas 06h00 e procedeu ao resgate dos seis tripulantes, içando-os do barco um a um, com a ajuda de um recuperador que os acompanhou. Em terra foram levados de ambulância pelos bombeiros para o hospital de Peniche, por precaução, revelou o comandante da capitania, Vinhas Silva. O mestre ainda foi observado em Torres Vedras. Todos tiveram alta.

No local estiveram também o semirrígido da Estação Salva-Vidas de Peniche, meios terrestres da Polícia Marítima e, após o resgate, o navio-patrulha “Viana do Castelo” para vigiar a costa.

Tripulantes temeram pela vida

135 mil euros foi quanto custou a embarcação há uma dezena de anos. Matriculada no porto da Figueira da Foz, operava na zona de Peniche. Com 14,82 metros de comprimento, dedicava-se à pesca costeira, com covos e redes de emalhar, e na altura do acidente dirigia-se para o largo da Foz do Arelho.

Esta era a segunda viagem do barco após a paragem anual obrigatória para pinturas, reparações e vistorias. “Agora vamos ver, vou falar com a seguradora e avaliar, mas temos um grande prejuízo”, relatou Hélder Vitorino. A embarcação, que dificilmente poderá voltar a ser utilizada, devido aos estragos, pertencia ao pai do mestre, Carlos Vitorino, de 56 anos, que também ia no interior quando o barco encalhou.

Os pescadores Américo Severino, de 55 anos, da Atalaia, Lourinhã, Nilton Pinto, de 41 anos, de Ribamar, Lourinhã, Vítor Santos, de 40 anos, de Peniche, e Tobias Salvador, de 61 anos, de Peniche, estavam a repousar nos beliches, no interior do barco, quando ouviram um estrondo e sentiram o impacto do barco nas pedras. “Começámos a gritar e a pensar que ia ser o nosso fim, mas ainda aguentámos”, contou Vítor Santos.

“A melhor solução foi esperar pelo helicóptero porque se fossemos na balsa íamos projetados contra as rochas”, indicou.

Vítor Santos lamentou a perda do ganha-pão e admitiu ter ficado “traumatizado” em voltar ao mar. “Mas não se pode parar porque a vida está difícil”, afirmou.

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