O convidado desta semana foi Fernando Belo, um arquiteto caldense de 46 anos, que está em Londres desde 2 de fevereiro de 2014.
Esta foi a segunda vez que saiu do país para trabalhar, a primeira fora para a Guiné Equatorial, em 2013, para fazer habitação social. Contou que este “era e deve continuar a ser um país muito complicado”, tanto “em termos de segurança” como de “escassez de materiais”, sendo “um país que ainda se encontra muito fechado, mesmo à própria imigração”. Foi para a Guiné Equatorial com o contrato de um ano, porém, terminou a experiência um pouco por sua vontade, visto que ao ter família, “é muito complicado estar um ano inteiro sem voltar à nossa terra” disse.
Quando partiu para Londres, a convite de um amigo, foi “um pouco à descoberta”. No início poderia estar “às escuras”, mas o Reino Unido é “um país magnífico e não foi difícil encontrar trabalho na minha área”. De momento, trabalha “numa empresa que faz remodelações de apartamentos e moradias, estou com a parte de escritório em termos de atendimento ao cliente e estou com a direção de obra, juntamente com o encarregado português e uma engenheira, também portuguesa”, contou.
Fernando Belo vê-se mais como um português que trabalha no estrangeiro e não tanto um emigrante. Explicou que ao começar a ficar sem trabalho em Portugal, teve de encontrar uma solução, não só pela sua família, mas também por si mesmo, que não é “do tipo de pessoa de me acomodar e ficar quieto”.
Antes de estar a trabalhar na sua área em Londres, esteve no London Hilton Hotel durante oito meses. Começou como ajudante na cozinha e após dois meses “já estava a trabalhar como ajudante de um dos chefes, que por acaso era português”, referiu.
Uma das maiores dificuldades com que Fernando se deparou foi com as condições de vida mais caras. “Os ordenados aqui são bastante bons, mas ao princípio não foi fácil”, foi sobrevivendo.
Ao nível da vida social, tem amigos e colegas de trabalho e é fácil fazer novos amigos. No entanto, os ingleses “são mais frios do que nós em termos de relação e um pouco mais fechados”.
Portugal visto à distância é o de um cenário preocupante aos olhos de Fernando Belo. “Cada vez vejo o meu país, infelizmente, a afundar-se mais”, lamentou. Tão preocupante que acha que é uma mais valia os jovens saírem de Portugal “como uma possibilidade para a sua formação”.
Sentindo que toda a sua experiência no Reino Unido está a ser “muito gratificante”, não se vê a regressar a Portugal muito em breve, tornando-se agora “num local onde eu tenho a minha família e que vou duas, três vezes por ano” como um destino de férias.




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