O projeto-piloto, em parceria com a AXA Assistance Portugal, que monitoriza doentes crónicos, chamou a atenção da casa-mãe da multinacional. A Hope Care vai incorporar o projeto a nível mundial e levar a ideia portuguesa a 35 países.
Nasceu fruto do trabalho de grupo da disciplina de “novas aventuras empresariais” na AESE, Escola de Direção e Negócios, como uma maneira inovadora de pensar o telecuidado. Perante a situação do mercado – as empresas de segurança começaram a vender sensores que permitem ter, por exemplo, botões de SOS em casa para possibilitar aos doentes avisar médicos e hospitais em situação de alerta – a equipa da Hope Care decidiu pensar mais além.
“Com a perceção de que essa era uma das tendências do mercado e que uma das salvações era o caminho para a telesaúde, percebemos que face ao aparecimento de cada vez mais aplicativos para a saúde, quer produtores de hardware quer de software tinham uma lacuna: proposições para autogestão mas sem ligação aos médicos. Não havia uma ligação direta aos especialistas”, refere José Carvalho.
Na altura, o cofundador da empresa levou tão a sério o trabalho de grupo que conseguiu, entre rondas de financiamento e capital da escola, angariar 700 mil euros para passar do papel à prática. Durante três anos, a equipa fundadora da Hope Care trabalhou para começar a aplicar o conceito em 2012. “Não havia empresas a fazer o que fazemos”, recorda.
Criaram produtos que permitem testar diariamente – e sem que os doentes tenham que sair de casa – a situação clínica dos pacientes, com base numa análise de parâmetros como glicémia, ritmo cardíaco ou peso. A situação pessoal de cada doente é analisada todos os dias por especialistas: em caso de alerta ou face a situações que tendem a degradar-se de dia para dia, os médicos são alertados de maneira a poder acompanhar mais de perto os seus doentes.
Os resultados permitem evitar reinternamentos e, com isso, poupar dinheiro ao Estado e aos contribuintes: cada doente internado custa 1800 euros de base mais 400 euros diários. O projeto piloto evitou mais de 50% dos internamentos, face ao ano anterior.
O Prémio Inovação NOS visa premiar novas áreas de negócio e projetos de inovação nas empresas nacionais. A gala de encerramento terá lugar no dia 26 de junho, em Lisboa.



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