Abílio Matos tinha desaparecido no dia 5 deste mês, em Ferrel. O padre, que ainda ajudava em celebrações religiosas, tinha como rotina diária sair de casa às onze da manhã e ir à igreja, regressando à hora de almoço, mas ter-se-á desorientado com obras na vila, que alteraram o trânsito. “Chegou a perguntar a uma pessoa onde é que ficava Ferrel, sem se aperceber que estava na localidade”, contou Silvino João.
Ao longo de vários dias foram efetuadas buscas que envolveram mais de trinta militares da GNR e bombeiros, para além de populares, que pesquisaram estradas e caminhos agrícolas na tentativa de avistar o carro que conduzia na altura em que foi visto pela última vez.
Foi encontrado ao princípio da noite de dia 8, caído numa valeta a seis quilómetros de distância, onde o carro que guiava caiu. Terá conseguido sair antes da viatura tombar, mas também acabou por se desequilibrar e cair na valeta, onde permaneceu até ser encontrado por um criador de abelhas, que tinha colmeias num terreno próximo e que se deparou com a situação.
O presidente da Junta de Freguesia de Ferrel disse que o padre “estava inconsciente, tendo sido reanimado e levado para o hospital de Peniche e depois para Caldas da Rainha”.
De acordo com Silvino João, o pároco “estava a recuperar bem, apesar de estar mordido e haver desconfiança de poder aparecer febre da carraça, o que se detetou no dia em que iria ter alta e quando fez análises. Foi enviado para Lisboa, onde os rins deixaram de funcionar e faleceu”.
Menos de 5% das pessoas com febre da carraça morrem. Contudo, quem corre maior risco são os muito jovens ou os de idade avançada e os que se encontram desnutridos ou debilitados.
As cerimónias fúnebres foram realizadas no dia 22, na Igreja de São Leonardo, em Atouguia da Baleia, com a presença do bispo auxiliar de Lisboa, D. José Traquina.
Natural do concelho de Pombal, entre outras funções, foi pároco nas Caldas da Rainha e vigário-coadjutor de Peniche.



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