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Gabinete de Atendimento à Vítima de Violência Doméstica já atendeu 22 vítimas

Marlene Sousa

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O Gabinete de Atendimento à Vítima de Violência Doméstica (GAVVD) da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, que faz seis meses no dia 4 de junho, atendeu desde o início da sua atividade 22 pessoas deste concelho vítimas do crime de violência doméstica. Três das vítimas foram encaminhadas para casas de abrigo, indicou Débora Alves, técnica de apoio à vítima do Gabinete das Caldas.
A advogada Sandra Correia quis transmitir aos jovens que “violência não é só bater“

“Todas as vítimas que nos procuraram foram bem acompanhadas. Deixa-nos satisfeitos saber que acompanhamos as pessoas para que possam ter uma vida melhorada”, explicou a técnica, acrescentando que a primeira preocupação do GAVVD é dar uma assistência digna, acolhimento e acalmar as vítimas que procuram o serviço.

Para além do atendimento e apoio às vítimas, este gabinete nas Caldas visa também uma intervenção na área da prevenção e é nesse sentido que promove um conjunto de ações de sensibilização e informação subordinadas aos temas da “Violência Doméstica.

No passado dia 22, decorreu uma ação na Escola Técnica Empresarial do Oeste (ETEO), onde a advogada e jurista do GAVVD, Sandra Correia, e o chefe Dário Magno, da PSP, falaram sobre “Igualdade de Género” e “Violência no Namoro”.

“Violência não é só bater”

Segundo Sandra Correia, “a perceção que nós vamos tendo é que a camada mais jovem no namoro por vezes encara coisas que não são normais como sendo normais”. “Muitos encaram os ciúmes como um sinónimo de amor e muitas destas situações evoluem para violência no namoro”, sublinhou a advogada, que quis transmitir aos jovens que “há uma linha de dignidade que todos nós temos e que não deve ser ultrapassada por ninguém”. Todavia, “violência não é só bater”, advertiu a advogada, explicando que nas camadas mais jovens há “uma certa desvalorização de comportamentos, o que não é saudável”.

Ter esta perceção o mais cedo possível é para Sandra Correia muito importante porque há determinados sinais que não são normais. “A prevenção é essencial para que não falte a formação e sensibilização para uma cultura e uma ideologia de vida diferente”, adiantou a advogada, que considera que ainda há “muito caminho a percorrer em matéria de igualdade de género”. “Apesar dos avanços legislativos, de mentalidades e atitudes, as mulheres continuam a ser as principais vítimas de violência doméstica”, apontou Sandra Correia.

“Perseguir, controlar, ciúme descontrolado” foram alguns exemplos referidos, num contexto em que, é certo, as mulheres continuam a constituir a maioria das vítimas, mas em que os homens também sofrem. Provavelmente até muito à conta dos estereótipos sociais de que “um homem não chora, deve ser forte”, referiu.

Fora do seio dos relacionamentos, as desigualdades de género persistem também a nível profissional.

“Entre 2008 e 2013, Portugal foi o País da União Europeia onde mais cresceu a desigualdade de género, por exemplo, com as mulheres a ganharem menos 13% do que os homens, nas mesmas funções”, referiu Sandra Correia.

Coube ao chefe Dário Magno, responsável pela área da Escola Segura, explicar que violência doméstica é um crime de natureza pública, isto é, que pode ser denunciado por qualquer pessoa, e que tipo de apoio e ação é feito pelas autoridades neste tipo de situações.

Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS assegurou que no âmbito escolar não tem havido processos de violência no namoro.

Destinadas a diferentes públicos, foram realizadas ainda ações na Universidade Sénior.

A iniciativa agendada para o dia 28 de maio, na delegação da Cruz Vermelha, foi cancelada.

É o objetivo do GAVVD levar a cabo mais iniciativas de sensibilização no início do próximo ano letivo.

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