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Comerciantes querem manutenção da Rua Heróis da Grande Guerra aberta ao trânsito

Marlene Sousa

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Um estudo sobre mobilidade urbana no centro da cidade das Caldas da Rainha elaborado pela Associação Comercial dos Concelhos das Caldas da Rainha e Óbidos (ACCCRO) revela que “uma grande percentagem dos comerciantes inquiridos é a favor da abertura permanente” da Rua Heróis da Grande Guerra.
Associação comercial revelou estudo que defende permanência do trânsito naquela rua

O presidente da ACCCRO, Paulo Agostinho, apresentou o estudo na passada quarta-feira no Café Venezia. O inquérito foi efetuado a 257 responsáveis de estabelecimentos comerciais e serviços localizados em 14 das principais ruas do centro da cidade que aderiram à participação no estudo. Na qualidade de representante do tecido empresarial, Paulo Agostinho disse que já entregou o estudo ao presidente da Câmara Municipal das Caldas, propondo à autarquia que não volte a fechar ao trânsito a artéria entre o cruzamento da Rua Coronel Soeiro de Brito (junto aos CTT) e a Rua Emídio Jesus Coelho (junto ao estabelecimento For Men). Com as obras de regeneração urbana concluídas, a ACCCRO avançou com a realização do estudo, para “permitir uma análise sustentada sobre a decisão de manter ou não o trânsito” naquela artéria.

O estudo questionava ainda os comerciantes se concordavam com o encerramento da rua ao trânsito apenas em dias específicos ou datas festivas, onde 66% (135) optaram pela resposta negativa, querendo os veículos a circular permanentemente.

72% considera que o encerramento da rua será prejudicial para a sua empresa. A rua foi reaberta ao trânsito em junho de 2013, na sequência de uma petição com 130 assinaturas de comerciantes que exigiram que a circulação fosse reposta enquanto durassem as obras de regeneração urbana, que obrigaram ao corte de outras vias no centro da cidade.

De referir ainda que a opinião dos taxistas, embora não contemplada no questionário alvo do estudo, que manifestam a sua concordância de que a Rua Heróis da Grande Guerra se mantenha aberta ao trânsito.

A ACCCRO também contatou a PSP das Caldas, que disse que só dava o seu parecer à Câmara Municipal.

A análise do tráfego, feita durante um ano, concluiu que na Rua Heróis da Grande Guerra passam diariamente, entre as 10h e as 19h, 3894 viaturas, 3559 das quais ligeiras, o que representa uma média de 433 viaturas por hora.

“É a segunda rua mais movimentada, a seguir à Praça da República”, onde no mesmo período passam uma média de 521 veículos por hora.

O estudo também revelou que a paragem do Toma nesta artéria da Rua Heróis da Grande Guerra é onde saem e entram mais pessoas.

No estudo a ACCCRO propõe também que depois de definitivamente aberta ao trânsito haja limite de velocidade e que o trânsito seja condicionado a veículos ligeiros e a veículos comerciais com tonelagem definida, com zonas e horários específicos para cargas e descargas.

É ainda defendido que as floreiras sejam intercaladas com os pinos, do lado esquerdo da rua, para que a mesma seja considerada uma passagem mais facilitada para os peões.

Propõe também a substituição das floreiras, do lado direito da rua, no sentido Largo Conde Fontalva, tendo em conta que o volume de cada floreira (70cm) ocupa demasiadamente o passeio destinado aos peões.

Aconselha a Câmara a recolocar as floreiras em locais estrategicamente selecionados para o efeito, nomeadamente a rua Miguel Bombarda, entre outras, “contribuindo assim para um ordenamento paisagístico mais verde, pincelando a imensa mancha cinzenta de betão”.

Paulo Agostinho disse que o presidente da Câmara ainda não se pronunciou sobre o estudo, porque iria discuti-lo com os outros membros do executivo.

A ACCCRO, que tem cerca de 2000 associados, vai também entregar o estudo à Assembleia Municipal e a representantes de todos os partidos políticos das Caldas, revelou Paulo Agostinho.

O empresário caldense Joaquim Batista sublinhou que é importante que “os veículos passem na rua porque facilita a mobilidade na cidade”.

Com o objetivo de uma maior satisfação das necessidades da população das Caldas, zonas limítrofes, bem como todos os profissionais ou turistas que visitam a cidade, a Associação Comercial fez este estudo de mobilidade na área central que se iniciou em julho de 2014 e terminou em maio de 2015.

A recolha da informação revelou que a cidade tem 27.652 habitantes e existem no centro e zona histórica 664 estabelecimentos comerciais. Destacam-se as pastelarias com 84 espaços (12,7%) e seguidamente os restaurantes com 48 estabelecimentos (7,2%). Depois há várias sapatarias, lojas de vestuário, ourivesarias, cabeleireiros, esteticistas, imobiliárias, lojas de artigos de casa/decoração, entre outros e estabelecimentos de prestação de serviços de natureza pública e privada.

É de destacar que o número de estabelecimentos comerciais concentrados no centro da cidade é mais do dobro da segunda cidade de dimensão similar, a Figueira da Foz, com 360 estabelecimentos e 30 012 habitantes.

Falta sinalética eficiente

O estudo conclui ainda a necessidade de colocação de “sinalética sistematizada” na cidade. Segundo o presidente da ACCCRO, “quem não conhecer a cidade não consegue circular por causa da falta de sinalética”. Com toda esta oferta de produtos e serviços, a cidade recebe diariamente milhares de veículos, cujos condutores “não a conhecem tão profundamente como os que nela habitam, pelo que uma sinalética eficiente tem um papel preponderante na orientação da mobilidade e no combate ao caos, para que as pessoas possam desfrutar do comércio e usufruir dos serviços, encontrando uma cidade mais organizada”, adiantou o responsável. Paulo Agostinho disse ainda que é importante que as principais artérias onde se circula se mantenham abertas ao trânsito, “uma vez que não foram criadas com as obras de regeneração urbana alternativas consistentes para a questão da mobilidade central”.

Foi ainda feito um levantamento do número de lugares de estacionamento existentes nos oito parques da cidade, que totalizam os 2130 (dos quais alguns em sistema de aluguer mensal), a que se somam mais 300 lugares nas artérias que dão acesso ao centro da cidade.

“Se compararmos o número de lugares nos centros comerciais, que são em número muito superior em relação ao número de lojas, percebe-se a necessidade de uma sinalética que facilite a deslocação dos visitantes até aos parques”, a maioria dos quais a poucos minutos de distância das zonas comerciais, alegou Paulo Agostinho.

“Plano de promoção estratégica” para as Caldas

Para o presidente da ACCCRO, “a oferta que a cidade dispõe a nível do ensino, entidades públicas, atividades artísticas e culturais a par da oferta comercial, deve apostar na atração dos 150.000 habitantes dos concelhos vizinhos”. “Não há nenhum centro comercial em Portugal que tenha esta oferta”, sublinhou, acrescentando que “falta-nos a promoção que tem que ser feita em conjunto para conseguirmos cativar pessoas de outros concelhos a fazerem compras nesta cidade”. Para isso defende que a autarquia aposte “num plano de promoção estratégica” para a cidade das Caldas da Rainha.

No âmbito dos fundos para modernizar e requalificar os estabelecimentos, Paulo gostinho lembrou ainda que a associação comercial apresentou um projeto que visa a criação de um conjunto de serviços complementares, com o objetivo de captar mais pessoas para a cidade.

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