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Diagnóstico dos Pavilhões do Parque revela necessidade de obras entre 400 a 500 mil euros

Francisco Gomes

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Os Pavilhões do Parque, nas Caldas da Rainha, construídos no final do século XIX, apresentam-se “em mau estado de conservação”, em grande parte devido “à ausência de trabalhos de conservação e manutenção nos últimos anos”. A grande maioria das anomalias “está associada à infiltração das águas pluviais”. A conclusão consta de um diagnóstico aos pavilhões, pedido pela Câmara Municipal, numa altura em que se apresta para receber este património do Estado, atualmente sob domínio do Centro Hospitalar do Oeste.
A Câmara prepara-se para receber este património, no Parque D. Carlos I

Segundo o diagnóstico, as infiltrações “provocaram o apodrecimento dos elementos de madeira, a degradação dos revestimentos de parede e o desenvolvimento de fenómenos de corrosão do vigamentos metálicos”. “Estas anomalias concentram-se nas zonas próximas de vãos de janelas e nas zonas com falta de revestimento ao nível da cobertura. Nos pavimentos a corrosão dos perfis metálicos é generalizada”, indica.

“Os fenómenos de fendilhação mais graves localizam-se nos topos dos corpos transversais e no topo sul do corpo central. Estas fendas podem estar associadas a diferentes fenómenos, mas não foi possível estabelecer um padrão claro dos movimentos da estrutura. Este tema deverá assim ser novamente estudado, sendo necessária uma prospeção geotécnica e uma análise dos pavilhões”, relata o estudo.

De acordo com o documento, “o estado de conservação do edificado tende a evoluir negativamente, inviabilizando qualquer medida de preservação a médio/longo prazo. Assim, considera-se prioritária uma intervenção a curto prazo que permita estancar a evolução das anomalias identificadas”.

Propõe-se eliminar as infiltrações de águas pluviais, com a reparação e limpeza do sistema de drenagem ao nível da cobertura e substituição dos tubos partidos ou inexistentes, a colocação de elementos de revestimento dos vãos, a reparação do telhado, através da substituição e reposição das telhas danificadas ou em falta, e a estabilização das estruturas colapsadas ou em risco eminente de colapso. São algumas das medidas a implementar com caráter de urgência, de modo a repor níveis de segurança e de utilização mínimos. Há ainda a necessidade de limpeza geral do edifício.

Para esta intervenção estima-se um valor compreendido entre os 400 e os 500 mil euros. O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, que anunciou que vai ser aberto concurso para a obra, declarou ao JORNAL DAS CALDAS que “a boa novidade é que o edifício não está em risco de ruína eestá em melhores condições construtivas e de estrutura do que se pensava e é possível com esse valor a durabilidade do edifício por mais três dezenas de anos, o que nos dará oportunidade de encontrar os financiamentos necessários para o uso diferente do edifício”.

Desde a sua construção até aos dias de hoje, os pavilhões já tiveram diferentes tipos de ocupação (alojamento de refugiados de guerra, alojamento de militares, estabelecimento de ensino, biblioteca, sede de associações culturais, espaço de exposição, armazém e depósito de objetos e equipamento médico-cirúrgico do hospital e oficinas de apoio aos hospital). Nunca desempenharam a função para a qual tinha sido projetados, que consistia em criar uma unidade de internamento para os aquistas, ligada ao parque.

Em 1896 falecia o diretor do Hospital Termal, Rodrigo Berquó, e a partir dessa data a função a dar aos pavilhões, na altura em construção, ainda passou a ser questionada. O diretor interino, José Rebello, decidiu apenas concluir as obras das estruturas já iniciadas. “A falta de apoio do Estado e supostamente o aparecimento de outras conceções de âmbito funcional e estético, terão deixado este equipamento à sua eterna condição de edifício inacabado”, escreve Jorge Mangorrinha, autor do livro “Pavilhões do Parque, Património e Termalismo nas Caldas da Rainha”.

O estudo agora efetuado sublinha que “a eventual separação e/ou supressão parcial de partes deste conjunto – edifícios e parque – fragilizará qualquer ação concertada de reabilitação das Termas das Caldas da Rainha”.

Também aponta que, no âmbito de um projeto geral, devem ser pensadas e enquadradas medidas a médio e longo prazo, que custariam 9,8 milhões de euros. O avultado investimento financeiro deverá levar a ponderar o faseamento da regeneração do edificado com fundos comunitários.

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