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Empreendedorismo e desenvolvimento socioeconómico

Marco Libório CEO da UWU Solutions / Consultor / Docente

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Qual será o verdadeiro papel do Empreendedorismo na promoção do desenvolvimento social e económico de um país ou região? Será o fenómeno do Empreendedorismo capaz, por si só, de alavancar o desenvolvimento de uma sociedade? Em que condições o poderá fazer?

Segundo as Nações Unidas, “ A hipótese do Empreendedorismo estar ligado ao crescimento económico encontra a sua fundamentação mais imediata na simples intuição, no bom senso e na observação económica pura: atividades que transformam ideias em oportunidades económicas estão no coração do Empreendedorismo. Empreendedorismo é uma fonte de inovação e mudança, e como tal incita a melhoria na produtividade e a maior competitividade económica.” (Nações Unidas, 2005). “Tanto no que se refere a questões qualitativas, quanto às dimensões quantitativas do desenvolvimento económico, o Empreendedorismo pode dar um contributo positivo. Este fenómeno é descrito, de uma forma geral, como importante para o desenvolvimento económico, visto potenciar a criação de empregos, aliviar a carga fiscal, e fornecer competitividade às economias.” (Naudé, 2008).

Atualmente podem-se identificar dois principais modelos que procuram explicar a correlação existente entre “Empreendedorismo” e “Desenvolvimento Económico”. São eles: o modelo de Wennekers and Thurik (1999) e o modelo do programa de pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor). Ambos colocam a tónica no indivíduo, no empreendedor. Empreender resulta, antes de mais, de uma atitude inovadora e pró-ativa. Segundo estes estudos, as políticas macroeconómicas de fomento ao Empreendedorismo são um fator muito importante, mas não o suficiente para potenciar o desenvolvimento económico através do Empreendedorismo. É necessário desenvolver as qualidades empreendedoras nos indivíduos, despertando neles o gosto por empreender. Esta visão é partilhada por outros autores. Murphy (1991) sublinha que o “talento empreendedor” é de extrema importância, influenciando de forma determinante a dimensão das empresas e o crescimento da economia. Sugere-se que, na perspetiva do crescimento económico de uma sociedade, «é muito importante que os mais talentosos e capazes se tornem empreendedores» (Murphy, Shleifer, & Vishny, 1991).

Tendo tudo isto em conta, e considerando o que já foi dito sobre o conceito de “Empreendedorismo”, parece consensual que os empreendedores poderão ser um elemento-chave no desenvolvimento das sociedades. Mas será que é sempre assim? Efetivamente poderá existir o que se pode apelidar de “mau” Empreendedorismo. Vários autores, como Murphy (1991), Baumol (1990), Acemoglu (1995), Mehluma, Moene, & Torvik (2003), defendem que os empreendedores mais talentosos e capazes tendem por vezes a procurar atividades “com maior propensão para o lucro, e não necessariamente as socialmente mais úteis” (Murphy, Shleifer, & Vishny, 1991).

A “capacidade empreendedora” do indivíduo é então o fator-chave para um “Empreendedorismo positivo”, no sentido de ser facilitador do desenvolvimento económico e social de um país ou região. Centrando-se a discussão neste ponto, de que forma se poderá melhorar as capacidades empreendedoras dos indivíduos? “As capacidades empreendedoras poderão ser melhoradas através da aquisição de experiências, da formação escolar(…)” (Holmes & Schmitz, 1990). Parecem existir evidências de que a forma como o conhecimento é partilhado é extremamente importante. O “aprender fazendo” (learning by doing) parece ser o caminho certo para potenciar as capacidades empreendedoras. “O Empreendedorismo é mais bem apreendido através da variedade de experiências educacionais e de experiência da vida real” (Consortium for Entrepreneurship Education, 2011).

Em conclusão, é fundamental que a sociedade em geral, e as instituições oficiais em particular, promovam ativamente o “Empreendedorismo positivo”, que está assente no potenciar das capacidades empreendedoras de cada um (e de todos), direcionando os empreendedores para atividades e negócios sustentáveis, quer do ponto de vista social, quer económico, quer também (e não menos importante) ambiental. “Experiências em alguns países evidenciam empiricamente que a capacidade empreendedora pode ser melhorada através, por exemplo, da educação, da cultura, da consciencialização sobre o Empreendedorismo como uma escolha ocupacional, e através do aprender fazendo” (Naudé, 2008).

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