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Recolha de sobras de restaurantes para distribuir a quem tem fome

Reunião sementeira do núcleo caldense do projeto Refood

Marlene Sousa

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Cerca de 100 pessoas estiveram presentes na sessão de apresentação pública do núcleo caldense do projeto Refood, que consiste na recolha de sobras de cafés e restaurantes para distribuir por famílias carenciadas e que já está a ser desenvolvido com sucesso em vários pontos do país.
Elementos da equipa do núcleo caldense do projeto Refood

O projeto que está a ser lançado na cidade está na fase de implementação, tendo sido realizada a reunião sementeira no passado dia 11, no auditório da Expoeste, para angariar mais voluntários.

A iniciativa contou com a presença do mentor do projeto, o americano Hunter Halder, que vive em Portugal há mais de 20 anos e que montado numa bicicleta um dia teve a ideia visionária de recolher comida e entregá-la a quem precisa, acabando com o desperdício alimentar e com a fome na sua comunidade.

O projeto, que teve início na freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, em 2011, já distribui cerca de 20 mil refeições por mês e deverá aumentar a sua presença no país ao longo deste ano. “Há 16 comunidades em funcionamento, 2107 voluntários, 1732 beneficiários, 649 fontes e 25000 refeições por mês”, revelou Hunter Halder.

Estão a ser “semeados” novos núcleos pelo país, mas também noutras cidades do mundo, como Barcelona, Madrid, Amsterdão, Buenos Aires e Milão.

Nesta região, o centro de operações da Refood Alcobaça foi inaugurado em março e está a apoiar nesta fase inicial 10 pessoas diariamente.

“Há comida em perfeitas condições que vai para o lixo, dia a dia, na mesma comunidade onde há pessoas com fome. Não faz sentido”, alertou Hunter Halder, acrescentando que o objetivo da Refood é acabar com o desperdício e com a fome.

O verdadeiro grande recurso da Refood não é apenas a comida, mas também os voluntários que disponibilizam duas horas por semana do seu tempo para ajudar. Por isso mesmo, a organização de voluntários faz a ponte entre “o excesso diário e a necessidade diária” através de uma rede de pessoas que disponibilizam o seu tempo para “mudar o mundo” a partir da sua comunidade.

Porquê o projeto Refood nas Caldas da Rainha? É que “também nesta cidade há quilos de comida que vai para o lixo porque quase todos os restaurantes deitam comida boa fora”.

Mais voluntários são precisos

O mentor do Refood sublinhou que é um projeto que leva o seu tempo porque “pretende-se criar uma base sólida”. Apresentou o modelo explicando que o trabalho de resgate de alimentos e distribuição dos mesmos pelos beneficiários só se concretizará quando forem completadas as quatro fases que estão previstas no projeto e que consistem em divulgação (formação de equipas de gestores), investigação (plano de ação, realidade quantos restaurantes, cafés e supermercados), implementação (lançamento), inauguração e operação, sendo que cada fase tem de ficar “concluída antes de passar à seguinte”.

O alvo do núcleo serão os “restaurantes, cafés, padarias, mercearias e supermercados”, uma vez que interessa “todo o desperdício alimentar”.

No fim esclareceu dúvidas apelando à inscrição de voluntários.Para o projeto Refood das Caldas são necessários 24 gestores e cerca de 200 voluntários disponíveis para darem o seu contributo à sociedade e acabar com o desperdício alimentar nesta cidade. Este movimento Re-food-Caldas está à procura de um lugar para instalar a sua sede. O ideal será encontrar uma sede com cerca de 100 metros quadrados para guardar a comida recolhida e dividi-la em doses. O espaço terá que ter uma bancada de cozinha para lavagem e ser equipado com frigoríficos para guardar as refeições recolhidas nos restaurantes antes da sua distribuição. O embalamento da comida é feito em caixas de plásticas próprias cedidas pela fundação da Refood.

Para que Caldas possa abrir o seu centro de operações necessita de arranjar mais voluntários que irão ter formação e serão organizados em equipas de quatro elementos.

Câmara vai ajudar o núcleo caldense da Refood a arranjar sede

A vereadora da Câmara das Caldas Maria da Conceição que esteve presente nesta reunião sementeira, elogiou o projeto Refood Caldas e revelou que a autarquia vai ajudar a arranjar um espaço para a sede.

Apontou que o concelho das Caldas tem “uma excelente rede de solidariedade social” e convidou o núcleo caldense da Refood a fazer parte da rede social das Caldas para poderem cruzar dados e “não cometer o erro de ajudar as mesmas pessoas que já estão a receber de outras instituições” para se poder chegar a todos que precisam.

Quem quiser participar no projeto poderá obter informações através do Facebook do Refood das Caldas da Rainha.

Marlene Sousa

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